Retomando o fio da conversa, sepultada, enfim e para sempre, a princesa Diana, o mundo continua girando e a vida segue em frente. Por falar em mundo girando, me recordo daquele comercial que dizia: O mundo gira e a Luzitana roda. Interessante, não? Pois bem, meus amigos, depois de tudo, dos vulcões cuspindo fogo no Havaí e na Indonésia, depois dos terremotos e ciclones, depois e apesar de tudo, dos vendavais e maremotos, a vida segue seu curso, como um rio que corre, manso, mas sempre em frente, na inexorável busca do mar.

E assim se passou setembro e outubro chegou, com os ares de verão quase sufocando a primavera. Enfim, a chuva abençoada nos poupando da poeira miserenta que ninguém aguentava mais. Cáspite!! O final do ano vem chegando e a cidade vive um clima de apreensão com as demissões no grupo da Vale. Está acontecendo aquilo que todos teminam que viria depois da privatização. Estava eu, um dia desta semana, assistindo ao jornal da nossa TV Cultura, que noticiava a abertura da semana da comunidade, com a presença do Prefeito, do presidente da Câmara e outros, quando vendo o Jackson ser entrevistado, pude perceber um certo ar de tristeza em sua fisionomia quando falava do momento que vivemos. Estava sendo sincero e não escondia um certo desânimo.

Um abraço e até a próxima

Do alto da mais alta montanha lançou o olhar para as profundezas do vale que serpenteava a seus pés. Levantou a vista e viu até onde o horizonte se unia à terra e seu olhar ondulou, suavemente, acompanhando a paisagem, subindo e descendo as encostas, até longe, muito longe. Lá, onde a vista já não alcançava mais, pensou, lá na frente, a terra acaba e começa o mar, o grande mar.

A terra que via embaixo era rica, seus olhos penetraram-lhe as entranhas e ele viu o seu ventre metálico, de ouro e de ferro em quantidade que dava para alimentar gerações sem conta. Quieta e adormecida, tamanha riqueza logo faria a felicidade de quem ali vivesse.

Em sua frente, o maciço azulado do Cauê se impunha solene e desafiante. De ouro e ferro, precioso e cobiçado, o monolito parecia indestrutível. Marco de hematita gerado nas convulsões da crosta terrestre, ali estava, um sinal cósmico do princípio do universo, do começo dos tempos.

Ali, profetizou, nasceria Itabira, cidade rica e poderosa, de um povo culto e feliz, que iluminaria toda uma nação, com sua riqueza que não acabaria nunca. Feliz o seu povo, pensou novamente, jamais teria de se preocupar com o futuro. Poetas cantariam as maravilhas daquela terra abençoada e todos a invejariam.

Esta foi a visão que um extraterrestre teve, aqui, há uns duzentos anos atrás. “A cidade que mais divisas fornece ao Brasil”, “cidade educativa”, etc, etc, lembram-se? Sim, Itabira, mas por onde andará o seu futuro profetizado? Onde estão os vales da abundância e da riqueza, com seus rios de leite e de mel? Me assusta, isto sim, a fria e desolada paisagem lunar que se anuncia, cada vez mais próxima. Da imensa cratera do Cauê, a boca escancarada a clamar para o universo impassível. Quem te socorrerá, Itabira?

Vou começar falando de um assunto chato, mais uma vez. Mais uma vez porque a coisa continua piorando, se agravando a cada dia. Estou falando da intolerável e maldita poluição sonora que nos agride todo dia nesta cidade sem lei. É um absurdo o que estão fazendo estes carros de som. É um berreiro, uma gritaria insuportável de endoidar o pobre e indefeso cidadão. Cada um quer fazer o som mais alto que o outro e dane-se o resto.

Ainda mais agora, com esse negócio de bingão, super bingão, etc., a zoada aumentou demais. Gente, temos que exigir o cumprimento da lei com urgência. Pra mim, devia ser proibido o tal de som volante, isto é coisa de roça, não se usa mais em lugar civilizado. Propaganda é feita no rádio e na televisão ou em outdoor, coisa de gente civilizada. E temos em Itabira rádio e televisão, não é?

Aliás, pelo volume que estão usando, deve ser uns 200 decibéis ou mais, num total desrespeito à população, a prefeitura tinha mais é que proibir a baderna, ou isto é uma cidade de surdos? Com a palavra, o secretário Edson Tomaz. Já chega a poluição aérea da mineração que temos suportado há mais de 50 anos e não tem jeito. Mas a sonora, só não acabamos com ela se ficarmos quietos e acomodados.

Outra coisa ainda, Itabira é uma cidade que oferece pouquíssimas opções de lazer para seus moradores. Muito pouco mesmo. Agora vejam vocês, a estrada do 105 ficava fechada aos domingos, para que a gente pudesse fazer lá uma caminhada, andar de bicicleta, enfim, curtir um pouco a natureza, num lugar sossegado, livre da fumaça dos ônibus que circulam na cidade.

Mas, nem isto dura em Itabira e parece que a estrada voltou a ser aberta para o tráfego. Será? Se for verdade, será mais uma derrota de Tutu Caramujo, que não vai mais fazer caminhada aos domingos… É isto aí…

Um abraço e até a próxima.

Se quisermos olhar, apenas olhar e parar para pensar, veremos que este nosso mundo realmenmte é uma miséria. É triste ver como são miseráveis os povos da África. Em Ruanda, em Burundi, as matanças se contam em milhares de pessoas, 30 e 40 mil, por aí. Guerras civis estúpidas, carnificinas encomendadas, como a da Bósnia Herzegovina e da Chechenia, na Europa. São montes e montes de cadáveres expostos, ossos, valas enormes para enterrar milhares de pessoas. Fora os que morrem de fome e de doenças, na Etiópia, Bengali, na Índia e no Brasil, e em todo o mundo dos miseráveis. Será que tem solução?

Mas não é bem por aí que quero levar a crônica. Vamos esquecer da miséria do mundo, ou, pelo menos, vamos deixá-la em segundo plano, por enquanto. Vamos cuidar da vida, porque a morte é certa. E é por aí que temos de nos preocupar com os mais recentes aumentos dos preços nos supermercados. Estão querendo recomeçar com a ciranda da remarcação. Vai dançar o Plano Real, se o governo não tiver mão forte. Por que os aumentos? Qual a razão, gente? Pra mim, é a antiga pressão psicológica da inflação. Não admitem que as coisas fiquem como estão, tem que ter aumento. Mas isto tem nome, sabem como se chama? Ambição, voracidade e gatunagem.

E só pode ser, pois, como justificar o aumento do preço de um produto que não teve qualquer reajuste em seu processo de fabricação. Só que os vorazes não se contentam em ter a mesma margem de lucro sempre. Querem mais e mais. É uma praga e tem que ser tratada como tal, tem que ser radical: roubou, o lugar é na cadeia. O Canhedo que o diga… O povo tem de ser respeitado, é dele que emana o poder. Lembrem-se disto.

Mais uma palavrinha sobre a privatização da Vale. Fez muito bem o Li em levar uma equipe de seu primeiro escalão a Volta Redonda. A privatização da CSN teve desdobramentos muito interessantes para aquela cidade. Lá, alguém vai pagar a conta. Um exemplo a ser seguido por Itabira e a hora é esta, gente. Acorda, Itabira!!!

Pra finalizar, que a crônica está ficando meio grande, uma coisa eu não entendi. Por que o presidente da Câmara nomeou para a CPI do jornal A Semana só vereadores do tal grupo dos 7? Eu, hein!!!

Um abraço e até a próxima.

Crônica de abril de 1995

Depois de uma temporada de ausência forçada, eis-nos aqui, de volta na Rádio Pontal, para conversar com vocês. Estamos aí e vamos aproveitar o momento para dar uma geral no que passou, mesmo sabendo que o amigo Gabiroba já andou abordando alguns dos assuntos que comentarei aqui. Sem problema. E muita coisa aconteceu e rolou nestes dias passados. Fatos e acontecimentos importantes para nós, para Itabira, para o Brasil.

Quanto tempo ficamos pendurados, esperando nosso destino ser decidido, com um nó na garganta: vai ou não ser privatizada a Vale? Vem a Peugeot ou é a BMW? Quais os mais recentes escândalos a nível nacional? Vieram as respostas. A Vale teve o seu destino selado, apesar de tudo, prevaleceu a vontade do governo federal. Ficou a lembrança dos momentos de um luta inglória e desorganizada. Triste para Itabira, já carregada de tantas tristezas. Apenas mais uma, mas como dói, plagiando o poeta maior.

Quando via as manchetes dos jornais itabiranos, mais ou menos assim: “Quase certa a vinda da BMW”, “Diretores da Peugeot visitam Itabira”, etc, etc., sabem de que eu me lembrava? Lembrava-me da fábrica de painéis, da fábrica de jipes, da usina de pelotização, da fábrica de explosivos, e quantas outras fábricas que vieram pra cá e erraram o caminho e foram para Vitória, Pouso Alegre, Campo Largo, etc, etc. Que será que se passa conosco? Será que não sabemos pedir? Será que nosso santo é fraco? É falta de prestígio político? Ou será que existe mesmo a maldita caveira de burro que está enterrada nesta terra e ninguém sabe em que lugar. É preciso, urgentemente, descobrir onde está e desenterrá-la, porque senão vai dar aquilo que falamos: o último a sair apague a luz.

Bom não está, mas podia ser pior. Pressinto no olhar dos jovens itabiranos um lampejo de expectativa. Sei que eles estão muito mais atentos, para os destinos de nossa cidade, do que a minha geração e a de meus pais estiveram. Nossas gerações viveram na doce ilusão de que os dias de fartura, o imposto do minério engordando as finanças municipais, jamais acabariam. Era um horizonte sem nuvens e sem limites. As novas gerações, entretanto, estão presenciando o drama de uma cidade que vê seu futuro questionado, ameaçado. Eles, os jovens, é que têm de buscar a saída, pois em suas mãos já está o destino de Itabira, não é Dr. Jackson? Não é Dr. José Maurício?

Um abraço e até a próxima.

Fechado 1997, pra falar a verdade, não vale a pena, sequer, fazer um balanço. Pra que? Foi um ano complicado, duro de levar, custou a chegar ao fim. De uma maneira geral, sem querer detalhar as perdas e ganhos, acho que ficamos no prejuízo, no final das contas.

Para Itabira, particularmente, foi um ano amargo. A privatização da Cia Vale do Rio Doce, rapidamente, de maneira até surpreendente, revelou, logo, suas drásticas consequências. Demissões, transferência de pessoal, desativação de segmentos produtivos, esvaziamento ostensivo do contingente da Vale em Itabira. Se Itabira nunca foi muito prestigiada pela CVRD, agora chegamos bem perto do “último a sair apague a luz…”

Mas e daí? Vamos ficar lamuriando, choramingando o resto da vida? Não dá, temos que tocar pra frente. Ano novo, vida nova. Não vamos mais falar sobre isso. Que a Vale faça o que bem entender e lhe convier. Vamos sobreviver, disto eu tenho certeza. Claro que atravessaremos um período de transição, cheio de incertezas e insegurança, mas sabemos que há luz no fim do túnel. Tudo bem, vocês podem achar que estou meio otimista demais, mas, o que vocês querem? No início de um novo ano, perto do final do século, eu vou passar uma mensagem de desânimo? De fracasso? Nunca, nem que a gente tenha que buscar lá no fundo.

Mas tenho, digo a vocês, continuo tendo, minhas preocupações, porque não basta só ter fé e entusiasmo pra fazer a travessia, como diria o velho Tancredo Neves (êta homem esperto, sô!). Precisa mais, precisa de uma coisa que se chama espírito público, que seria de se esperar de nossos políticos. Lembrar a eles que nesta hora, principalmente, os interesses que predominam são os da coletividade, jamais os interesses pessoais e as ridículas vaidades. Itabira precisa mais do que nunca eleger seus deputados. Pelo menos dois e tem condições de fazer isso. Mais uma vez se faz uma campanha para reduzir o número de candidatos e é bom a gente ficar de olho pra ver quem é quem. E sabem de uma coisa? Nem é preciso fazer pesquisa para saber quem deverão ser os candidatos. Todo mundo já sabe… O resto continua querendo mesmo é aparecer. Ô praga, sô!

Um abraço, em especial para dois amigos, pelos aniversários: Ildeu de Oliveira, lá no Carmo, e o Prefeito José Maurício.

Até a próxima.

cronica_semana_52_perfil_facebookVamos voltar ao assunto, que ele merece e requer. O caso da doação do “Complexo do Areão”. O nome até que ficou bonito, impressiona: “Complexo do Areão”. O assunto virou polêmica, com toda razão. Mas cuidado que tem gente se aproveitando para aparecer. Gente oportunista, sem qualquer vínculo com o sentimento itabirano. Claro, a coisa pode render votos.

A mim, particularmente, pouco me interessa o tal “Grupo dos Sete”. A bandeira não é e nunca foi só deles, como querem mostrar. Não têm sequer, autenticidade, para empunhá-la. A bandeira é nossa, é do povo itabirano e não podemos permitir que ela vá servir para retaliações políticas e propósitos eleitoreiros. É um péssimo caminho.

Itabira sempre cobrou da Vale e pouco conseguiu. Perguntem ao “Grupo dos Sete” se alguma vez já ouviram falar de José Hindemburgo Gonçalves. Garanto que nem sabem que ele foi um itabirano que teve peito de cobrar da Vale a transferência de sua sede para Itabira, como mandavam os estatutos da empresa. Conseguiu? Não, mas mobilizou um bocado de gente. Sem política e políticos.

O movimento para reivindicar a doação do Complexo do Areão tem que ser da comunidade e não pode ser manobrado e aproveitado por políticos e para a política, com p minúsculo, senão vai acabar em pizza, seu destino será o descrédito e o vazio, como tudo em que os políticos se metem.

A cidade tem lideranças capazes de assumir a luta. Elas não podem se omitir, esqueçam as diferenças, os interesses menores, senão Itabira vai perder mais uma vez e com certeza é a última chances antes de 2023. Pois o que mais a Vale pode deixar para nós, antes de dizer, fechando a porta: “O último a sair que apague a luz” ?

cronica_semana_48_perfil_facebookVejam os jornais, a coisa está ficando complicada a cada dia que passa. Ao que parece, a privatização da Vale já é assunto mais do que decidido na área governamental. E aí, como é que fica? Quem responderá para Itabira? Ficaremos, mais uma vez, sem resposta? Há poucos dias li em um dos nosso jornais domésticos a seguinte baboseira, fechando um editorial: “… que Itabira sempre foi vencedora em seus pleitos…” Maior mentira de quem escreveu, porque o que tem acontecido é justamente o contrário, Itabira, com raríssimas exceções, tem sido sempre uma perdedora. Ou estou falando mentira? Delegacia de Ensino, onde é? Nova Era. Regional de Polícia, onde é? Monlevade, etc, etc.

Agora, agorinha mesmo, vai começar outra batalha, a luta contra a privatização da Vale, luta que não será minha, pois sou favorável à privatização. Respeito, entretanto, a posição daqueles que entendem que a Vale deve continuar estatal. É coisa superada, mas vá lá. Como dizia, outra batalha começa agora, contra a privatização, unindo vários segmentos, instalando fóruns permanentes, motivando a opinião pública, com a quase certeza de que será mais uma luta perdida, como tantas outras. Não é para desanimar ninguém não, é que entendo ser outro o caminho, outras as reivindicações nesta hora. Tudo bem, Dr. Fernando Henrique, quer privatizar a Vale, não? Então mande quem comprar a Vale repor a Itabira tudo aquilo de que a cidade é credora, depois de anos e anos de atividade predadora, vão ficar os buracos e a paisagem agredida. Este o passivo que está aí para ser resgatado e que ninguém quer pagar.

Mas tem uma outra coisa que quero falar. Por que será que perdemos sempre? Será o destino? Será que tem caveira de burro enterrada em algum lugar da cidade? Há anos que ouço isto. Deve ser a caveira de burro. Ou será por que não sabemos gritar, dar bronca mesmo, sair para o pau. Vou repetir aqui uma frase que foi escrita pelo poeta / escritor / psicólogo itabirano Wolber de Alvarenga, há mais de trinta anos passados e me desculpem se alguém se ofender: “o itabirano só sabe gritar em campo de futebol…” Em trinta anos, nada mudou… É só ver nossa ilustre câmara de vereadores, que devia ser um exemplo nesta hora, completamente baratinada, mais preocupada com retaliações e promoções pessoais, do que com Itabira. Pobre cidade. Mais uma vez, não vai dar. E por nossa culpa, nos acostumamos a ser cordeiros, nunca chegaremos a lobo. Acorda, gente!

Um abraço e até a próxima.

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Volto ao assunto, porque o tema exige e requer comentário. Pego um jornal para ler, um deles, daqui mesmo, não me lembro qual e lá está o Frederico Penido, Secretário de Desenvolvimento Econômico, como sempre dinâmico e atuante, dando notícias do projeto da usina de pelotização. Lendo a matéria, mais uma vez, ficamos sabendo que Itabira poderá ter sua usina de grande porte. As chances são ótimas, excelentes. Será que agora vai dar? Ou vamos perder mais esta? Se depender do Frederico, tenho certeza de que dá certo, mas, não depende só dele. Logo agora, com a ameaça da privatização da Vale, Itabira merece ter suas compensações. Mas, não vai ser mole não, tem muita gente correndo atrás.

E por falar em privatização, é certo que o pau vai quebrar. O Fernando Henrique já mostrou que não vai dar moleza não, taí a do petróleo que já passou em primeira votação e vai passar mesmo. Confesso a vocês que fiquei meio balançado com a manifestação do dia 2 no Centro Cultural. Sem dúvida que o nosso prefeito mostrou prestígio e trabalhou bem. Faturou alto. Só não gostei daqueles que tentaram se aproveitar do momento para confundir a opinião pública sobre os verdadeiros objetivos da privatização. Falaram muita besteira e tripudiaram sobre a política do FHC, que não teve chance de defesa, foi um réu sem defensor. Só podia ser condenado, claro.

Teve gente que chegou ao ridículo de falar que o Fernando Henrique estava comprometido com grupos internacionais, que estava entregando o país em uma bandeja para os gringos e outras baboseiras. Igual se falava em 1970, no tempo de um jornal chamado Semanário, coisas do passado, teses superadas e que hoje não resistem ao menor confronto com a realidade. Uma paranoia. Se alguém quiser mudar este país, realmente, tem que acabar com estes mitos, com esta xenofobia anacrônica e tocar para frente. A gente sabe que algumas cabeças estão com outras ideias a respeito da privatização da Vale. Não estão pensando nem um pouco em Itabira, estão pensando neles próprios, apenas.

Que coisa, eu ainda queria falar sobre as noites frias e densas de neblina, com suas imagens fluidas, por onde perambulam, fantasmagóricos e indecifráveis, os velhos itabiranos, que devem estar achando isto tudo muito instigante. Beleza, não?

Um abraço e até a próxima, se Deus quiser.

cronica_semana_#_perfil_facebook_#31De fato, não se pode dizer, ainda, que tudo são flores aqui na terrinha, mas, há sinais de melhora. Confesso a vocês e isto não é novidade, que andava meio pessimista em relação ao futuro de Itabira. Muito mais pelo que não tem sido feito, há longos anos, do que pelo que está sendo feito agora.

Itabira dormiu em berço esplêndido, que não era tão esplêndido coisa nenhuma, durante muito tempo. Desde que a Vale aqui se instalou, no longínquo ano de 1942, Itabira passou a viver para a Vale. Tudo girava em todo da Vale, da “Companhia” que polarizou a vida da cidade. Sob certo aspecto tal situação até se justificava, até porque a economia do município era fraca e indefinida. Com a atividade mineradora, a cidade achou seu rumo. Até aí, parecia tudo bem.

Mas o que ninguém pensava é que o “minério não dá duas safras” e o tempo foi passando e Itabira sempre dando muito mais do que recebendo. Muito mais mesmo. E o minério ia acabando, inexoravelmente, restando, apenas, a paisagem, triste e desolada das montanhas escavadas, a mostrar suas entranhas exauridas. Pobre cidade. Agora, o fim tem data marcada, o ano de 2023 e a cidade tenta correr contra o tempo, em busca de tudo que ficou para trás. Ainda bem que o José Maurício deu o primeiro passo, com o Distrito Industrial, e agora nós acordamos, definitivamente, para a corrida da sobrevivência. É assim que temos de pensar, em termos de sobrevivência.

E parece que o Frederico Penido de Alvarenga, feliz escolha do Prefeito Li para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, sabe disto mais do que ninguém. Até que enfim, pois o seu trabalho está mostrando que Itabira pode sobreviver dignamente, mesmo sem a Vale. Aí já está o Distrito Industrial II e o homem não pára, deve estar olhando para lá de 2023, é claro.

Renovam-se as esperanças, novas perspectivas, Administração de Empresas, Ciências Contábeis, a FACHI ressuscitada, a Escola de Formação Gerencial, parabéns a todos que lutaram, foi uma vitória. Acho que vamos sobreviver a 2023. Um recado para o Prefeito: “Ô, Li, dá o prédio do Areião para as nossas faculdades, que a base de tudo é a cultura do povo!”. Aliás, a bem da verdade, quem deveria dar o prédio do Areião para a comunidade era a Vale, e ainda seria pouco pelo muito que Itabira já lhe deu.