cronica_semana_42_perfil_facebookTerça-feira, 11 de setembro de 2001, 10h20 da manhã, o telefone toca no meu escritório, minha secretária me avisa que é meu filho. Atendo e ele me conta o que está acontecendo em Nova Iorque e Washington. Falo para ele: Você está brincando, e ele diz, olha na televisão. Mesmo antes de olhar, senti um arrepio e como um relâmpago um pensamento passou pela minha cabeça, poderíamos estar presenciando o início de uma guerra de proporções inimagináveis. Um ataque terrorista ao coração dos Estados Unidos, como estava acontecendo, poderia levar o mundo ao caos, pois os americanos, com certeza, revidariam e o conflito poderá se tornar incontrolável.

Eu simplesmente não conseguia acreditar no que via na televisão, parecia um filme de terror. As notícias eram horríveis, davam a impressão de que os atentados continuariam e de que Nova Iorque seria destruída. Pego o telefone e tento ligar para a casa de minha irmã que já mora lá, para ter notícias da minha filha que está em Nova Iorque. Nada. Os telefones não funcionavam, tudo interrompido. Aí, eu pensei, agora é só esperar e rezar. O terror chegava à América e como chegava.

Neste momento é que se percebe como o terrorismo pode estar tão próximo da gente. Enquanto via na TV toda aquela tragédia, ia pensando nas pessoas que se encontravam naquelas torres do WTC, cada uma com 110 andares. Que desespero deve ter sido, em uma tranquila e rotineira manhã da terça-feira, os escritórios se abrindo, as pessoas chegando para o trabalho e, de repente, a face negra e medonha do terror surge em forma de aviões, rasgando as paredes de concreto e transformando os luxuosos, sofisticados e perfumados escritórios, literalmente, em um inferno. Como a vida pode ser tão cruel e o homem tão estúpido em certos momentos.

Os norte-americanos querem vingança e, disse o seu presidente, que esta é a primeira guerra do século XXI. Pode, realmente, ser a primeira, única e última, não do século XXI, mas de todos os séculos. Como outros brasileiros, estou chamando minha filha, que graças a Deus está bem, de volta para casa. A América já não é mais invulnerável como os americanos e mesmo nós, ingenuamente, acreditávamos. O terrorismo já não está mais tão longe, lá, do outro lado do mundo. Acabou de entrar em nossas vidas.