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E o vento morno de agosto mexe com as folhas das árvores e rodopia em minha mesa desarrumando os papéis. Lá em baixo, na quadra ensolarada da tarde, os meninos do bairro batem uma bola. Quase todos descalços, já que a maioria, sequer, teria condições de comprar um tênis. Subnutridos, de canelas finas, um time para lá, outro para cá, a pelada corre solta.

Como estão na minha frente, não posso deixar de observar através da fachada de vidro da minha sala. E já vi ali meninos bons de bola, futuros craques do Brasil. Fico pensando comigo mesmo o que deve se passar em suas cabeças, vendo a bola rolar na cara do gol, a rede estufando, as mãos batendo no ar em um toque de triunfo. Claro que sei o que se passa, passa o Ronaldinho, o Romário, o Denílson, o Taffarel.

E lá vão os brasileirinhos morenos, pés no chão, com sua ginga rápida e irresistível, praticando a nobre ate do futebol e sonhando um dia com o Mineirão, quem sabe um Maracanã cheio, com gente saindo pelo ladrão e gritando o seu nome. A glória, enfim.

Vestem sempre camisas do Atlético e do Cruzeiro. Quando um vai mal, só aparece camisa do inimigo. Deixo o pensamento voar para bem longe e vejo uma quadra em um subúrbio de Nova Iorque. Os mesmos meninos, mais altos, negros ou hispânicos, todos calçados. Vestem camisas do Chicago Bulls, do New York Knicks, do Los Angeles Lakers.

Também batem uma bola, bem maior e que voa em direção à cesta, em uma tumultuada partida de basquete. Também têm seus sonhos, com Michael Jordan, Magic Johnson, Shaquile O Neal, coroados de milhões de dólares. Vai escurecendo e a tarde chega ao fim. Fecho a persiana e os meninos desaparecem no crepúsculo de agosto.

Um abraço e até a próxima