Estou impressionado, como, aliás, todo mundo deve estar, com a violência de nosso cotidiano. Já não é mais novidade para ninguém a escalada da violência no mundo atual. Entra pelos jornais, pela televisão, pelo nosso dia a dia, que chegamos quase ao absurdo de nos acostumarmos a ela. O que há algum tempo era a exceção, era o espantoso, se tornou o lugar comum, o usual, tão comum que já nem avaliamos mais o mal que nos faz. Convivemos, tolerantes e perigosamente com ela.

Se pararmos para pensar um pouco, levamos um susto de ver como a violência passou a fazer parte de nossas vidas, nas menores coisas. Desde cedo, nossas crianças vêm recebendo uma enorme carga de violência, pela televisão, pelas revistinhas e até nos próprios jogos, nos fliperamas, onde os que mais atraem são exatamente aqueles em que há maior dose de violência. Os jovens se transfiguram frente à tela do fliper, entram na luta como se fosse a realidade de suas vidas e tome violência. Jogos de guerra, artes marciais, luta de rua, “street fight”, são os que mais interessam e quanto mais violentos melhor. Pergunto-me, onde iremos parar?

A escalada é a mesma e se repetirá. A criança se tornará o adolescente, o homem e estará carregando a semente da violência pela sua vida. Pronta a explodir a qualquer momento, no trânsito, na escola, em casa, no esporte, seja onde for. Os exemplos estão aí, na nossa cara. Filhos assassinando pais, as loucuras do trânsito, a necessidade das guerras, a sofisticação das armas, o terrorismo, os atentados e sequestros, enfim, toda uma gama de atos e práticas absolutamente selvagens. Vivemos, sem dúvida, um dos períodos mais violentos da história da humanidade, quando não há uma guerra declarada, onde muitos morrem em batalhas, mas há uma constante e insistente prática de matar e agredir, a toda hora.

O homem era violento em seu estado selvagem, na pré-história, semelhante aos animais. Evoluiu, levantou-se das quatro patas e conseguiu atingir um estágio intelectual que deveria abominar a violência, entretanto, dela não se liberta, jamais se livrou, desde os tempos mais remotos. O que nos leva a pensar que ela é inerente à nossa própria natureza, em maior ou menor grau, mas sempre presente.

Poderia passar horas e horas escrevendo ou falando sobre a violência, sobre a natureza do ser humano, que o assunto não se esgotaria. Entretanto, numa crônica, despretensiosa, não ficaria bem, ainda mais dentro de minhas limitações. À procura de um tema para esta crônica, nem imaginava que iria cair neste assunto. Mas, a explicação é lógica e verdadeira. Assustei-me, mais uma vez, ao ver pessoas morrendo nos campos de futebol, de pancada, de tiro na cabeça, como aconteceu há poucos dias. Quem diria que chegaríamos a este ponto, a este absurdo de tornar o nosso esporte mais popular, que só deveria dar alegria ou até tristeza nas derrotas, numa fonte de violência e insanidade, a ponto de termos que pensar duas vezes e certamente negar quando um filho nosso pedir para ir a um estádio.

Sinceramente, nos tempos da velha Roma era mais garantido, pois quem ia ao Coliseu já sabia que iria correr sangue, não era apanhado de surpresa…