A fogueira de São João: Atenção povo brasileiro. Nossos congressistas, nossos amados deputados e senadores aprontaram mais uma. Esta é difícil de acreditar, mas é a mais pura verdade, aliás, dita pelos próprios, para quem quiser ouvir. Vejam só. Estão lá nossos mui caros representantes no Congresso Nacional a votar a Reforma Administrativa e deveriam continuar os trabalhos até o final de junho e depois, em julho, viria o recesso parlamentar. Mas não vai ser assim não. Semana que vem já não vai haver mais nada, vão parar tudo. Sabem pra que? Por causa das festas juninas. Isto mesmo, pasmem, o Congresso Nacional vai parar por causa das festas juninas. Só que depois os deputados e senadores vão trabalhar (que trabalhar coisa nenhuma), em sessão extraordinária, em julho, para continuar a votação da Reforma Administrativa e aí é que vem o melhor. Vão ganhar extra: R$ 16 mil mais os R$ 8 mil do salário normal dá R$ 24 mil no bolso de cada um. Êta São João bão, sô!!!

Em qualquer país do mundo, só isto já seria motivo suficiente para o povo cair de pau e pedra no Congresso, botar para quebrar, mesmo. Só que no Brasil o povo está igual a mulher de malandro, já perdeu a vergonha de tanto apanhar e nem sabe mais reagir. Pobre Brasil, até quando vamos ter que aguentar esta corja de políticos que não têm a menor vergonha e só pensam em se aproveitar do dinheiro público, em se arrumar, no pior sentido da palavra?

E a coisa vai só se alastrando. O exemplo de cima é seguido por quem está mais embaixo. Se o Congresso Nacional pode, por que não pode a Câmara de Vereadores? E aí os vereadores pensam: o que podemos bolar pra gente se arrumar? Vamos ter assessores. Oba, eu vou chamar minha mulher. Eu vou trazer meu filho. Pôxa, tá na hora de ajudar aquele meu amigo que está na pior. Vamos gastar, vamos nomear, vamos aumentar nossa renda, que beleza gente, o dinheiro é do povo. Como o povo é bom, não é???

E pra finalizar é bom o povo saber que é obrigação e não favor das autoridades públicas, seja do executivo ou do legislativo, a de promover concurso para preenchimento dos cargos públicos. Está na Constituição e não fica à escolha do Governador, do Prefeito ou do Presidente da Câmara, é obrigação legal e por isto não pode ser usada como meio de promoção política.

Um abraço e até a próxima.

O tema volta às manchetes: a redução do número de vereadores na Câmara de Itabira. Ainda bem, ótimo. Coube à Igreja, agora, detonar o processo, com listas de assinaturas para chegar a um projeto popular, pois é claro que nenhum vereador iria ter esta iniciativa, ruim para eles, boa para o município sob todos os aspectos. O que eu espero é que outras entidades venham a engrossar a campanha, principalmente a nossa Ordem dos Advogados.

Na verdade, esta história começou em 1997, quando a Câmara propôs a revisão da Lei Orgânica do Município. Deu a maior divulgação, convocou as forças vivas da comunidade itabirana, mas, quando surgiu dentre as várias propostas a da redução do número de vereadores, o projeto foi simplesmente engavetado sem maiores explicações, ou melhor, sem justificativas acreditáveis.

Mas acontece que a redução é inevitável, primeiro porque não há nada que convença que a população de Itabira precise de 19 vereadores para ter uma Câmara eficiente, até pelo contrário. Nós estamos quase atingindo o limite constitucional de 21 vereadores, quando não precisaríamos de mais do que nove ou onze vereadores, levando em conta a população do município. Ou nove ou treze, tudo bem, 19 jamais.

Em segundo lugar, além da economia que a redução vai trazer, em Itabira, principalmente, o ditado que diz que um número maior de cabeças pensa melhor não funciona, aqui é exatamente o contrário. Enfim, em tudo por tudo, é urgente a redução, sem falar que não temos nem mais como recuperar o que já foi gasto com este exagero de 19 vereadores.

Melhor do que isto, entretanto, é a campanha nacional que começa o Dr. Olavo Drummond, ex-ministro do Tribunal de Contas da União e atual prefeito de Araxá, de acabar com a remuneração de vereadores, para restaurar o princípio da dignidade. E ele tem toda a razão. Vocês se lembram de quando o vereador não era remunerado, quando trabalhava por amor à camisa e exercia a sua função com muito mais dignidade. Agora, com raras exceções, o que está acima de tudo é o interesse pessoal, o bolso fala mais alto. Pelo amor de Deus, pra mim chega, vou parando por aqui.

Um abraço e até a próxima.

Depois de uma temporada de ausência forçada, eis-nos aqui, de volta na Rádio Pontal, para conversar com vocês. Estamos aí e vamos aproveitar o momento para dar uma geral no que passou, mesmo sabendo que o amigo Gabiroba já andou abordando alguns dos assuntos que comentarei aqui. Sem problema. E muita coisa aconteceu e rolou nestes dias passados. Fatos e acontecimentos importantes para nós, para Itabira, para o Brasil.

Quanto tempo ficamos pendurados, esperando nosso destino ser decidido, com um nó na garganta: vai ou não ser privatizada a Vale? Vem a Peugeot ou é a BMW? Quais os mais recentes escândalos a nível nacional? Vieram as respostas. A Vale teve o seu destino selado, apesar de tudo, prevaleceu a vontade do governo federal. Ficou a lembrança dos momentos de um luta inglória e desorganizada. Triste para Itabira, já carregada de tantas tristezas. Apenas mais uma, mas como dói, plagiando o poeta maior.

Quando via as manchetes dos jornais itabiranos, mais ou menos assim: “Quase certa a vinda da BMW”, “Diretores da Peugeot visitam Itabira”, etc, etc., sabem de que eu me lembrava? Lembrava-me da fábrica de painéis, da fábrica de jipes, da usina de pelotização, da fábrica de explosivos, e quantas outras fábricas que vieram pra cá e erraram o caminho e foram para Vitória, Pouso Alegre, Campo Largo, etc, etc. Que será que se passa conosco? Será que não sabemos pedir? Será que nosso santo é fraco? É falta de prestígio político? Ou será que existe mesmo a maldita caveira de burro que está enterrada nesta terra e ninguém sabe em que lugar. É preciso, urgentemente, descobrir onde está e desenterrá-la, porque senão vai dar aquilo que falamos: o último a sair apague a luz.

Bom não está, mas podia ser pior. Pressinto no olhar dos jovens itabiranos um lampejo de expectativa. Sei que eles estão muito mais atentos, para os destinos de nossa cidade, do que a minha geração e a de meus pais estiveram. Nossas gerações viveram na doce ilusão de que os dias de fartura, o imposto do minério engordando as finanças municipais, jamais acabariam. Era um horizonte sem nuvens e sem limites. As novas gerações, entretanto, estão presenciando o drama de uma cidade que vê seu futuro questionado, ameaçado. Eles, os jovens, é que têm de buscar a saída, pois em suas mãos já está o destino de Itabira, não é Dr. Jackson? Não é Dr. José Maurício?

Um abraço e até a próxima.

Fechado 1997, pra falar a verdade, não vale a pena, sequer, fazer um balanço. Pra que? Foi um ano complicado, duro de levar, custou a chegar ao fim. De uma maneira geral, sem querer detalhar as perdas e ganhos, acho que ficamos no prejuízo, no final das contas.

Para Itabira, particularmente, foi um ano amargo. A privatização da Cia Vale do Rio Doce, rapidamente, de maneira até surpreendente, revelou, logo, suas drásticas consequências. Demissões, transferência de pessoal, desativação de segmentos produtivos, esvaziamento ostensivo do contingente da Vale em Itabira. Se Itabira nunca foi muito prestigiada pela CVRD, agora chegamos bem perto do “último a sair apague a luz…”

Mas e daí? Vamos ficar lamuriando, choramingando o resto da vida? Não dá, temos que tocar pra frente. Ano novo, vida nova. Não vamos mais falar sobre isso. Que a Vale faça o que bem entender e lhe convier. Vamos sobreviver, disto eu tenho certeza. Claro que atravessaremos um período de transição, cheio de incertezas e insegurança, mas sabemos que há luz no fim do túnel. Tudo bem, vocês podem achar que estou meio otimista demais, mas, o que vocês querem? No início de um novo ano, perto do final do século, eu vou passar uma mensagem de desânimo? De fracasso? Nunca, nem que a gente tenha que buscar lá no fundo.

Mas tenho, digo a vocês, continuo tendo, minhas preocupações, porque não basta só ter fé e entusiasmo pra fazer a travessia, como diria o velho Tancredo Neves (êta homem esperto, sô!). Precisa mais, precisa de uma coisa que se chama espírito público, que seria de se esperar de nossos políticos. Lembrar a eles que nesta hora, principalmente, os interesses que predominam são os da coletividade, jamais os interesses pessoais e as ridículas vaidades. Itabira precisa mais do que nunca eleger seus deputados. Pelo menos dois e tem condições de fazer isso. Mais uma vez se faz uma campanha para reduzir o número de candidatos e é bom a gente ficar de olho pra ver quem é quem. E sabem de uma coisa? Nem é preciso fazer pesquisa para saber quem deverão ser os candidatos. Todo mundo já sabe… O resto continua querendo mesmo é aparecer. Ô praga, sô!

Um abraço, em especial para dois amigos, pelos aniversários: Ildeu de Oliveira, lá no Carmo, e o Prefeito José Maurício.

Até a próxima.