Depois de uma temporada de ausência forçada, eis-nos aqui, de volta na Rádio Pontal, para conversar com vocês. Estamos aí e vamos aproveitar o momento para dar uma geral no que passou, mesmo sabendo que o amigo Gabiroba já andou abordando alguns dos assuntos que comentarei aqui. Sem problema. E muita coisa aconteceu e rolou nestes dias passados. Fatos e acontecimentos importantes para nós, para Itabira, para o Brasil.

Quanto tempo ficamos pendurados, esperando nosso destino ser decidido, com um nó na garganta: vai ou não ser privatizada a Vale? Vem a Peugeot ou é a BMW? Quais os mais recentes escândalos a nível nacional? Vieram as respostas. A Vale teve o seu destino selado, apesar de tudo, prevaleceu a vontade do governo federal. Ficou a lembrança dos momentos de um luta inglória e desorganizada. Triste para Itabira, já carregada de tantas tristezas. Apenas mais uma, mas como dói, plagiando o poeta maior.

Quando via as manchetes dos jornais itabiranos, mais ou menos assim: “Quase certa a vinda da BMW”, “Diretores da Peugeot visitam Itabira”, etc, etc., sabem de que eu me lembrava? Lembrava-me da fábrica de painéis, da fábrica de jipes, da usina de pelotização, da fábrica de explosivos, e quantas outras fábricas que vieram pra cá e erraram o caminho e foram para Vitória, Pouso Alegre, Campo Largo, etc, etc. Que será que se passa conosco? Será que não sabemos pedir? Será que nosso santo é fraco? É falta de prestígio político? Ou será que existe mesmo a maldita caveira de burro que está enterrada nesta terra e ninguém sabe em que lugar. É preciso, urgentemente, descobrir onde está e desenterrá-la, porque senão vai dar aquilo que falamos: o último a sair apague a luz.

Bom não está, mas podia ser pior. Pressinto no olhar dos jovens itabiranos um lampejo de expectativa. Sei que eles estão muito mais atentos, para os destinos de nossa cidade, do que a minha geração e a de meus pais estiveram. Nossas gerações viveram na doce ilusão de que os dias de fartura, o imposto do minério engordando as finanças municipais, jamais acabariam. Era um horizonte sem nuvens e sem limites. As novas gerações, entretanto, estão presenciando o drama de uma cidade que vê seu futuro questionado, ameaçado. Eles, os jovens, é que têm de buscar a saída, pois em suas mãos já está o destino de Itabira, não é Dr. Jackson? Não é Dr. José Maurício?

Um abraço e até a próxima.