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Falei, em uma de minhas crônicas, que estávamos precisando de criar, com urgência, a Associação dos Itabiranos Indignados, que será o canal para expressar nossa indignação, nossa raiva, nosso inconformismo, em relação às coisas, pessoas, entidades, organizações e situações que provoquem a justa ira do cidadão itabirano.

Acho que vale a pena insistir na ideia, uma vez que o cidadão comum, em geral, não tem vez e nem voz quando quer expressar sua indignação. E quando acontece de poder expressá-la, quase sempre o faz sozinho, num grito solitário que se perde, ninguém o ouve. Se o fizesse em conjunto, através da associação, o efeito seria outro, seria ouvido com certeza. E mais uma razão para justificar a associação é a existência, inegável, de tanta indignação espalhada por aí, pedindo para ser ouvida, pedindo para ter voz. Vamos nos indignar juntos e seremos ouvidos.

Expressar sua indignação, extravasar sua justa ira, é dever cívico do cidadão. Homens, mulheres e crianças, todos têm este direito, mais do que isto, um dever. Eu, por mim, já considero criada a Associação dos Itabiranos Indignados e espero o apoio de vocês para darmos início Às providências de praxe, elaboração de estatutos, etc, etc. E para exercer este sagrado direito referente ao estado indignatório, raivoso e irado, vamos atacar esta baboseira, esta coisa ridícula destas mensagens volantes levadas por estes veículos, estas caixas de som ambulantes de “parabéns pra você”. A coisa é tão bestial que os homenageados, como eu já reparei, ficam morrendo de vergonha, implorando para tal homenagem terminar rapidinho. E para azucrinar mais a gente, o berreiro do som, a cento e não sei quantos decibéis, quase sempre com músicas horríveis e mensagens paranoicas. Que coisa mais chata, meu Deus.

Mudando o enfoque da conversa, sabemos que ninguém anda acreditando muito ou quase nada na nossa justiça, tanto os descalabros e falcatruas que continuam impunes neste Brasil. Entretanto, em certos momentos, enxergamos uma luz no fim do túnel, quando ficamos sabendo da iniciativa da Justiça Federal de Belo Horizonte, criando uma tribuna popular em frente ao seu fórum, na capital mineira. Isto sim é coisa de gente civilizada, de pura democracia, como na Grécia antiga e em países do primeiro mundo. De outro lado, já aqui, em Itabira, a acertada e esperada decisão judicial que manda colocar em licitação o transporte coletivo. Até que enfim, faz-se a justiça.

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Estava eu outro dia vendo na TV a posse do presidente Bush, 43º presidente dos Estados Unidos da América do Norte.

Todo aquele aparato, limousines blindadas, cada segurança do tamanho de um armário. Caía uma chuva fininha em Washington e parece que fazia muito frio. Aí eu comecei a pensar o que deveria estar se passando na cabeça do Bush enquanto ele caminhava ao lado da mulher, desfilando a pé pela Avenida Pensilvânia.

“Sou o homem mais poderoso do mundo.”

Tamanho poder, ao mesmo tempo que o enchia de orgulho e satisfação, também lhe provocava um frio na barriga, pela imensa responsabilidade que iria assumir.

Claro que estou admitindo, em tese, que o presidente dos Estados Unidos tem de ser uma pessoa consciente e não um bobão fascinado pelo poder. Os fascinados pelo poder em geral não sentem nem um pouco daquele frio na barriga. O fascínio do poder, o poder só pelo poder lhes tira a visão da realidade. Ficam tão deslumbrados que só olham o próprio umbigo. E dizem, sou poderoso. Quem diria que o nosso FHC, um sociólogo, um ex-exilado, se revelaria um fascinado pelo poder? Quem diria? Por isto, gente, muito cuidado com o poder, ele pode conduzir a caminhos inesperados.

Mais outra, agora que vejo os jornais nesta ensolarada sexta-feira, me integrando ao espaço físico e espiritual em Itabira, para não esquecer que não devemos, não podemos, não queremos continuar com 19 vereadores na Câmara Municipal e que já é tempo de parar de brincar com tantas coisas sérias.

Já é tempo de parar de brincar e tolerar a atrevida e desafiante poluição sonora que inferniza nosso dia a dia. Aliás, é com satisfação e esperança que revejo no Diário de Itabira, referida pelo Marcos Gabiroba e no Passarela, pelo Dalton Costa, trechos de uma crônica que escrevi sobre o assunto. Como até hoje nada se fez, com certeza, ficamos mais surdos e nossa qualidade de vida piorou mais um pouco.

A propósito disto tudo me vem a lembrança o nome de um livro que me chamava a atenção na biblioteca de meu pai, “Brasil, o país do Carnaval.” Nunca li aquele livro, mas a vida vai me confirmando o seu nome.

Até a próxima.

Crônica de janeiro de 2001

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De volta, com alegria e esperança no novo ano que se inicia. Nosso amigo Marcos Gabiroba quase pensou que eu tinha encerrado minhas crônicas. Ainda não, foi só uma pausa, para as férias e para repensar as coisas. Aquilo que a gente sempre faz ou deve fazer no fim e no início de cada ano.

Dar um tempo, olhar em volta e para dentro, deixar se levar igual folha solta ao vento, ao sabor da tormenta ou da calmaria. Quem sabe? E daí, aqui estamos à espera de novas emoções que certamente já estão acontecendo, principalmente na área política, mesmo porque este mês de janeiro é meio vazio de coisas. Todo mundo viaja, a cidade fica quase parada. Por conta da área política na cidade, o centro das atenções de todos nós.

E aí, depois de muita especulação, vai se sabendo quem é quem na equipe do novo prefeito. Surpresas, sim, tive algumas. Boas, umas, outras, nem tanto. No geral, o realce nitidamente político no critério da escolha, certo, aliás, para um governo de coalizão. Ouvi críticas, algumas eu endosso, com a ressalva de serem algo prematuras, reconheço. Mesmo assim, concordo em gênero, grau e número, com um colunista local quando disse que o Jackson e Zé Maurício têm mostrado muita habilidade e competência política. Agora, tem uma coisa, todo mundo sabe que início de governo, ainda mais quando há mudança de partido, é complicado. Ainda mais com uma herança de R$ 16 milhões para pagar.

Até que tem muito assunto para esta crônica ir até bem longe. Mas, vou por etapas, deixar um pouco para a próxima, porque o mês de janeiro, como já falei, é meio devagar.

Para finalizar, estou me lembrando de uma situação que tem de ser resolvida, com urgência. Acabaram com a praça Silvério Faustino, ali perto da EEMZA e construíram em seu lugar o ginásio poliesportivo. Muito bem. Mas estou sabendo que a viúva do Silvério, a Caetana, nossa amiga de longos anos (os velhos tempos da casa de tia Maricota), está amargurada. Isto não pode ficar assim. É uma falta de respeito à memória do velho Silvério que encantou gerações nos bailes do Clube Atlético Itabirano. Agora mesmo, bem longe, ainda posso escutar o som de seu clarinete ecoando na noite itabirana. Arranjem outra praça para por seu nome, que nós temos de homenagear é gente de Itabira e deixar desta mania de dar nome de praça, rua e conjunto habitacional a quem nunca fez nada pela cidade. Chega!

Um abraço e até a próxima.

Crônica de janeiro de 1997

cronica_semana_60_perfil_facebookInfelizmente, não começou bem o ano de 1995, nem aqui, nem no Japão, nem na Europa. As notícias recentes nos dizem isto. Fora as desgraças provocadas pela mão dos nossos políticos, das quais já falamos e nunca deixaremos de falar, sofremos mais desastres e tragédias. Em São Paulo e no Paraná, por absoluta incompetência e omissão de quem devia zelar pela integridade das pessoas, as autoridades responsáveis, quase cinquenta vidas humanas foram absurdamente ceifadas, em uma ridícula demonstração de que continuamos a ser um país onde o que menos conta é a vida e a segurança das pessoas. Não precisamos nem pensar que alguém será punido, pois não será.

Não bastasse isto, ainda ontem, mais um acidente de trânsito, onde se pratica, todo dia, a maior carnificina neste país, 16 pessoas morreram, bestamente, dentro de um ônibus atingido por uma carreta desgovernada. Aliás, o que acontece no trânsito já atinge as raias do inimaginável, do incontrolável, tal a frequência com que se repetem os acidentes com vítimas coletivas. Alguém será punido, com esta nossa ridícula e superada legislação? Quantos motoristas irresponsáveis dirigindo por nossas estradas, cometendo verdadeiros assassinatos, respondem, apenas, por homicídio culposo? Será que isto acabará algum dia? Para muitos deles, a pena de morte seria pouco.

A impunidade ainda continua sendo a maior responsável pelas tragédias que se sucedem, pelos acidentes e pelas mortes desnecessárias. A impunidade campeia solta por todos os lados, de cima a baixo. Fora o PC Farias, há mais de séculos não se tem notícia de que alguém tenha sido punido, mas punido mesmo, neste País. Falo do PC Farias apenas porque ele ainda está preso, ainda… Nem é bom lembrar que tanto ele como o Collor já foram absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal. Não demora e o PC estará livrinho da silva, rindo e dando entrevistas, na televisão. Lembram-se do Castor de Andrade? Do Mário Garnero?

A pergunta fica no ar. Até quando? Quantos já fizeram justiça pelas próprias mãos, cansados de esperar a justiça do Estado. O cidadão acaba não confiando mais em suas instituições, se desespera e parte para a violência. Que, por sua vez, também gera violência. Se o Estado se omite e se mostra incapaz de dar segurança à sociedade, instala-se o terror, cada um se defendendo como pode e o resultado aí está, o verdadeiro caos, o império da impunidade e da irresponsabilidade. É urgentemente necessário por um fim nisto, é preciso que os crimes sejam punidos, realmente punidos e não de mentirinha, quem erra tem de pagar e país algum poderá garantir a dignidade de seu povo enquanto tiver uma justiça benevolente e leis anacrônicas. Nem parece que falamos do Brasil, não é? Sinto muito.

Um abraço, até a próxima, e que Deus ajude este país.

 

Crônica de janeiro de 1995

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Vamos lá, para a saideira de 1994. Hora do balanço do que foi o ano para cada um de nós. Pendurar uma placa, igual nas portas das lojas, dizendo: fechado para balanço. Hora do exame de consciência, da verdade, enfim, de conferir o que ficou de saldo. Hora e tempo de novos propósitos, novas promessas, novas esperanças no ano que chega.

É bom parar para pensar o que foi o projeto de 1994 e o que foi realizado, o que se deixou de fazer e porque. Não custa nada partir para novos projetos em 1995, renovar forças e acreditar que ainda é possível ser feliz. Pensando bem, 1994 até que não foi um ano ruim, como já disse antes. Na balança da vida, acho até que valeu. Claro que houve perdas enormes, irreparáveis, mas quem não perde? Só acho que os ganhos foram significativos, prometedores…

Ganhamos uma nova face, todos nós. Depois de tanta frustração, muita mesmo, desde o tempo das Diretas Já, passando pela morte de Tancredo Neves e chegando, por último, ao Fernando Collor, surge a luz no fim do túnel do Plano Real e da eleição do Fernando Henrique, graças a Deus. Não digam que isto é bobagem, que é filme que já passou, de tantos planos que tivemos e tudo foi pro brejo. Não, não é a mesma coisa. Tanto não é que o nosso comportamento vem se modificando, não bruscamente, como em outros tempos, mas no dia a dia, passo a passo, com os pés na realidade nossa de cada dia. Não tenho dúvidas de que este é o caminho que temos de trilhar. Desta vez vai… tomara…

Enfim, a vida é mesmo assim, nada se consegue sem luta e sofrimento. Cada passo deve ser dado com convicção, para não retroceder. Mas, nenhum medo ou obstáculo deve impedir nossos passos. Não podemos perder mais tempo, ou então nossa geração também estará irremediavelmente à margem dos novos tempos que se anunciam. Acreditar nestas mudanças, em uma vida digna de ser vivida por todos os brasileiros, não é utopia, não é sonho. Ao contrário, é uma crença que depende de cada um de nós levar adiante, é algo que deve sensibilizar as massas, conscientemente, sem a demagogia das promessas impossíveis de serem cumpridas.

Caros amigos, fim de ano e princípio de ano novo são momentos propícios a reflexões como estas. As esperanças pairam no ar. Brasil e Minas de cara nova, novo governo, novas cabeças a pensar, novos rumos a seguir. Que nos sirvam as lições do passado, não tenhamos mais memória curta, mas trabalhemos, com fé e seriedade para o futuro, que não pode mais demorar para todos os brasileiros.

Feliz 1995 para vocês. Um grande abraço.

 

Crônica de dezembro de 1994