E setembro já caminha para o fim. Quente de verão, seco e com muita poeira. E ainda nem é primavera. No horizonte, Escorpião já descamba inteiro para os lados do poente e suas estrelas somem antes mesmo da noite acabar de chegar.

Sinais do fim do ano que vem vindo, logo, logo. E a vida continua sem maiores sustos, que a gente vai se acostumando com tudo. A violência do cotidiano, os sequestros, os rombos e roubos, a loucura do trânsito, todo dia na telinha da TV. A morte agora ronda os estádios de futebol. Ali, também, morrem os jovens. As chacinas de São Paulo, matam pelo poder, na guerra da cocaína. E fica tudo do mesmo tamanho.

Igual só a guerra na Bósnia, onde a ONU está cada vez mais perdida que nem cego em tiroteio. Os palestinos continuam fustigando Israel. Em Itabira, a polícia prende um bando de corruptores de menores, uns “respeitáveis” coroas. Vamos ver no que vai dar, se a justiça cuida deles.

Na política, as alianças estão sendo costuradas, na surdina, pois ninguém é bobo de abrir o jogo. Melhor dizendo, ninguém é “coió”. É isto aí mesmo, “coió”. Se não vai virar a maior “tubaca”. É boi ou? Alguém sabe o que isto quer dizer? Se souber, pode ligar para o Marcos na Pontal, que eu agradeço.

Agora, no sério mesmo, estão falando que a inflação de setembro vai dar pouco mais que zero. Só que tem muita coisa que também está próximo de zero e ninguém fala, né? Por isto, abram bem os olhos e afinem os ouvidos para tentar entender o que vem vindo por aí, que não é só o Natal e as festas de fim de ano…

Um abraço e até a próxima.

Crônica de setembro de 1995

Aqui estamos nós, mais uma vez e de volta. Ausentei-me, por mais de um mês, de nossa crônica na Rádio Pontal. Tirei umas férias e dei a vocês, que toleram me ouvir, umas férias também. É como eu disse para o nosso amigo Marcos Gabiroba, em certos momentos é preciso parar para pensar e repensar a vida. Mas, vamos em frente, Vicente, que atrás vem gente, como dizia aquele parachoque de caminhão.

Pois é, esta coisa de privatização é um negócio complicado. Vejam vocês o que está acontecendo, no caso dos telefones. Pra mim, a entrada da Telemar está sendo um desastre completo, pelo menos até agora. E isto não é nenhuma novidade, e não sou só eu que digo não. Todos reclamam dos serviços e sentem saudades da Telemig. Pra começar, vejam o que a Telemar fez com o catálogo telefônico, certamente para aumentar seu lucro, suprimiu da lista a procura por endereço, criando a maior dificuldade para nós usuários. E ela não está nem aí. Tudo agora é interurbano, as contas foram lá para as alturas.

Mais uma da Telemar. No domingo, 26 de setembro, estava eu em BH e liguei para Itabira. Sabem o que aconteceu? Tentei durante horas e não consegui falar. Soube depois que ocorreu uma pane geral nos telefones de Itabira. Gente, isto é coisa que acontecia 30 anos atrás, nos tempos do telefone de manivela.

Mas tem outra. Esta também é uma piada. Um cidadão de BH liga pra Uberlândia e a ligação cai na minha casa, em Itabira. Ele pergunta de onde é e eu falo, de Itabira. Aí o cidadão retruca, meu Deus, estou ligando para Uberlândia, para a casa de minha irmã e desanca a Telemar, e eu apoio. Na semana seguinte, a mesma coisa e aí nós até já nos conhecíamos e continuamos a desancar a Telemar. Podem acreditar, isto se repetiu por umas cinco vezes e o cidadão discava o número certo de Uberlândia e a ligação caía em Itabira. No final ficamos até amigos e inimigos comuns da Telemar.

Dias depois, recebo uma ligação da Telemar. A mocinha, com voz doce, diz: Sr. Sérgio, vou lhe explicar como ganhar bônus e prêmios fazendo interurbano pela Telemar. Me deu vontade de rir, mas me contive e soltei os cachorros, falei que o serviço da Telemar é uma porcaria, nada funciona, cobram caro e que antes de dar prêmio por interurbano, deviam dar um jeito da gente poder fazer um interurbano, como nos bons tempos da Telemig. E finalizei dizendo, não quero prêmio nenhum, quero é serviço bom e barato. Prefiro a Embratel, que além de tudo, tem a Ana Paula Arósio… Pode???

Um abraço e até a próxima.

Se quisermos olhar, apenas olhar e parar para pensar, veremos que este nosso mundo realmenmte é uma miséria. É triste ver como são miseráveis os povos da África. Em Ruanda, em Burundi, as matanças se contam em milhares de pessoas, 30 e 40 mil, por aí. Guerras civis estúpidas, carnificinas encomendadas, como a da Bósnia Herzegovina e da Chechenia, na Europa. São montes e montes de cadáveres expostos, ossos, valas enormes para enterrar milhares de pessoas. Fora os que morrem de fome e de doenças, na Etiópia, Bengali, na Índia e no Brasil, e em todo o mundo dos miseráveis. Será que tem solução?

Mas não é bem por aí que quero levar a crônica. Vamos esquecer da miséria do mundo, ou, pelo menos, vamos deixá-la em segundo plano, por enquanto. Vamos cuidar da vida, porque a morte é certa. E é por aí que temos de nos preocupar com os mais recentes aumentos dos preços nos supermercados. Estão querendo recomeçar com a ciranda da remarcação. Vai dançar o Plano Real, se o governo não tiver mão forte. Por que os aumentos? Qual a razão, gente? Pra mim, é a antiga pressão psicológica da inflação. Não admitem que as coisas fiquem como estão, tem que ter aumento. Mas isto tem nome, sabem como se chama? Ambição, voracidade e gatunagem.

E só pode ser, pois, como justificar o aumento do preço de um produto que não teve qualquer reajuste em seu processo de fabricação. Só que os vorazes não se contentam em ter a mesma margem de lucro sempre. Querem mais e mais. É uma praga e tem que ser tratada como tal, tem que ser radical: roubou, o lugar é na cadeia. O Canhedo que o diga… O povo tem de ser respeitado, é dele que emana o poder. Lembrem-se disto.

Mais uma palavrinha sobre a privatização da Vale. Fez muito bem o Li em levar uma equipe de seu primeiro escalão a Volta Redonda. A privatização da CSN teve desdobramentos muito interessantes para aquela cidade. Lá, alguém vai pagar a conta. Um exemplo a ser seguido por Itabira e a hora é esta, gente. Acorda, Itabira!!!

Pra finalizar, que a crônica está ficando meio grande, uma coisa eu não entendi. Por que o presidente da Câmara nomeou para a CPI do jornal A Semana só vereadores do tal grupo dos 7? Eu, hein!!!

Um abraço e até a próxima.

Crônica de abril de 1995

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Mundo, vasto mundo, já dizia Carlos Drummond de Andrade. E é mesmo um vasto mundo. Por lugares distantes e desconhecidos pode voar a imaginação, outros povos, outras paisagens, outras estórias. Cada povo com seu destino, suas crenças, sua sorte e suas desgraças. Mas, a humanidade é uma e única, não importa o país, simples questão territorial. Mas, uns são mais ricos, outros são pobres, outros miseráveis. Jamais seremos iguais, jamais.

Nós, latino americanos, temos a nossa visão do mundo. Os asiáticos têm também a sua visão, idem, idem, os africanos. O que, de fato, nos une e nos aproxima é esta visão que temos, é o mesmo sentir em relação ao resto do mundo. Isto é o que nos identifica, nos torna diferentes perante outros grupos. Somos chamados de Terceiro Mundo, estamos bem longe do Primeiro Mundo. Quem está no Segundo Mundo? Somos pobres e vemos, lá longe, os ricos do Primeiro Mundo. Não é esta a visão que os latino americanos têm do mundo? Não é assim com os senegaleses, com os etíopes?

E como será que os do Primeiro Mundo nos vêem? Com pena, interesse ou solidariedade? Ou, para eles, somos, apenas, consumidores dos produtos de suas fábricas? Com certeza, somos o mercado fácil, que não pode ficar pobre demais, porque, senão, não vamos conseguir comprar mais nada. O paradoxo da eterna desigualdade que mantém o equilíbrio do mundo. Os ricos e os pobres, a eterna e tão preservada dicotomia. Claro, pode haver mudanças, o pobre fica rico e vice versa, mas sempre o pobre e o rico, jamais, a igualdade.

Para falar a verdade, tudo isto me veio a propósito do que está acontecendo com a Argentina e o México. Estão quebrados, os dois. São do Terceiro Mundo. Quem vai socorrê-los? Representam um mercado de quase 100 milhões de pessoas, consumidores/compradores de produtos do Primeiro Mundo. Será que o Grupo dos Sete, não confundir com os nossos vereadores, por estou falando dos sete países mais ricos do mundo, não vai correr atrás? Emprestem dinheiro, autorizem ao Banco Mundial, ao BID, etc, etc, a soltar a grana, cobrem juros altos e mantenham o mercado aberto…

Gente, cuidado com o Brasil, muito cuidado com o Plano Real, do contrário, vamos pelo mesmo caminho, para o brejo…

Até a próxima e um abraço.

cronica_semana_10#_blog

A Bolsa e o bolso. A Bolsa cai em Hong Kong e fura o nosso bolso cá no Brasil. Vejam só se isto é possível. Lá, do outro lado do mundo, na porta do extremo oriente, por razões que a gente nem imagina, a economia dá um break e, de repente, não mais do que de repente, a nossa TR, famosa TR dobra de valor, os juros disparam e mudam toda a perspectiva do fim de ano, tudo por causa de Hong Kong e dos tais Tigres Asiáticos. É verdade, o mundo é mesmo uma grande aldeia. Por causa da Bolsa de Tóquio, o mutuário do BNH, José Carlos Batista, bancário, lá de Taboão da Serra, vai pagar mais caro a sua prestação da casa própria. Agora eu quero ver é ele explicar isto para a mulher e para os filhos, que o Natal deste ano mixou.

É a tal da globalização da economia, o mundo sem fronteiras. Isto é muito bom para quem pode segurar o tranco, isto é, os chamados países ricos. Para eles, tudo bem, tudo é lucro para quem tem uma economia estável. Vejam vocês que para segurar o real, temos de manter os juros altos, temos de vender dólares de nossas reservas cambiais e com os juros altos, quem ganha mais? Quem tem o dinheiro na mão. Quem? Quem? Adivinhem. Mais uma vez é sempre os banqueiros, as multinacionais e os agiotas internacionais. É isto que se chama globalização da economia, isto é, os ricos dividem os lucros e nós, pobres do terceiro mundo, dividimos os prejuízos.

E aqui fico eu pensando o que Zé de Almeida acharia disto tudo. Quase posso vê-lo, sentado na porta de sua venda lá em Cocais, olhando a modorra da tarde, o sol batendo forte nas pedras da rua, seu pensamento voava longe, lá para Portugal, uma aldeia em Trás os Montes, a encosta da serra coberta de videiras, longe, de muito longe, o canto das lavadeiras. Ah, meu Deus, tenho que aprender mais sobre globalização da economia.

Um abraço, gente, e até a próxima.