cronica_semana_50_perfil_facebookIndignação: no dicionário Aurélio, é o sentimento de cólera, despertado por ação indigna, ódio, raiva.

Vamos falar de indignação. Estava eu assistindo uma entrevista do Alexandre Kalil, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Mineiro, logo depois do jogo com o Goiás, aquele que eliminou o Galo da Copa do Brasil. E o Kalil, atleticano puro sangue, desabafou: “há muito tempo que eu quero falar, agora eu posso falar. Estou indignado com o que está acontecendo no Atlético. Nós, atleticanos, temos de estar, todos, indignados.” Me impressionou a indignação do Kalil, o homem estava mesmo com raiva.

Foi daí que me veio a ideia. Nós temos o direito de ficar indignados e é isto que está nos faltando, ao atleticano, ao itabirano e ao brasileiro, por que não? A indignação legítima é um direito nosso, do qual não podemos abrir mão. Está implicitamente assegurada na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na nossa Constituição Federal. E olhem que temos motivos de sobra para ficar indignados. É importante, é urgente, portanto, que fiquemos indignados. Vamos ficar indignados com o abuso escandaloso dos carros de som de nossa cidade que infernizam nossos ouvidos há anos, desafiando leis, autoridades e tudo o mais. Agora piorou porque tem também moto de som. Será que ninguém dá jeito nisso? Mas não é só isso, tem mais para provocar nossa indignação. Por isto, cidadãos itabiranos, uni-vos. Que tal uma Associação dos Itabiranos Indignados?

De Itabira para o Brasil. Uma indignação do tamanho do país. Para todo lado que olhamos temos motivos de sobra para ficarmos indignados. Estamos cansados de engolir a roubalheira e a corrupção generalizada que se instalou neste país. Vamos parar de aplaudir, não vamos mais sorrir com indiferença, não seremos mais tolerantes com os corruptos. Estamos com raiva e muito indignados. De tanta raiva que estou, só pode ser isto, sonhei que o leão do imposto de renda arrancou a cabeça do Antônio Carlos Magalhães em plena sessão do Senado. E o Arruda, não sei como, conseguiu escapar, mas será o próximo a perder a cabeça, com certeza.

Crônica de Agosto de 2001