E Itamar continua desafiando o Fernando Henrique. Em Minas não haverá apagão, diz o Itamar e balança o topete, provocador. “Em Minas quem manda sou eu e os mineiros não vão penar por causa da incompetência do FHC e de sua turma”, garante o governador. Em Brasília, na escuridão do Planalto, enquanto gordas ratazanas espreitam os cofres da nação penumbrosa, Fernando fica sabendo do desafio de Itamar e responde: apaga a luz, Itamar.

Itamar diz que não vai apagar e mais, manda dizer que vai assar milhões de pães de queijo no microondas, doa a quem doer. Fernando insiste, apaga a luz, Itamar, e Itamar ameaça voltar com a moratória. Fernando faz de conta que não acredita e Itamar manda suspender o primeiro pagamento para mostrar que não está brincando. Itamar não está nem aí e a luz de Minas continua acesa, brilhante e desafiadora.

Aí, então, Fernando, já impaciente e ameaçador, berra: vou desapropriar Furnas, vou secar Três Marias, vou fechar a Cemig. Estou avisando, Itamar, pela última vez, apaga a luz. E diz para Ruth: agora eu quero ver se ele não apaga.

Itamar assanha o topete, chama sua Procuradoria Jurídica, reúne seus secretários e determina: “vamos continuar a assar pão de queijo. Luz e pão de queijo para o povo. E para o Fernando vamos mandar uma fornada especial, lá de Juiz de Fora.”

O último a sair não apague a luz!