cronica_semana_#_perfil_facebook_#40

E aqui estou eu novamente. Longa ausência, quase um ano que não escrevo a minha crônica. Por isto mesmo, esta deveria se chamar a crônica do ano. Bom, tudo por causa de um telefonema que dei para o Gabiroba e ele praticamente me intimou a fazer esta crônica. Logo agora, na véspera das eleições, quando na verdade eu só queria escrever depois das eleições. Mas, disse o Gabiroba que não aceitaria uma recusa. Então vamos lá, vamos ver no que dá.

Acho que não dá para fugir do assunto das eleições, até que eu queria falar de flores, por exemplo, mas pelo tom da conversa que tive com o amigo Gabiroba, o tema será eleição municipal. Eleição municipal é quente, toca a gente muito de perto, os ânimos ficam acirrados naturalmente, pois estamos em uma briga doméstica. Não pretendo, nem de longe, fazer exortações cívicas para vocês sobre a importância das eleições, sobre o nobre exercício democrático do voto. Isto está descartado, definitivamente e nem vocês precisam mais disto. Já é uma longa caminhada e muita poeira já foi levantada. Se olharmos para trás e gastarmos um pouquinho de tempo para pensar, saberemos o que fazer, e principalmente em quem votar.

Acho eu que um dos piores defeitos, entre tantos que carregamos, é ter a memória curta, principalmente em matéria política. Em quantos buracos já caímos simplesmente porque na hora da escolha esquecemos de olhar para trás, de fazer um simples esforço de memória. E na maioria das vezes, o retrospecto nem precisa ir tão longe, quase sempre as coisas estão perto, mas é preciso cultivar a memória, estar atento e alerta na hora da escolha.

Será que me faço entender? Não quero que vocês pensem que estou propondo enigmas ou charadas para resolver. Não, apenas estou lembrando que o voto não pode e nem deve ser um ato mecânico, ou melhor, eletrônico, mas tem de ter gosto e sabor, mesmo intelectual, tem de ser pensado, curtido. Lembrem-se, no exercício de memória, de indagar o que vocês sabem sobre o candidato, o que ele já fez, qual a sua experiência, que bagagem ele traz? Isto para não entrar naquela de memória curta. Gente, não dá mais para votar no escuro. Boas eleições para todos nós.

cronica_semana_#_perfil_facebook_#39

Mundo, vasto mundo, já dizia Carlos Drummond de Andrade. E é mesmo um vasto mundo. Por lugares distantes e desconhecidos pode voar a imaginação, outros povos, outras paisagens, outras estórias. Cada povo com seu destino, suas crenças, sua sorte e suas desgraças. Mas, a humanidade é uma e única, não importa o país, simples questão territorial. Mas, uns são mais ricos, outros são pobres, outros miseráveis. Jamais seremos iguais, jamais.

Nós, latino americanos, temos a nossa visão do mundo. Os asiáticos têm também a sua visão, idem, idem, os africanos. O que, de fato, nos une e nos aproxima é esta visão que temos, é o mesmo sentir em relação ao resto do mundo. Isto é o que nos identifica, nos torna diferentes perante outros grupos. Somos chamados de Terceiro Mundo, estamos bem longe do Primeiro Mundo. Quem está no Segundo Mundo? Somos pobres e vemos, lá longe, os ricos do Primeiro Mundo. Não é esta a visão que os latino americanos têm do mundo? Não é assim com os senegaleses, com os etíopes?

E como será que os do Primeiro Mundo nos vêem? Com pena, interesse ou solidariedade? Ou, para eles, somos, apenas, consumidores dos produtos de suas fábricas? Com certeza, somos o mercado fácil, que não pode ficar pobre demais, porque, senão, não vamos conseguir comprar mais nada. O paradoxo da eterna desigualdade que mantém o equilíbrio do mundo. Os ricos e os pobres, a eterna e tão preservada dicotomia. Claro, pode haver mudanças, o pobre fica rico e vice versa, mas sempre o pobre e o rico, jamais, a igualdade.

Para falar a verdade, tudo isto me veio a propósito do que está acontecendo com a Argentina e o México. Estão quebrados, os dois. São do Terceiro Mundo. Quem vai socorrê-los? Representam um mercado de quase 100 milhões de pessoas, consumidores/compradores de produtos do Primeiro Mundo. Será que o Grupo dos Sete, não confundir com os nossos vereadores, por estou falando dos sete países mais ricos do mundo, não vai correr atrás? Emprestem dinheiro, autorizem ao Banco Mundial, ao BID, etc, etc, a soltar a grana, cobrem juros altos e mantenham o mercado aberto…

Gente, cuidado com o Brasil, muito cuidado com o Plano Real, do contrário, vamos pelo mesmo caminho, para o brejo…

Até a próxima e um abraço.

cronica_semana_#_perfil_facebook_#38

Já pensava no tema da crônica desta semana, quando, de repente, me chega a notícia do falecimento do nosso amigo Wagner Rodrigues. Fui apanhado de surpresa, pois não sabia que o Wagner estava hospitalizado desde a última segunda-feira. Antes mesmo que o Marcos Gabiroba me pedisse para escrever algumas palavras sobre o Wagner, a ideia, é lógico, já me ocorrera.

Embora não tivesse convivido com o Wagner com muita frequência, o que dele conheci já foi o suficiente para sentir a grande figura humana que era. Sei que o Marcos Gabiroba, com quem estava na Rádio Pontal, o tinha como um irmão, foi o que ele sempre disse. Sei também que o Wagner era tudo na Pontal. Era ele quem fazia a apresentação desta crônica. Sei que fará muita falta para todos nós.

Mas voltando à figura do amigo morto, mesmo sem conhecê-lo mais de perto, conversamos em várias oportunidades e a impressão que dele me fica é de uma pessoa determinada e que sabia definir seus objetivos. Nossa convivência mais prolongada se deu quando éramos, ambos, membros do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ali, a atuação do Wagner era incisiva e irredutível, quando se tratava de defender o menor. Foi uma pena ter morrido, ele tão novo e que tanto ainda podia dar, principalmente nesta hora, que requer pessoas determinadas e decididas.

Mas a vida é assim mesmo e vamos caminhando e perdendo pessoas, parentes e amigos, quantos já se foram, quantos ainda irão, vivendo, apenas, em nossa lembrança. Resta, no entanto, o consolo e a certeza de saber que aqui estamos de passagem e que outra ou outras vidas nos aguardam, na imortalidade do espírito.

Obrigado e até a próxima.

cronica_semana_#_perfil_facebook_#37

E o vento morno de agosto mexe com as folhas das árvores e rodopia em minha mesa desarrumando os papéis. Lá em baixo, na quadra ensolarada da tarde, os meninos do bairro batem uma bola. Quase todos descalços, já que a maioria, sequer, teria condições de comprar um tênis. Subnutridos, de canelas finas, um time para lá, outro para cá, a pelada corre solta.

Como estão na minha frente, não posso deixar de observar através da fachada de vidro da minha sala. E já vi ali meninos bons de bola, futuros craques do Brasil. Fico pensando comigo mesmo o que deve se passar em suas cabeças, vendo a bola rolar na cara do gol, a rede estufando, as mãos batendo no ar em um toque de triunfo. Claro que sei o que se passa, passa o Ronaldinho, o Romário, o Denílson, o Taffarel.

E lá vão os brasileirinhos morenos, pés no chão, com sua ginga rápida e irresistível, praticando a nobre ate do futebol e sonhando um dia com o Mineirão, quem sabe um Maracanã cheio, com gente saindo pelo ladrão e gritando o seu nome. A glória, enfim.

Vestem sempre camisas do Atlético e do Cruzeiro. Quando um vai mal, só aparece camisa do inimigo. Deixo o pensamento voar para bem longe e vejo uma quadra em um subúrbio de Nova Iorque. Os mesmos meninos, mais altos, negros ou hispânicos, todos calçados. Vestem camisas do Chicago Bulls, do New York Knicks, do Los Angeles Lakers.

Também batem uma bola, bem maior e que voa em direção à cesta, em uma tumultuada partida de basquete. Também têm seus sonhos, com Michael Jordan, Magic Johnson, Shaquile O Neal, coroados de milhões de dólares. Vai escurecendo e a tarde chega ao fim. Fecho a persiana e os meninos desaparecem no crepúsculo de agosto.

Um abraço e até a próxima