Promessa é dívida, ou não é? Prometi uma crônica para hoje e aqui estou eu, meio sem inspiração, tentando cumprir meu compromisso com o Gabiroba e com a rádio Pontal. De repente, me lembro que lá vinha eu, pela estrada, rumo a Itabira, a noite enluarada, passo pela Pousada do Avião e venho serpenteando a descida da Serra do Espinhaço. O rádio do carro ligado, naquele horário da Voz do Brasil, no dial 104,3 FM, lá estava a rádio Pontal de Itabira, rompendo as serras, a nossa valente Pontal FM, levando sua voz, atravessando a noite e nos conduzindo para casa. Êta trem bão sô…

E por falar nisto, por falar na rádio Pontal, há quanto tempo venho escrevendo essas crônicas? Quase uns quatro anos. Alguém diria que duraria tanto assim? Nem eu mesmo acreditaria. Mas, a gente vai escrevendo, escrevendo e quando para pra pensar, já são quase quatro anos no ar. Assuntos vão e voltam, repetem-se alguns, sei que insisto em outros. Será que estou sendo ouvido? Será que estou conseguindo passar minhas mensagens? Tenho contribuído com vocês de alguma forma? Tudo isto me pergunto quando estou escrevendo… Sei que tenho ouvintes fiéis, que sempre me dão retorno. “Olha, Sérgio, gostei da sua crônica sobre a filha da Xuxa”, me fala um lá no fórum. No elevador da prefeitura, outro me diz, brincando, que estava com raiva de mim porque falei mal de sua deusa loura. Ainda bem que não estou escrevendo em vão.

E, pensando nestas coisas todas, deixando de lado o maníaco do parque, que alimentou a mídia nestes últimos dias. A tragédia quase transformada em glória, o Brasil já tem um serial killer. Finalmente, me fixo na insólita proposta do Enéas de fabricar a bomba atômica, começo a rir sozinho e dentro da noite vão surgindo as primeiras luzes de Itabira.

Um abraço e até a próxima.

Crônica de agosto de 1998