cronica_semana_66_perfil_facebookE lá se foi o Monsenhor José Lopes dos Santos, sacerdote e advogado, figura que se tornou lendária nas terras de Itabira e adjacências. Foi-se, numa fria tarde de junho, na hora do crepúsculo, naquela hora que dizem que a alma tem saudade do céu, baixou ao túmulo  no cemitério da Igrejinha do Rosário.

Por causa de sua morte, certamente porque sua figura está indissoluvelmente ligada à Igreja da Matriz, voltei no tempo, voltei há alguns anos atrás. Ao dia em que a Igreja da Matriz desapareceu, desabou. Que coisa mais estranha e triste aquele espetáculo, da igreja ruindo, cordas e cabos amarrados às suas torres, derrubando-as, impiedosamente. Lá estava eu e uma multidão a assistir à demolição. Penso comigo, só agora, com a morte do Monsenhor, acabou de desaparecer, definitivamente e para sempre, a Igreja da Matriz.

Coisas de Itabira, Zé Lopão e Zé Lopinho. Um em cada paróquia, cada um com seu jeito de ser. Diferentes, Lopinho, voz mansa e calma, em suas práticas, na missa da Saúde, nem mesmo o inferno parecia tão aterrador. Lopão, não, voz possuída da ira divina, brandindo a espada do arcanjo, precipitava-nos, pecadores, nas profundezas do reino de Lúcifer. Sua voz retumbava, veemente, sobre as cabeças dos fieis na missa da Matriz. Deles, pouco conheci, além da figura do sacerdote.

Mais contato tive com Lopão, que frequentou o fórum e a nossa sala da OAB durante certo tempo. Foi lá que tive oportunidade de conversar mais com ele, pude conhecê-lo melhor, para saber que, de perto, nada tinha daquela figura que nos aterrorizava com o fogo do inferno, lá do púlpito da Matriz, ou nos xingava quando a gente perturbava as suas procissões. Voz mansa, de uma humildade inesperada, agora, nós dois advogados, colegas, eu que pensava questioná-lo, de igual para igual, sobre as ameaças do fogo do inferno, dos medos que passei, fiquei completamente desarmado e compreendi que nem precisava perguntar.

Um abraço e até a próxima.