Volta às manchetes o tema da privatização da CVRD, que andava um pouco esquecido, inclusive de nós, itabiranos. Depois das manifestações puxadas por Itabira, o assunto foi relegado quase ao esquecimento, embora continuasse tramitando nas vias federais. Parece que o movimento se esvaziou depois daquelas manifestações organizadas. É uma pena, mas não encontrou o apoio que precisava e de quem podia dar. Entretanto, valeu o recado de Itabira, valeu a tentativa. Claro que ainda pode acontecer um “revertere”, é difícil, mas não é impossível.

Por isto mesmo, sou obrigado, por uma questão de coerência, a revelar, aqui, uma posição minha, pessoal, sobre a questão da privatização da CVRD. Eu, que era inteiramente favorável a ela, vejam bem, depois de pensar e observar certas atitudes do governo federal, que tem se revelado fraco e vacilante, já não tenho mais a mesma opinião. Mudei de ideia, da água para o vinho, mesmo sabendo que há fortes razões que aconselham a privatização, não confio mais nesse processo. Sabem por que? Porque não sinto mais firmeza no Fernando Henrique. E daí que, para jogar um patrimônio como o da Vale fora, com este pessoal que está aí, não custa nada. Deixa para outra ocasião, vamos pensar melhor.

Bom, dado este recado que já estava passando da hora, devo voltar a um assunto que vai nos ocupar o resto do ano. Da nossa política municipal, das próximas eleições para prefeito e vereadores. O que a gente observa, sempre e sempre, é que toda a atenção se volta para os candidatos a prefeito, ele polariza o processo eleitoral. Entretanto, a escolha do vereador não é menos importante do que a do prefeito. Pelo contrário, sob um certo aspecto é até mais importante, sabendo-se que uma Câmara de nível baixo fatalmente resultará num entrave à administração, por melhor que seja o prefeito. Exemplos não faltam…

Digo isto porque vamos ter uma multidão de candidatos a vereador e, pelo que a gente percebe, com raras exceções, o nível não é lá dos melhores. Todo mundo quer ser vereador. Basta ser presidente da associação de bairro e lá vem candidato a vereador. Eu só queria ver se vereador não ganhasse, se fosse de graça. Pelo amor de Deus, já que não tem um teste antes, vamos escolher bem, porque já é mais do que hora de Itabira sair do buraco e ter uma Câmara de que a gente pode até não se orgulhar, mas pelo menos não nos faça passar vergonha. E tem mais, vamos mandar alguns dos atuais edis para casa, sem volta. E se tivesse jeito, deveriam devolver o polpudo dinheiro nosso que ganharam!

 

Um abraço e obrigado.

Vejam vocês como são as coisas. Não é nenhuma novidade que a grande maioria de nossos bancos vêm se alimentando, anos e anos a custa da inflação. Sempre foi a mesma cantiga, tudo ia mal para todo mundo, os bancos sempre iam bem, só levando vantagem. É claro que alguns poucos se deram mal, foram as exceções. A regra geral é o lucro alto, e o povo, escorchando nos juros, o povo sempre pra baixo.

Agora, com o Plano Real, os índices de inflação estão se mantendo em níveis baixinhos, sob controle. É claro que o sucesso de um plano econômico depende da firmeza dos governantes. Muitos interesses, altos interesses, têm que ser contrariados, inclusive a política salarial desafia melhores soluções. Mas, sem cumprir estas etapas, sem sacrifícios (ah! o sacrifício do povo), não se chega a lugar nenhum.

Assim é que o fim da “ciranda” financeira, alimentada pela inflação que estimulava o sistema bancário especulativo, decretou o fim dos maus gerenciadores do dinheiro. E aí estoura o Econômico, com um rombo de mais de dois bilhões de reais. E quem paga a conta? O furibundo Antônio Carlos Magalhães queria que nós pagássemos. Logo eu, que nem sou baiano. Eles que se virem. Mandem os diretores repor o dinheiro que sacaram. Não pode é dar moleza para esse pessoal, de jeito nenhum. É bom o Fernando Henrique não vacilar, tem é que sair no cacete com eles, na porrada

Tudo isto leva a gente a pensar na situação dos clientes do Econômico que tinham todo o seu dinheiro depositado no banco. Que sufoco! Talvez não tenham nem como botar comida em casa. E aí a gente pensa como as vezes é arriscado, nestas horas, deixar dinheiro no banco. De repente, vai tudo para o brejo. Não é para criar pânico, mas costumo pensar muito naquela velha receita de guardar dinheiro no cofre lá de casa. Só que não tenho o cofre e nem dinheiro. Quem tiver, acho bom guardar no colchão, melhor do que com o Angelo Calmão.

Um abraço e até a próxima.

E Itamar continua desafiando o Fernando Henrique. Em Minas não haverá apagão, diz o Itamar e balança o topete, provocador. “Em Minas quem manda sou eu e os mineiros não vão penar por causa da incompetência do FHC e de sua turma”, garante o governador. Em Brasília, na escuridão do Planalto, enquanto gordas ratazanas espreitam os cofres da nação penumbrosa, Fernando fica sabendo do desafio de Itamar e responde: apaga a luz, Itamar.

Itamar diz que não vai apagar e mais, manda dizer que vai assar milhões de pães de queijo no microondas, doa a quem doer. Fernando insiste, apaga a luz, Itamar, e Itamar ameaça voltar com a moratória. Fernando faz de conta que não acredita e Itamar manda suspender o primeiro pagamento para mostrar que não está brincando. Itamar não está nem aí e a luz de Minas continua acesa, brilhante e desafiadora.

Aí, então, Fernando, já impaciente e ameaçador, berra: vou desapropriar Furnas, vou secar Três Marias, vou fechar a Cemig. Estou avisando, Itamar, pela última vez, apaga a luz. E diz para Ruth: agora eu quero ver se ele não apaga.

Itamar assanha o topete, chama sua Procuradoria Jurídica, reúne seus secretários e determina: “vamos continuar a assar pão de queijo. Luz e pão de queijo para o povo. E para o Fernando vamos mandar uma fornada especial, lá de Juiz de Fora.”

O último a sair não apague a luz!

cronica_semana_68_perfil_facebookA televisão dá a notícia da morte do ex-presidente Geisel. Várias pessoas são entrevistadas e falam da figura do morto. A maioria dos entrevistados, como não podia deixar de ser, políticos. José Sarney, Marco Maciel, o empresário Roberto Marinho, et caterva. Como era de se esperar, elogios e mais elogios à figura do general. Nestas horas a gente se lembra de como foram duros aqueles anos do regime militar e quanta gente sofreu, apenas porque resistia ao regime. Mesmo agora, quem está elogiando o Geisel, estes que ainda continuam no poder, falam a mesma língua dúbia, enganadora, esquecendo-se de que os tempos são outros. Até quando, meu Deus, abusarão de nossa paciência? Até quando teremos que aguentar o bigodudo, o cotonete e periferia?

Mudando de rumo, não posso deixar de falar do nosso glorioso Clube Atlético Mineiro. Como é que um clube grande como o Atlético, de tradição no cenário esportivo nacional pode chegar ao ponto que chegou? Só existe uma resposta. Culpa de seus administradores, única e exclusivamente. Nunca se viu tanta gente incompetente desmandando num clube. Desde o tempo em que o Afonso Paulino foi presidente que o Atlético começou a ir pro brejo e está afundando cada vez mais. É uma vergonha o que está acontecendo agora. Outro presidente, mais incompetente ainda, coisa que parecia impossível, um tal de Paulo Cury, está tentando liquidar de vez com o Atlético. Este episódio dele com o Ronaldo mostra a sua completa e total incompetência para ser presidente de qualquer coisa, muito menos de um Atlético Mineiro.  Parece não, tenho certeza de que existe um complô dos inimigos para acabar com o time do Galo e são eles que colocam lá estas tristes figuras de “presidentes”. Só pode ser isto. Fico pensando se já não está passando da hora da torcida invadir a sede do clube, pegar aquele presidente ridículo pelo colarinho e jogar pela janela. Garanto que ia dar certo…

Da política, para finalizar. Promessas de candidatos a vereador que circulam por aí: um diz que vai construir um autódromo em Itabira e um campo de pouso para pequenas aeronaves. Que chique, meu Deus! Quem diria, pequenas aeronaves. Outro promete uma fundação de amparo ao estudante. Falo para o meu filho, que é estudante, e que viu a carta do tal candidato: essa promessa está igual a da universidade, não dá mais para acreditar.

Um abraço e até a próxima.

Crônica de setembro de 1996