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Janeiro se foi. Dias de calor, férias, curtição de praia, tudo numa boa. Mulheres morenas, queimadas de sol, a cor dos meses de verão. Ficam mais bonitas e atraentes. Tudo é uma festa neste início de ano. Agora é esperar pelo carnaval, que ninguém é de ferro, para trabalhar tem o ano todo. Mas deixa pra depois do carnaval…

Assim é o nosso Brasil, graças a Deus. Muito sol, samba, futebol, praia e mulheres bonitas. É um país de sonho, ou não é? Por isto mesmo todo mundo fica encantado com a nossa terra, os gringos morrem de inveja. E nós nem damos bola para isto. Temos um paraíso, vivemos nele e nem nos damos conta disto. Pra que a gente ficar se azucrinando, por exemplo, com as bandalheiras dos políticos, se isto nem mesmo influi na beleza de nossas coisas. Deixa o Toninho Malvadeza ficar vociferando, bobo que ele é, devia é estar curtindo as maravilhas da Bahia. Deixar rolar, para ver como é que fica, esta a filosofia mais sadia e em voga no momento.

E está explicado porque dizem que Deus é brasileiro e vai ver é mesmo. Aqui, as coisas se arrumam por elas mesmo, ninguém precisa mexer nada. Aliás, é até bom que não mexam, pois só fazem atrapalhar. Eu, por mim, deixava tudo caminhar mansamente, nada de esquentar a cuca, que ia tudo numa “nice”. Por isto mesmo é que a gente não tem guerra, não tem terremoto, nada disto. Tudo na paz. Se acabar a inflação, então, ninguém mais nos segura. O mundo inteiro vai querer vir pra cá.

Já pensaram? Será o paraíso, aliás, já adivinhado pelos portugueses, quando afirmaram para o seu rei, Manoel II , o Venturoso, que, plantando, nesta terra, ia dar de tudo. E deu mesmo. Só faltou plantar vergonha na cara e responsabilidade…

Um abraço e até a próxima

cronica_semana_66_perfil_facebookE lá se foi o Monsenhor José Lopes dos Santos, sacerdote e advogado, figura que se tornou lendária nas terras de Itabira e adjacências. Foi-se, numa fria tarde de junho, na hora do crepúsculo, naquela hora que dizem que a alma tem saudade do céu, baixou ao túmulo  no cemitério da Igrejinha do Rosário.

Por causa de sua morte, certamente porque sua figura está indissoluvelmente ligada à Igreja da Matriz, voltei no tempo, voltei há alguns anos atrás. Ao dia em que a Igreja da Matriz desapareceu, desabou. Que coisa mais estranha e triste aquele espetáculo, da igreja ruindo, cordas e cabos amarrados às suas torres, derrubando-as, impiedosamente. Lá estava eu e uma multidão a assistir à demolição. Penso comigo, só agora, com a morte do Monsenhor, acabou de desaparecer, definitivamente e para sempre, a Igreja da Matriz.

Coisas de Itabira, Zé Lopão e Zé Lopinho. Um em cada paróquia, cada um com seu jeito de ser. Diferentes, Lopinho, voz mansa e calma, em suas práticas, na missa da Saúde, nem mesmo o inferno parecia tão aterrador. Lopão, não, voz possuída da ira divina, brandindo a espada do arcanjo, precipitava-nos, pecadores, nas profundezas do reino de Lúcifer. Sua voz retumbava, veemente, sobre as cabeças dos fieis na missa da Matriz. Deles, pouco conheci, além da figura do sacerdote.

Mais contato tive com Lopão, que frequentou o fórum e a nossa sala da OAB durante certo tempo. Foi lá que tive oportunidade de conversar mais com ele, pude conhecê-lo melhor, para saber que, de perto, nada tinha daquela figura que nos aterrorizava com o fogo do inferno, lá do púlpito da Matriz, ou nos xingava quando a gente perturbava as suas procissões. Voz mansa, de uma humildade inesperada, agora, nós dois advogados, colegas, eu que pensava questioná-lo, de igual para igual, sobre as ameaças do fogo do inferno, dos medos que passei, fiquei completamente desarmado e compreendi que nem precisava perguntar.

Um abraço e até a próxima.

cronica_semana_65_perfil_facebookLeio no Diário de Itabira que o vereador Pastor Messias quer saber porque a Cisne ainda continua tendo o monopólio do transporte público em Itabira, que dura 32 anos. Diz o vereador que vai bater neste assunto até que o executivo tome uma providência.

Cá pra nós, o vereador tem toda a razão. A população de Itabira tem o direito de saber o que está acontecendo. Saber porque nunca se fez uma licitação para o serviço de transporte público coletivo em Itabira. Aliás, só se fez uma, em 1968, que a Cisne venceu e nunca mais se fez outra. A gente sabe que já aconteceram algumas prorrogações de contrato meio mágicas. Agora, o que se deve perguntar é se esta empresa que está prestando serviços há 32 anos, que tem tido o monopólio do transporte coletivo, tem atendido à população dentro do figurino, como manda a lei. Será? Me perdoem os que pensam que sim. Eu acho que o povo merece e pode ter um serviço melhor.

Ora, quem concede o serviço é o município e só ele pode tirar e entregar para outro prestador, através de concorrência pública. Aí está a solução. Abre-se a licitação e apresentam-se os interessados. Se a Cisne atender às exigências para prestar o serviço e ganhar, tudo legal, ótimo, vamos prestigiar gente nossa. Caso contrário, cumpra-se a lei.

E já ouvi dizer que a nossa Câmara pediu e o Executivo deu uma prorrogação de contrato para a Cisne no governo passado. Isto é, o contrato da Cisne já deveria ter se acabado e ela ganhou mais cinco anos. Se assim foi, é bom agora que um vereador se lembre de sua missão de defender o interesse da população e levante o problema. Só espero que não se trate apenas de retaliação política, briga partidária particular. Vamos ver.

Até a próxima.

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Lá está, logo no início, na subida da rua do Bongue, a casa de Miguel Alves. Abandonada, com as vidraças quebradas, fantasmagóricas trepadeiras nascendo em seu corpo e subindo para o telhado, numa estranha rede que vai lhe tomando a fachada, sofrida e dilacerada pela inclemência do tempo, dos ventos, das chuvas, da inexorável e invencível velhice, que vai se espalhando por todos os seus lados.

Visto de fora, até parece uma casa assombrada, destas que a gente vê nos filmes de terror. Mesmo assim, assustadora em seu abandono, não perde em nossa lembrança a beleza daquilo que a fazia peculiar para um garoto de calças curtas que lá chegava, admirado de ver tantas gaiolas, com tantos passarinhos, canários, pintassilgos, chapinhas, melros, e sei lá mais quantos, ali, aguardando quem quisesse comprar. Eu ficava intrigado e me perguntava como é que o velho Miguel Alves conseguia apanhar tantos passarinhos. Como? Se era tão difícil pegá-los no alçapão? E ali, aquela quantidade.

Então me ocorria que o velho Miguel usava visgo. Este tal de visgo era para mim uma coisa um tanto mágica, uma espécie de cola vegetal que espalhada nos galhos das árvores prendia o pássaro que lá pousasse, que ficava colado sem poder se soltar. Nunca vi isto funcionar, apenas ouvi dizer, por isto sempre me soou como algo mágico. Lendas da infância, talvez…

São estórias e lembranças nostálgicas das velhas casas, dos velhos sobrados de Itabira, que me assaltam e me procuram, trazendo de volta vultos e figuras já perdidos no tempo, que insistem em viver como fantasmas agarrados às suas coisas materiais, às raízes terrenas que ainda permanecem e lhes dão um último alento de vida, mesmo que seja apenas em nossa memória.

Até a próxima.