Promessa é dívida, ou não é? Prometi uma crônica para hoje e aqui estou eu, meio sem inspiração, tentando cumprir meu compromisso com o Gabiroba e com a rádio Pontal. De repente, me lembro que lá vinha eu, pela estrada, rumo a Itabira, a noite enluarada, passo pela Pousada do Avião e venho serpenteando a descida da Serra do Espinhaço. O rádio do carro ligado, naquele horário da Voz do Brasil, no dial 104,3 FM, lá estava a rádio Pontal de Itabira, rompendo as serras, a nossa valente Pontal FM, levando sua voz, atravessando a noite e nos conduzindo para casa. Êta trem bão sô…

E por falar nisto, por falar na rádio Pontal, há quanto tempo venho escrevendo essas crônicas? Quase uns quatro anos. Alguém diria que duraria tanto assim? Nem eu mesmo acreditaria. Mas, a gente vai escrevendo, escrevendo e quando para pra pensar, já são quase quatro anos no ar. Assuntos vão e voltam, repetem-se alguns, sei que insisto em outros. Será que estou sendo ouvido? Será que estou conseguindo passar minhas mensagens? Tenho contribuído com vocês de alguma forma? Tudo isto me pergunto quando estou escrevendo… Sei que tenho ouvintes fiéis, que sempre me dão retorno. “Olha, Sérgio, gostei da sua crônica sobre a filha da Xuxa”, me fala um lá no fórum. No elevador da prefeitura, outro me diz, brincando, que estava com raiva de mim porque falei mal de sua deusa loura. Ainda bem que não estou escrevendo em vão.

E, pensando nestas coisas todas, deixando de lado o maníaco do parque, que alimentou a mídia nestes últimos dias. A tragédia quase transformada em glória, o Brasil já tem um serial killer. Finalmente, me fixo na insólita proposta do Enéas de fabricar a bomba atômica, começo a rir sozinho e dentro da noite vão surgindo as primeiras luzes de Itabira.

Um abraço e até a próxima.

Crônica de agosto de 1998

Uma estória. Quarta-feira última, lá pelas tantas do jogo do Cruzeiro com Palmeiras, na entrada da área, a bola sobra no pé de Palhinha. O atacante celeste se vira, coloca-se de frente para o gol, vê o goleiro Veloso adiantado e tenta a jogada de craque: enfia o pé debaixo da bola, de leve e dá o toque que a mandaria por cima do goleiro, para morrer, mansa, mansa, no fundo da rede. Só que é também o momento de glória do Veloso, que estava realmente adiantado. E lá vem a bola, descrevendo sua trajetória fatal, irreversível, uma parábola (ou seria uma elipse?) que a faria passar acima das mãos de Veloso, morrendo no barbante.

Veloso, todo no ar, num esforço quase inimaginável, num último arranco, estende o braço, de mão trocada e faz a defesa impossível, corta a trajetória da bola e desvia por cima da trave. Na linguagem dos cronistas esportivos, uma pintura de lance. Palhinha se ajoelha, leva as mãos à cabeça e diz: não acredito! O estádio vem abaixo, uma apoteose para a beleza da jogada.

Trinta e oito minutos do segundo tempo, placar igual, 1×1, o jogo estava em sua fase crítica, iria para os pênaltis. Roberto Gaúcho lança uma bola alta sobre a área, meio centrada, meio chutada a gol. Bola fácil para quem já tinha salvado outra quase impossível. Veloso vai, no alto, toca a bola com as duas mãos mas não consegue segurá-la. Ela cai de presente nos pés de Marcelo, que mata o Palmeiras. Vida ingrata a de goleiro, da glória ao fracasso é, realmente, coisa de um pulo.

Outra estória. Disse meu irmão Spencer e eu passo: Casarão! Casarão! Loucura: uma fogueira de São João. E lá se foi o Sobrado do Batistinha, de onde, há muitos e muitos anos, uma garrafa despencou de sua sacada e quase pegou na cabeça de minha mãe. Assim me contou ela, assustada, já chegando em casa. Lembrança minha, apenas circunstancial. Entretanto, lembranças densas dos velhos itabiranos subiram ao céu, com a fumaça que marcou a tarde azul do domingo. Acredito que toda casa tem sua alma e era possível ver a alma do Sobrado do Batistinha pairando, enquanto o velho casarão era consumido pelo fogo. Ardeu o sobrado, lá estão as cinzas, cinzas. E a cidade vai perdendo a sua memória…

Crônica de julho de 1996

Retomando o fio da conversa, sepultada, enfim e para sempre, a princesa Diana, o mundo continua girando e a vida segue em frente. Por falar em mundo girando, me recordo daquele comercial que dizia: O mundo gira e a Luzitana roda. Interessante, não? Pois bem, meus amigos, depois de tudo, dos vulcões cuspindo fogo no Havaí e na Indonésia, depois dos terremotos e ciclones, depois e apesar de tudo, dos vendavais e maremotos, a vida segue seu curso, como um rio que corre, manso, mas sempre em frente, na inexorável busca do mar.

E assim se passou setembro e outubro chegou, com os ares de verão quase sufocando a primavera. Enfim, a chuva abençoada nos poupando da poeira miserenta que ninguém aguentava mais. Cáspite!! O final do ano vem chegando e a cidade vive um clima de apreensão com as demissões no grupo da Vale. Está acontecendo aquilo que todos teminam que viria depois da privatização. Estava eu, um dia desta semana, assistindo ao jornal da nossa TV Cultura, que noticiava a abertura da semana da comunidade, com a presença do Prefeito, do presidente da Câmara e outros, quando vendo o Jackson ser entrevistado, pude perceber um certo ar de tristeza em sua fisionomia quando falava do momento que vivemos. Estava sendo sincero e não escondia um certo desânimo.

Um abraço e até a próxima

Do alto da mais alta montanha lançou o olhar para as profundezas do vale que serpenteava a seus pés. Levantou a vista e viu até onde o horizonte se unia à terra e seu olhar ondulou, suavemente, acompanhando a paisagem, subindo e descendo as encostas, até longe, muito longe. Lá, onde a vista já não alcançava mais, pensou, lá na frente, a terra acaba e começa o mar, o grande mar.

A terra que via embaixo era rica, seus olhos penetraram-lhe as entranhas e ele viu o seu ventre metálico, de ouro e de ferro em quantidade que dava para alimentar gerações sem conta. Quieta e adormecida, tamanha riqueza logo faria a felicidade de quem ali vivesse.

Em sua frente, o maciço azulado do Cauê se impunha solene e desafiante. De ouro e ferro, precioso e cobiçado, o monolito parecia indestrutível. Marco de hematita gerado nas convulsões da crosta terrestre, ali estava, um sinal cósmico do princípio do universo, do começo dos tempos.

Ali, profetizou, nasceria Itabira, cidade rica e poderosa, de um povo culto e feliz, que iluminaria toda uma nação, com sua riqueza que não acabaria nunca. Feliz o seu povo, pensou novamente, jamais teria de se preocupar com o futuro. Poetas cantariam as maravilhas daquela terra abençoada e todos a invejariam.

Esta foi a visão que um extraterrestre teve, aqui, há uns duzentos anos atrás. “A cidade que mais divisas fornece ao Brasil”, “cidade educativa”, etc, etc, lembram-se? Sim, Itabira, mas por onde andará o seu futuro profetizado? Onde estão os vales da abundância e da riqueza, com seus rios de leite e de mel? Me assusta, isto sim, a fria e desolada paisagem lunar que se anuncia, cada vez mais próxima. Da imensa cratera do Cauê, a boca escancarada a clamar para o universo impassível. Quem te socorrerá, Itabira?

Vou começar falando de um assunto chato, mais uma vez. Mais uma vez porque a coisa continua piorando, se agravando a cada dia. Estou falando da intolerável e maldita poluição sonora que nos agride todo dia nesta cidade sem lei. É um absurdo o que estão fazendo estes carros de som. É um berreiro, uma gritaria insuportável de endoidar o pobre e indefeso cidadão. Cada um quer fazer o som mais alto que o outro e dane-se o resto.

Ainda mais agora, com esse negócio de bingão, super bingão, etc., a zoada aumentou demais. Gente, temos que exigir o cumprimento da lei com urgência. Pra mim, devia ser proibido o tal de som volante, isto é coisa de roça, não se usa mais em lugar civilizado. Propaganda é feita no rádio e na televisão ou em outdoor, coisa de gente civilizada. E temos em Itabira rádio e televisão, não é?

Aliás, pelo volume que estão usando, deve ser uns 200 decibéis ou mais, num total desrespeito à população, a prefeitura tinha mais é que proibir a baderna, ou isto é uma cidade de surdos? Com a palavra, o secretário Edson Tomaz. Já chega a poluição aérea da mineração que temos suportado há mais de 50 anos e não tem jeito. Mas a sonora, só não acabamos com ela se ficarmos quietos e acomodados.

Outra coisa ainda, Itabira é uma cidade que oferece pouquíssimas opções de lazer para seus moradores. Muito pouco mesmo. Agora vejam vocês, a estrada do 105 ficava fechada aos domingos, para que a gente pudesse fazer lá uma caminhada, andar de bicicleta, enfim, curtir um pouco a natureza, num lugar sossegado, livre da fumaça dos ônibus que circulam na cidade.

Mas, nem isto dura em Itabira e parece que a estrada voltou a ser aberta para o tráfego. Será? Se for verdade, será mais uma derrota de Tutu Caramujo, que não vai mais fazer caminhada aos domingos… É isto aí…

Um abraço e até a próxima.

Se quisermos olhar, apenas olhar e parar para pensar, veremos que este nosso mundo realmenmte é uma miséria. É triste ver como são miseráveis os povos da África. Em Ruanda, em Burundi, as matanças se contam em milhares de pessoas, 30 e 40 mil, por aí. Guerras civis estúpidas, carnificinas encomendadas, como a da Bósnia Herzegovina e da Chechenia, na Europa. São montes e montes de cadáveres expostos, ossos, valas enormes para enterrar milhares de pessoas. Fora os que morrem de fome e de doenças, na Etiópia, Bengali, na Índia e no Brasil, e em todo o mundo dos miseráveis. Será que tem solução?

Mas não é bem por aí que quero levar a crônica. Vamos esquecer da miséria do mundo, ou, pelo menos, vamos deixá-la em segundo plano, por enquanto. Vamos cuidar da vida, porque a morte é certa. E é por aí que temos de nos preocupar com os mais recentes aumentos dos preços nos supermercados. Estão querendo recomeçar com a ciranda da remarcação. Vai dançar o Plano Real, se o governo não tiver mão forte. Por que os aumentos? Qual a razão, gente? Pra mim, é a antiga pressão psicológica da inflação. Não admitem que as coisas fiquem como estão, tem que ter aumento. Mas isto tem nome, sabem como se chama? Ambição, voracidade e gatunagem.

E só pode ser, pois, como justificar o aumento do preço de um produto que não teve qualquer reajuste em seu processo de fabricação. Só que os vorazes não se contentam em ter a mesma margem de lucro sempre. Querem mais e mais. É uma praga e tem que ser tratada como tal, tem que ser radical: roubou, o lugar é na cadeia. O Canhedo que o diga… O povo tem de ser respeitado, é dele que emana o poder. Lembrem-se disto.

Mais uma palavrinha sobre a privatização da Vale. Fez muito bem o Li em levar uma equipe de seu primeiro escalão a Volta Redonda. A privatização da CSN teve desdobramentos muito interessantes para aquela cidade. Lá, alguém vai pagar a conta. Um exemplo a ser seguido por Itabira e a hora é esta, gente. Acorda, Itabira!!!

Pra finalizar, que a crônica está ficando meio grande, uma coisa eu não entendi. Por que o presidente da Câmara nomeou para a CPI do jornal A Semana só vereadores do tal grupo dos 7? Eu, hein!!!

Um abraço e até a próxima.

Crônica de abril de 1995

O tema volta às manchetes: a redução do número de vereadores na Câmara de Itabira. Ainda bem, ótimo. Coube à Igreja, agora, detonar o processo, com listas de assinaturas para chegar a um projeto popular, pois é claro que nenhum vereador iria ter esta iniciativa, ruim para eles, boa para o município sob todos os aspectos. O que eu espero é que outras entidades venham a engrossar a campanha, principalmente a nossa Ordem dos Advogados.

Na verdade, esta história começou em 1997, quando a Câmara propôs a revisão da Lei Orgânica do Município. Deu a maior divulgação, convocou as forças vivas da comunidade itabirana, mas, quando surgiu dentre as várias propostas a da redução do número de vereadores, o projeto foi simplesmente engavetado sem maiores explicações, ou melhor, sem justificativas acreditáveis.

Mas acontece que a redução é inevitável, primeiro porque não há nada que convença que a população de Itabira precise de 19 vereadores para ter uma Câmara eficiente, até pelo contrário. Nós estamos quase atingindo o limite constitucional de 21 vereadores, quando não precisaríamos de mais do que nove ou onze vereadores, levando em conta a população do município. Ou nove ou treze, tudo bem, 19 jamais.

Em segundo lugar, além da economia que a redução vai trazer, em Itabira, principalmente, o ditado que diz que um número maior de cabeças pensa melhor não funciona, aqui é exatamente o contrário. Enfim, em tudo por tudo, é urgente a redução, sem falar que não temos nem mais como recuperar o que já foi gasto com este exagero de 19 vereadores.

Melhor do que isto, entretanto, é a campanha nacional que começa o Dr. Olavo Drummond, ex-ministro do Tribunal de Contas da União e atual prefeito de Araxá, de acabar com a remuneração de vereadores, para restaurar o princípio da dignidade. E ele tem toda a razão. Vocês se lembram de quando o vereador não era remunerado, quando trabalhava por amor à camisa e exercia a sua função com muito mais dignidade. Agora, com raras exceções, o que está acima de tudo é o interesse pessoal, o bolso fala mais alto. Pelo amor de Deus, pra mim chega, vou parando por aqui.

Um abraço e até a próxima.

Depois de uma temporada de ausência forçada, eis-nos aqui, de volta na Rádio Pontal, para conversar com vocês. Estamos aí e vamos aproveitar o momento para dar uma geral no que passou, mesmo sabendo que o amigo Gabiroba já andou abordando alguns dos assuntos que comentarei aqui. Sem problema. E muita coisa aconteceu e rolou nestes dias passados. Fatos e acontecimentos importantes para nós, para Itabira, para o Brasil.

Quanto tempo ficamos pendurados, esperando nosso destino ser decidido, com um nó na garganta: vai ou não ser privatizada a Vale? Vem a Peugeot ou é a BMW? Quais os mais recentes escândalos a nível nacional? Vieram as respostas. A Vale teve o seu destino selado, apesar de tudo, prevaleceu a vontade do governo federal. Ficou a lembrança dos momentos de um luta inglória e desorganizada. Triste para Itabira, já carregada de tantas tristezas. Apenas mais uma, mas como dói, plagiando o poeta maior.

Quando via as manchetes dos jornais itabiranos, mais ou menos assim: “Quase certa a vinda da BMW”, “Diretores da Peugeot visitam Itabira”, etc, etc., sabem de que eu me lembrava? Lembrava-me da fábrica de painéis, da fábrica de jipes, da usina de pelotização, da fábrica de explosivos, e quantas outras fábricas que vieram pra cá e erraram o caminho e foram para Vitória, Pouso Alegre, Campo Largo, etc, etc. Que será que se passa conosco? Será que não sabemos pedir? Será que nosso santo é fraco? É falta de prestígio político? Ou será que existe mesmo a maldita caveira de burro que está enterrada nesta terra e ninguém sabe em que lugar. É preciso, urgentemente, descobrir onde está e desenterrá-la, porque senão vai dar aquilo que falamos: o último a sair apague a luz.

Bom não está, mas podia ser pior. Pressinto no olhar dos jovens itabiranos um lampejo de expectativa. Sei que eles estão muito mais atentos, para os destinos de nossa cidade, do que a minha geração e a de meus pais estiveram. Nossas gerações viveram na doce ilusão de que os dias de fartura, o imposto do minério engordando as finanças municipais, jamais acabariam. Era um horizonte sem nuvens e sem limites. As novas gerações, entretanto, estão presenciando o drama de uma cidade que vê seu futuro questionado, ameaçado. Eles, os jovens, é que têm de buscar a saída, pois em suas mãos já está o destino de Itabira, não é Dr. Jackson? Não é Dr. José Maurício?

Um abraço e até a próxima.

Fechado 1997, pra falar a verdade, não vale a pena, sequer, fazer um balanço. Pra que? Foi um ano complicado, duro de levar, custou a chegar ao fim. De uma maneira geral, sem querer detalhar as perdas e ganhos, acho que ficamos no prejuízo, no final das contas.

Para Itabira, particularmente, foi um ano amargo. A privatização da Cia Vale do Rio Doce, rapidamente, de maneira até surpreendente, revelou, logo, suas drásticas consequências. Demissões, transferência de pessoal, desativação de segmentos produtivos, esvaziamento ostensivo do contingente da Vale em Itabira. Se Itabira nunca foi muito prestigiada pela CVRD, agora chegamos bem perto do “último a sair apague a luz…”

Mas e daí? Vamos ficar lamuriando, choramingando o resto da vida? Não dá, temos que tocar pra frente. Ano novo, vida nova. Não vamos mais falar sobre isso. Que a Vale faça o que bem entender e lhe convier. Vamos sobreviver, disto eu tenho certeza. Claro que atravessaremos um período de transição, cheio de incertezas e insegurança, mas sabemos que há luz no fim do túnel. Tudo bem, vocês podem achar que estou meio otimista demais, mas, o que vocês querem? No início de um novo ano, perto do final do século, eu vou passar uma mensagem de desânimo? De fracasso? Nunca, nem que a gente tenha que buscar lá no fundo.

Mas tenho, digo a vocês, continuo tendo, minhas preocupações, porque não basta só ter fé e entusiasmo pra fazer a travessia, como diria o velho Tancredo Neves (êta homem esperto, sô!). Precisa mais, precisa de uma coisa que se chama espírito público, que seria de se esperar de nossos políticos. Lembrar a eles que nesta hora, principalmente, os interesses que predominam são os da coletividade, jamais os interesses pessoais e as ridículas vaidades. Itabira precisa mais do que nunca eleger seus deputados. Pelo menos dois e tem condições de fazer isso. Mais uma vez se faz uma campanha para reduzir o número de candidatos e é bom a gente ficar de olho pra ver quem é quem. E sabem de uma coisa? Nem é preciso fazer pesquisa para saber quem deverão ser os candidatos. Todo mundo já sabe… O resto continua querendo mesmo é aparecer. Ô praga, sô!

Um abraço, em especial para dois amigos, pelos aniversários: Ildeu de Oliveira, lá no Carmo, e o Prefeito José Maurício.

Até a próxima.

E vejam como são as coisas nesta nossa Itabira velha de guerra. Mal acabei de falar, na última crônica, sobre a surpreendente iniciativa da nossa Câmara de Vereadores em promover uma revisão da nossa Lei Orgânica, da brilhante e feliz proposta da OAB local, entre outras também felizes e brilhantes, de reduzir o número de edis, quando, agorinha mesmo, a Câmara resolve que vai suspender o processo da revisão que mal começou. Dá pra entender? E sabem qual o motivo alegado para a suspensão? O de que está prevista uma revisão constitucional para 1999. Mas isto, minha gente, já era do conhecimento de nossos vereadores antes mesmo da proposta da revisão da Lei Orgânica. E ainda que não fosse, não serve de desculpa, ninguém engole essa, mesmo porque esta revisão da Constituição ninguém sabe se vai sair tão cedo, nem mesmo se vai sair.

Eu acho que as razões são outras, domésticas mesmo. Não tem nada a ver com revisão constitucional coisa nenhuma. É que surgiram propostas que deram susto em muita gente, principalmente aquela da OAB de redução do número de vereadores e que foi logo apoiada por outros segmentos importantes da sociedade. Tremeu o prédio da Carlos Drummond de Andrade. Correria nos gabinetes.”Deus do céu, esta não, vão mexer no nosso bolso. Socorro!!! Gente, vamos propor a suspensão deste negócio. Tá dando zebra. Ufa. Vamos votar. Ahhh! Graças a Deus, conseguimos parar o processo. Acabou a ameaça”. Fica tudo pra depois de 2000. E o povo, gente, o que vai pensar, vai achar que é brincadeira, isto não pode ser assim não, ouviu-se na voz de uns poucos vereadores derrotados na votação.

E lá se vão as propostas para o arquivo. Desapareceu, assim, de uma hora pra outra, a necessidade de atualizar a nossa Lei Orgânica. Bobagem, ela está tão atualizada. Pra que então aquela discurseira toda no rádio, gastando recursos públicos, para dizer que agora não precisa mais da revisão? Pisaram na bola mais uma vez, gente. E aí vem a Copa, todo mundo se esquece e fica o dito pelo não dito. Será que vai ser assim? Vai ficar de graça outra vez???

Um abraço, nunca se esquecendo.