cronica_semana_47_perfil_facebook“Em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Sinto cheiro de borracha queimada no ar. O Brasil de Eurico Miranda, do Lalau, país da impunidade, que nos cobre de vergonha, o país dos espertalhões, do Luiz Estevão, até quando teremos de aturar, meu Deus? Que herança, que sina maldita é esta que carregamos?

“Vento que venta lá, venta cá”. Entra ano, sai ano, cá estamos nós, cercados de montanhas, correndo nas planícies, perdidos no agreste, sufocados na espessa floresta, deitados sob o sol das lindas praias, nós, brasileiros, prisioneiros de um grupo de marginais do poder, que nos assaltam e nos envergonham no mundo lá fora.

E não venham me dizer que a rapinagem não é um mal só do Brasil. Isto não é consolo nem desculpa para nos calarmos. Temos de ter uma nova postura e nada melhor que os novos tempos que começam. Vamos ficar bravos, com raiva, é um bom começo.

Aliás, a questão da postura é fundamental para acabar com o imobilismo e a tolerância. Aí vai um exemplo, simples, mas bem significativo. Ligo a TV e vejo uma matéria sobre novo aumento de preços dos remédios, com o consentimento do Governo Federal. Coisa absurda, revoltante. O nosso governo cada vez mais escravo dos interesses das multinacionais, em uma submissão asquerosa, só sabe baixar a cabeça. E FHC sempre sorrindo…

Pois bem, vem a entrevista com os consumidores e os entrevistados respondiam ao repórter que o aumento é injusto, que não poderiam mais comprar remédios para cuidar de sua saúde, que poderiam até morrer. Mas tudo isto com a cara mais conformada, até rindo, meio sem graça, como se não fossem viver o drama.

Ora gente, em uma situação desta, o consumidor tem que estar espumando de raiva, xingando, mordendo, querendo sangue. É ou não é uma questão de postura? Este negócio de falar que o brasileiro só pensa em samba, carnaval e futebol está desgraçando este país. De samba, carnaval e futebol eu também gosto, mas raiva justa e vergonha na cara estão nos fazendo muita falta.

A esta altura, injuriado como estou, nem vou mais falar das coisas de Itabira, que perdeu tio Murilo da Nove de Outubro, do aniversário do Atlético Itabirano, clube que fez a cabeça de minha geração, lá pelos anos 60. Mas isto requer outra crônica.

Até a próxima.