cronica_semana_54_perfil_facebookNem mesmo sei porque, deve ser por nostalgia, como assim? Sem mais nem menos me lembrei do Porfírio Rubirosa. Quem se lembra dele? Quem era a figura? Político? Banqueiro? Jogador de futebol ou roqueiro? Nada disto, playboy internacional, no estilo amante latino. Tinha cara amassada, cara de macaquinho, mas sempre aparecia nos jornais cercado das mais ricas e belas mulheres, algumas mais ricas do que belas. Claro que o Porfírio tinha charme e bico doce. Com certeza se arrumou com algum casamento. Era um Don Juan do jet set internacional. Nunca mais ouvi falar dele. Deve ter morrido, igual ao paletó jaquetão.

E por falar em paletó jaquetão, o preferido dos “políticos” e mafiosos, não é que o dito cujo ressuscitou? A bem dizer, acho que não chegou a morrer mesmo, só ficou meio esquecido no fundo do guarda roupa. Voltou, agora, com pompa e circunstância e está sempre presente nos maiores escândalos e falcatruas da república. É o paletó preferido dos traficantes de influência, modalidade de tráfico recentíssima e altamente lucrativa, praticada nos altos escalões do governo.

Enfim, o jaquetão dá o status de poder que o corrupto necessita para executar seus trambiques. Transformou-se, também, em símbolo sexual e até a Madonna já está usando. Por isto mesmo, muito cuidado na hora de fazer o terno. Pode ser que o seu alfaiate não esteja sabendo, ainda, destes poderes do jaquetão. Foi o que avisei, outro dia, para um colega, que, inocente da vida, trajava um baita de um jaquetão.

E vocês sabem muito bem quem são os envolvidos na mutreta do tal Sivam. Só gente de jaquetão. Reparem bem no detalhe das fotos nos jornais. Ali rolou grana pesada, não duvidem. Gozado é que o Sivam é um sistema de vigilância para flagrar os traficantes e gatunos internacionais e nacionais que estão acabando com a Amazônia, vai ouro, vai madeira, vai manganês, vai tudo embora, de graça. Só que antes de ser implantado já está sendo roubado. Neste Brasil, tem de vigiar quem vigia o sistema de vigilância. Nem de galocha dá para aguentar…

Nos finalmentes, quero cumprimentar nosso amigo Eugênio Viana Rocha, sujeito lutador, eleito presidente da Associação dos Bairros Unidos Vila Piedade, São Geraldo e Santa Izabel. Vai longe o moço. Estaremos lá, na posse, querendo Deus. Aliás, Itabira tem um movimento comunitário cada vez mais organizado e atuante. Nossos parabéns.

Um abraço e até a próxima.

cronica_semana_53_perfil_facebook

Já não era mais bastante o massacre dos sem-terra. Não, a escalada da violência não pode ser interrompida, é preciso cada vez mais. O Brasil e o mundo, todos nós, estarrecidos diante da TV, mais uma vez, presenciamos cenas de violência praticadas por policiais.

No caso, a polícia de São Paulo. Cenas de estupidez indescritível, atos inqualificáveis de quem é pago para dar segurança e garantir a ordem. Pode até ser que as vítimas fossem marginais, creio até que algumas delas seriam. Mas, a covardia, o sadismo dos agressores, homicidas, foi algo que ultrapassou até mesmo os limites da pura violência. Ainda bem que alguém gravou as imagens e o caso se tornou público.

E agora? É a pergunta que está no ar, virá a punição? A justiça será feita, ela que anda tão desacreditada? A verdade é que nós não podemos mais, definitivamente, tolerar estas coisas. Bandalheira, falcatrua, violência, arbítrio, sem-vergonhice, omissão das autoridades. É claro que a gente sabe ser quase impossível acabar com isto, (ou não?), mas não dá para aguentar, não é mais possível suportar o caos em que está se transformando este país. Ninguém sabe onde isto vai parar, ninguém mais terá segurança, se é que ainda temos alguma. São sinais evidentes de um Estado deteriorado, corrupto e desmoralizado.

Pois bem, me bastaria isto para encerrar. Quero que todos vocês, ouvintes desta crônica, pensem bem no que está acontecendo. Não basta desligar a TV e fazer de conta que não é nada, que aconteceu longe, lá em São Paulo. Não, amanhã pode ser com você. Não deixe que o tempo ajude a impunidade. Reaja.

Para finalizar, mesmo, quero deixar registrado um protesto contra o descaso que a Saritur trata seus clientes de Itabira. Anunciou, deu em capa de revista, teve autoridade presente e até padre para benzer os novos ônibus. E não é que vindo de BH, semana passada, lá estava um daqueles caco velhos que a empresa disse que não ia mais rodar. Não deu outra, na Chapada, fedeu a borracha queimada e a viagem acabou ali mesmo. Quem tinha compromisso, quem tinha de chegar no horário, dançou, mais uma vez. Ainda bem que a homenagem que a Câmara de Vereadores ia prestar à Saritur foi recusada, sinal de que ainda tem vereador que pensa.

Um abraço e até a próxima.

cronica_semana_52_perfil_facebookVamos voltar ao assunto, que ele merece e requer. O caso da doação do “Complexo do Areão”. O nome até que ficou bonito, impressiona: “Complexo do Areão”. O assunto virou polêmica, com toda razão. Mas cuidado que tem gente se aproveitando para aparecer. Gente oportunista, sem qualquer vínculo com o sentimento itabirano. Claro, a coisa pode render votos.

A mim, particularmente, pouco me interessa o tal “Grupo dos Sete”. A bandeira não é e nunca foi só deles, como querem mostrar. Não têm sequer, autenticidade, para empunhá-la. A bandeira é nossa, é do povo itabirano e não podemos permitir que ela vá servir para retaliações políticas e propósitos eleitoreiros. É um péssimo caminho.

Itabira sempre cobrou da Vale e pouco conseguiu. Perguntem ao “Grupo dos Sete” se alguma vez já ouviram falar de José Hindemburgo Gonçalves. Garanto que nem sabem que ele foi um itabirano que teve peito de cobrar da Vale a transferência de sua sede para Itabira, como mandavam os estatutos da empresa. Conseguiu? Não, mas mobilizou um bocado de gente. Sem política e políticos.

O movimento para reivindicar a doação do Complexo do Areão tem que ser da comunidade e não pode ser manobrado e aproveitado por políticos e para a política, com p minúsculo, senão vai acabar em pizza, seu destino será o descrédito e o vazio, como tudo em que os políticos se metem.

A cidade tem lideranças capazes de assumir a luta. Elas não podem se omitir, esqueçam as diferenças, os interesses menores, senão Itabira vai perder mais uma vez e com certeza é a última chances antes de 2023. Pois o que mais a Vale pode deixar para nós, antes de dizer, fechando a porta: “O último a sair que apague a luz” ?

cronica_semana_51_1_perfil_facebookNa manhã nevoenta, a bruma esconde o alto da serra. A neblina passa de raspão sobre a copa das árvores. A paisagem é toda cinza e branca. Não se vê nem um pedaço de céu. Mesmo o verde das árvores se adensa e se torna da cor de musgo escuro. Em pequenos e indecisos pontos esparsos, cores dispersas quebram a cortina da bruma, um manto gasoso, que envolve a tudo e a todos os seres.

Distante, a música dolente e nostálgica (como aquelas dos filmes do Fellini), toca na vitrola. Vozes despontam, isoladas, aqui e ali, sem mais horizontes. Na boca sentia um gosto cru de metal, a garganta contraída, os olhos da cor de estanho.

Então sentiu que o azul estava escondido, que era preciso encontrá-lo, achar o caminho para chegar a ele. Atravessar a bruma, ver e enxergar além dela, encontrar a trilha, a senda por onde a vida passa e continua, sempre. Enquanto isto, sem mais nem menos, Mike Tyson mordia a orelha de Evander Holyfield, que saiu dando pulos que nem um maluco.

E, por último, quem diria, o samba chega a Marte. Pela mão de uma brasileira, engenheira da Nasa, integrante do projeto Pathfinder, que colocou no solo do planeta vermelho o pequeno robô, que hoje foi acordado por Beth Carvalho ao som do samba Coisinha do Pai. O samba já não é apenas internacional, agora é interplanetário…
Um abraço e até a próxima.

Crônica de 1997

cronica_semana_50_perfil_facebookIndignação: no dicionário Aurélio, é o sentimento de cólera, despertado por ação indigna, ódio, raiva.

Vamos falar de indignação. Estava eu assistindo uma entrevista do Alexandre Kalil, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Mineiro, logo depois do jogo com o Goiás, aquele que eliminou o Galo da Copa do Brasil. E o Kalil, atleticano puro sangue, desabafou: “há muito tempo que eu quero falar, agora eu posso falar. Estou indignado com o que está acontecendo no Atlético. Nós, atleticanos, temos de estar, todos, indignados.” Me impressionou a indignação do Kalil, o homem estava mesmo com raiva.

Foi daí que me veio a ideia. Nós temos o direito de ficar indignados e é isto que está nos faltando, ao atleticano, ao itabirano e ao brasileiro, por que não? A indignação legítima é um direito nosso, do qual não podemos abrir mão. Está implicitamente assegurada na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na nossa Constituição Federal. E olhem que temos motivos de sobra para ficar indignados. É importante, é urgente, portanto, que fiquemos indignados. Vamos ficar indignados com o abuso escandaloso dos carros de som de nossa cidade que infernizam nossos ouvidos há anos, desafiando leis, autoridades e tudo o mais. Agora piorou porque tem também moto de som. Será que ninguém dá jeito nisso? Mas não é só isso, tem mais para provocar nossa indignação. Por isto, cidadãos itabiranos, uni-vos. Que tal uma Associação dos Itabiranos Indignados?

De Itabira para o Brasil. Uma indignação do tamanho do país. Para todo lado que olhamos temos motivos de sobra para ficarmos indignados. Estamos cansados de engolir a roubalheira e a corrupção generalizada que se instalou neste país. Vamos parar de aplaudir, não vamos mais sorrir com indiferença, não seremos mais tolerantes com os corruptos. Estamos com raiva e muito indignados. De tanta raiva que estou, só pode ser isto, sonhei que o leão do imposto de renda arrancou a cabeça do Antônio Carlos Magalhães em plena sessão do Senado. E o Arruda, não sei como, conseguiu escapar, mas será o próximo a perder a cabeça, com certeza.

Crônica de Agosto de 2001