Meus amigos, a vida tem mesmo suas surpresas e desencantos. É a total e completa impermanência das coisas. Vejam, por exemplo, o caso do Reinaldo, é, deste Reinaldo que vocês estão pensando. Aquele que foi o nosso ídolo no time do Galo. Vi o Reinaldo na televisão, nestes dias, chorando, depois deste seu caso do envolvimento com drogas. Dava pena ver o seu estado, ele, que arrasava defesas, que foi o maior artilheiro do Atlético e que até hoje é o artilheiro do Campeonato Brasileiro. Ninguém fez mais gols do que ele no Brasileirão.

Era um craque completo. Ágil, inteligente, malicioso, chutava bem, tinha bom físico. Não era alto, mas bola no pé dele, dentro da área, era mais do que meio gol. E gols lindos, gols de raça e daquele de deixar zagueiro sentado, goleiro num lado e bola no outro. Não é porque sou atleticano, não, mas foi um dos melhores centroavantes que já vi jogar. Esta, aliás, é a opinião unânime de toda a crônica esportiva brasileira, embora Reinaldo só tenha jogado em Minas e nunca esteve no circuito Rio/São Paulo que eles adoram prestigiar.

Mas Reinaldo foi um craque sacrificado em seu tempo. Caçado pelos zagueiros, levou tanta pancada que acabou tendo de operar os dois joelhos e aí se estrepou. Dizem que foi problema da cirurgia, não sei. O fato é que teve de parar com o futebol, novo ainda e encerrou sua carreira prematuramente. Meteu-se em política e se elegeu vereador e depois deputado. Vez ou outra se tinha notícia de sua atuação até que não mais se reelegeu.

Era um garoto, de Ponte Nova, quando chegou ao auge da fama. A maior estrela do time mais popular de Minas Gerais. Tinha o mundo a seus pés. Mas a fama é traiçoeira, fugidia e volátil e assim aconteceu e ela um dia se foi. Reinaldo não deve ter aguentado o tranco e se refugiou nas drogas. Parecia tão fácil, que não deve ter se dado conta do caminho que começava a percorrer. Mas como? De que outro jeito, poderia continuar a ouvir o grito de guerra da massa no Mineirão: Rei, Rei, Rei, Reinaldo é nosso rei…

Um abraço e até a próxima.