cronica_semana_60_perfil_facebookInfelizmente, não começou bem o ano de 1995, nem aqui, nem no Japão, nem na Europa. As notícias recentes nos dizem isto. Fora as desgraças provocadas pela mão dos nossos políticos, das quais já falamos e nunca deixaremos de falar, sofremos mais desastres e tragédias. Em São Paulo e no Paraná, por absoluta incompetência e omissão de quem devia zelar pela integridade das pessoas, as autoridades responsáveis, quase cinquenta vidas humanas foram absurdamente ceifadas, em uma ridícula demonstração de que continuamos a ser um país onde o que menos conta é a vida e a segurança das pessoas. Não precisamos nem pensar que alguém será punido, pois não será.

Não bastasse isto, ainda ontem, mais um acidente de trânsito, onde se pratica, todo dia, a maior carnificina neste país, 16 pessoas morreram, bestamente, dentro de um ônibus atingido por uma carreta desgovernada. Aliás, o que acontece no trânsito já atinge as raias do inimaginável, do incontrolável, tal a frequência com que se repetem os acidentes com vítimas coletivas. Alguém será punido, com esta nossa ridícula e superada legislação? Quantos motoristas irresponsáveis dirigindo por nossas estradas, cometendo verdadeiros assassinatos, respondem, apenas, por homicídio culposo? Será que isto acabará algum dia? Para muitos deles, a pena de morte seria pouco.

A impunidade ainda continua sendo a maior responsável pelas tragédias que se sucedem, pelos acidentes e pelas mortes desnecessárias. A impunidade campeia solta por todos os lados, de cima a baixo. Fora o PC Farias, há mais de séculos não se tem notícia de que alguém tenha sido punido, mas punido mesmo, neste País. Falo do PC Farias apenas porque ele ainda está preso, ainda… Nem é bom lembrar que tanto ele como o Collor já foram absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal. Não demora e o PC estará livrinho da silva, rindo e dando entrevistas, na televisão. Lembram-se do Castor de Andrade? Do Mário Garnero?

A pergunta fica no ar. Até quando? Quantos já fizeram justiça pelas próprias mãos, cansados de esperar a justiça do Estado. O cidadão acaba não confiando mais em suas instituições, se desespera e parte para a violência. Que, por sua vez, também gera violência. Se o Estado se omite e se mostra incapaz de dar segurança à sociedade, instala-se o terror, cada um se defendendo como pode e o resultado aí está, o verdadeiro caos, o império da impunidade e da irresponsabilidade. É urgentemente necessário por um fim nisto, é preciso que os crimes sejam punidos, realmente punidos e não de mentirinha, quem erra tem de pagar e país algum poderá garantir a dignidade de seu povo enquanto tiver uma justiça benevolente e leis anacrônicas. Nem parece que falamos do Brasil, não é? Sinto muito.

Um abraço, até a próxima, e que Deus ajude este país.

 

Crônica de janeiro de 1995