Marcos, quando você estiver lendo esta crônica, no sábado, no tradicional horário de 13 horas, se Deus quiser, estarei em Nova Iorque. Vamos pelo céu azul, pelas asas da Varig, varando a noite estrelada, rumo à constelação de escorpião. Finito e infinito se cruzam no espaço e o tempo se torna mera referência material, a leste ou a oeste de Greenwich acertaremos nossos relógios, como bons mineiros.

Tudo bem, isto é, quase tudo, porque o Collor está de volta. A triste figura retorna depois de três meses de viagem pela Europa e Estados Unidos. Agora, mora em Miami, reduto de políticos latino americanos apeados do poder. Só a Roseane trouxe oito malas e não sei quantos cachorros. Estão em Maceió, no feudo familiar. Pobre Alagoas.

E o Fernando já chegou deitando falação. Diz que vai retornar à vida política, que vai escrever um livro, que o Fernando Henrique vai mal porque não dialoga com o povo, e por aí. O homem não tem mesmo vergonha na cara. Deve estar achando que todo mundo já esqueceu das suas bandalheiras quando era presidente e que a absolvição do Supremo limpou a sua barra. Mas que tem muita gente acreditando nele e querendo sua volta isto tem.

Vocês sabem muito bem que a nossa memória é curtinha e que, de repente, para achar que o Fernandinho foi vítima de uma armação, não custa nada. É claro que ele sabe disto e em cima disto vai planejar sua volta ao poder. O esquemão dele não foi nem tocado, somente pegaram o PC que, logo, logo, estará roubando da gente outra vez. Olha, a melhor solução para o Brasil seria o banimento do Collor e sua corja para Ruanda ou para a Bósnia, quem sabe para a Chechênia, qualquer lugar de onde não voltassem nunca.

Isto é sonho, vão ficar aqui, na boca, para rapinar o povo outra vez. Por isto, é bom a gente não esquecer de tudo aquilo que aconteceu, é bom gravar bem, recordar, rever como se fosse um filme, a cara de pau do Collor, a sua pose, brincando de ser presidente do Brasil, como se estivesse no quintal de sua casa em Maceió. Temos de alertar nossos filhos, manter viva a nossa vergonha de ter eleito um incompetente, um fantoche, para que a praga não volte. E mais, alguém precisa falar para o Collor, que ele não tem moral, nem bagagem política para criticar qualquer governo, muito menos o do Fernando Henrique, que, se não fizer nada, pelo menos será honesto. E ele, Collor de Mello? Vade retro!

Muito obrigado e até depois das férias. Isto se não vier uma crônica, via fax, lá dos Estados Unidos, não é, Marcos?