cronica_semana_51_1_perfil_facebookNa manhã nevoenta, a bruma esconde o alto da serra. A neblina passa de raspão sobre a copa das árvores. A paisagem é toda cinza e branca. Não se vê nem um pedaço de céu. Mesmo o verde das árvores se adensa e se torna da cor de musgo escuro. Em pequenos e indecisos pontos esparsos, cores dispersas quebram a cortina da bruma, um manto gasoso, que envolve a tudo e a todos os seres.

Distante, a música dolente e nostálgica (como aquelas dos filmes do Fellini), toca na vitrola. Vozes despontam, isoladas, aqui e ali, sem mais horizontes. Na boca sentia um gosto cru de metal, a garganta contraída, os olhos da cor de estanho.

Então sentiu que o azul estava escondido, que era preciso encontrá-lo, achar o caminho para chegar a ele. Atravessar a bruma, ver e enxergar além dela, encontrar a trilha, a senda por onde a vida passa e continua, sempre. Enquanto isto, sem mais nem menos, Mike Tyson mordia a orelha de Evander Holyfield, que saiu dando pulos que nem um maluco.

E, por último, quem diria, o samba chega a Marte. Pela mão de uma brasileira, engenheira da Nasa, integrante do projeto Pathfinder, que colocou no solo do planeta vermelho o pequeno robô, que hoje foi acordado por Beth Carvalho ao som do samba Coisinha do Pai. O samba já não é apenas internacional, agora é interplanetário…
Um abraço e até a próxima.

Crônica de 1997