Aqui estamos nós, mais uma vez e de volta. Ausentei-me, por mais de um mês, de nossa crônica na Rádio Pontal. Tirei umas férias e dei a vocês, que toleram me ouvir, umas férias também. É como eu disse para o nosso amigo Marcos Gabiroba, em certos momentos é preciso parar para pensar e repensar a vida. Mas, vamos em frente, Vicente, que atrás vem gente, como dizia aquele parachoque de caminhão.

Pois é, esta coisa de privatização é um negócio complicado. Vejam vocês o que está acontecendo, no caso dos telefones. Pra mim, a entrada da Telemar está sendo um desastre completo, pelo menos até agora. E isto não é nenhuma novidade, e não sou só eu que digo não. Todos reclamam dos serviços e sentem saudades da Telemig. Pra começar, vejam o que a Telemar fez com o catálogo telefônico, certamente para aumentar seu lucro, suprimiu da lista a procura por endereço, criando a maior dificuldade para nós usuários. E ela não está nem aí. Tudo agora é interurbano, as contas foram lá para as alturas.

Mais uma da Telemar. No domingo, 26 de setembro, estava eu em BH e liguei para Itabira. Sabem o que aconteceu? Tentei durante horas e não consegui falar. Soube depois que ocorreu uma pane geral nos telefones de Itabira. Gente, isto é coisa que acontecia 30 anos atrás, nos tempos do telefone de manivela.

Mas tem outra. Esta também é uma piada. Um cidadão de BH liga pra Uberlândia e a ligação cai na minha casa, em Itabira. Ele pergunta de onde é e eu falo, de Itabira. Aí o cidadão retruca, meu Deus, estou ligando para Uberlândia, para a casa de minha irmã e desanca a Telemar, e eu apoio. Na semana seguinte, a mesma coisa e aí nós até já nos conhecíamos e continuamos a desancar a Telemar. Podem acreditar, isto se repetiu por umas cinco vezes e o cidadão discava o número certo de Uberlândia e a ligação caía em Itabira. No final ficamos até amigos e inimigos comuns da Telemar.

Dias depois, recebo uma ligação da Telemar. A mocinha, com voz doce, diz: Sr. Sérgio, vou lhe explicar como ganhar bônus e prêmios fazendo interurbano pela Telemar. Me deu vontade de rir, mas me contive e soltei os cachorros, falei que o serviço da Telemar é uma porcaria, nada funciona, cobram caro e que antes de dar prêmio por interurbano, deviam dar um jeito da gente poder fazer um interurbano, como nos bons tempos da Telemig. E finalizei dizendo, não quero prêmio nenhum, quero é serviço bom e barato. Prefiro a Embratel, que além de tudo, tem a Ana Paula Arósio… Pode???

Um abraço e até a próxima.

Estou impressionado, como, aliás, todo mundo deve estar, com a violência de nosso cotidiano. Já não é mais novidade para ninguém a escalada da violência no mundo atual. Entra pelos jornais, pela televisão, pelo nosso dia a dia, que chegamos quase ao absurdo de nos acostumarmos a ela. O que há algum tempo era a exceção, era o espantoso, se tornou o lugar comum, o usual, tão comum que já nem avaliamos mais o mal que nos faz. Convivemos, tolerantes e perigosamente com ela.

Se pararmos para pensar um pouco, levamos um susto de ver como a violência passou a fazer parte de nossas vidas, nas menores coisas. Desde cedo, nossas crianças vêm recebendo uma enorme carga de violência, pela televisão, pelas revistinhas e até nos próprios jogos, nos fliperamas, onde os que mais atraem são exatamente aqueles em que há maior dose de violência. Os jovens se transfiguram frente à tela do fliper, entram na luta como se fosse a realidade de suas vidas e tome violência. Jogos de guerra, artes marciais, luta de rua, “street fight”, são os que mais interessam e quanto mais violentos melhor. Pergunto-me, onde iremos parar?

A escalada é a mesma e se repetirá. A criança se tornará o adolescente, o homem e estará carregando a semente da violência pela sua vida. Pronta a explodir a qualquer momento, no trânsito, na escola, em casa, no esporte, seja onde for. Os exemplos estão aí, na nossa cara. Filhos assassinando pais, as loucuras do trânsito, a necessidade das guerras, a sofisticação das armas, o terrorismo, os atentados e sequestros, enfim, toda uma gama de atos e práticas absolutamente selvagens. Vivemos, sem dúvida, um dos períodos mais violentos da história da humanidade, quando não há uma guerra declarada, onde muitos morrem em batalhas, mas há uma constante e insistente prática de matar e agredir, a toda hora.

O homem era violento em seu estado selvagem, na pré-história, semelhante aos animais. Evoluiu, levantou-se das quatro patas e conseguiu atingir um estágio intelectual que deveria abominar a violência, entretanto, dela não se liberta, jamais se livrou, desde os tempos mais remotos. O que nos leva a pensar que ela é inerente à nossa própria natureza, em maior ou menor grau, mas sempre presente.

Poderia passar horas e horas escrevendo ou falando sobre a violência, sobre a natureza do ser humano, que o assunto não se esgotaria. Entretanto, numa crônica, despretensiosa, não ficaria bem, ainda mais dentro de minhas limitações. À procura de um tema para esta crônica, nem imaginava que iria cair neste assunto. Mas, a explicação é lógica e verdadeira. Assustei-me, mais uma vez, ao ver pessoas morrendo nos campos de futebol, de pancada, de tiro na cabeça, como aconteceu há poucos dias. Quem diria que chegaríamos a este ponto, a este absurdo de tornar o nosso esporte mais popular, que só deveria dar alegria ou até tristeza nas derrotas, numa fonte de violência e insanidade, a ponto de termos que pensar duas vezes e certamente negar quando um filho nosso pedir para ir a um estádio.

Sinceramente, nos tempos da velha Roma era mais garantido, pois quem ia ao Coliseu já sabia que iria correr sangue, não era apanhado de surpresa…

Vivemos tempos estranhos, sem dúvida. Cada vez me convenço mais disto. De repente, se damos uma parada para pensar e avaliar, podemos sentir o emaranhado de situações que nos são atiradas no dia a dia. A tendência é ir aceitando tais situações, quase sem pensar, até porque nem temos tempo de pensar, isto é, não nos deixam pensar, não convém pensar. O povo não pode pensar: Vamos lhe encher a cabeça de um punhado de bobagens para que ninguém pense nas coisas graves que estão acontecendo. Assim agem os donos do poder.

Foi aí que comecei a escutar aquela música que vinha de bem distante. Longe, apenas um murmúrio, confundia-se com o ruído do vento, misturava-se com a fala silenciosa das coisas. Para ouvi-la, foi necessário um verdadeiro exercício de separar sons, o que seria fácil, não fosse o meu espanto naquele momento. Enfim, depois de muito esforço e concentração, consegui separá-la das outras coisas e pude ouvi-la perfeitamente.

Era composta de sons que eu nunca ouvira antes, estranhos, combinações melódicas extraordinárias e inusitadas, não parecia, realmente, música deste mundo, jamais ouvira nada igual. Cheguei a duvidar de que estava realmente ouvindo aquilo, de tão estranha que era a melodia. Mas ela era real e se tornava cada vez mais intensa e mais próxima, mais presente. Aquilo que a princípio me incomodava, de tão enigmático, pouco a pouco foi se tornando numa sensação agradável transmitindo completa tranquilidade e paz.

Não sei se se passaram minutos ou horas, enquanto durava o concerto, porque era, realmente, um espetáculo para um só espectador. Junto com a melodia, a partir de certo momento, vieram as cores que variavam com os sons, tudo numa harmonia impecável. Finalmente, em meio àquela maravilha, comecei a identificar alguns sons conhecidos, vozes familiares, esganiçadas e histéricas, passaram a ocupar o primeiro plano e foi aí que eu dei pela coisa. O que eu acabara de ouvir era, nem mais, nem menos, o som e imagem da sessão do Senado Federal que acabara de sepultar a CPI dos Bancos!! Foi assim que o Ângelo Calmon de Sá e os Magalhães Pinto receberam a mensagem telepática da morte da CPI. Este é o Brasil esotérico que o povo não pode entender.

Tapinhas no ombro e até a próxima

Do alto da mais alta montanha lançou o olhar para as profundezas do vale que serpenteava a seus pés. Levantou a vista e viu até onde o horizonte se unia à terra e seu olhar ondulou, suavemente, acompanhando a paisagem, subindo e descendo as encostas, até longe, muito longe. Lá, onde a vista já não alcançava mais, pensou, lá na frente, a terra acaba e começa o mar, o grande mar.

A terra que via embaixo era rica, seus olhos penetraram-lhe as entranhas e ele viu o seu ventre metálico, de ouro e de ferro em quantidade que dava para alimentar gerações sem conta. Quieta e adormecida, tamanha riqueza logo faria a felicidade de quem ali vivesse.

Em sua frente, o maciço azulado do Cauê se impunha solene e desafiante. De ouro e ferro, precioso e cobiçado, o monolito parecia indestrutível. Marco de hematita gerado nas convulsões da crosta terrestre, ali estava, um sinal cósmico do princípio do universo, do começo dos tempos.

Ali, profetizou, nasceria Itabira, cidade rica e poderosa, de um povo culto e feliz, que iluminaria toda uma nação, com sua riqueza que não acabaria nunca. Feliz o seu povo, pensou novamente, jamais teria de se preocupar com o futuro. Poetas cantariam as maravilhas daquela terra abençoada e todos a invejariam.

Esta foi a visão que um extraterrestre teve, aqui, há uns duzentos anos atrás. “A cidade que mais divisas fornece ao Brasil”, “cidade educativa”, etc, etc, lembram-se? Sim, Itabira, mas por onde andará o seu futuro profetizado? Onde estão os vales da abundância e da riqueza, com seus rios de leite e de mel? Me assusta, isto sim, a fria e desolada paisagem lunar que se anuncia, cada vez mais próxima. Da imensa cratera do Cauê, a boca escancarada a clamar para o universo impassível. Quem te socorrerá, Itabira?