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Meus amigos, tem mais ou menos uns 30 anos que eu ouço falar em Reforma Agrária no Brasil. O tema, é claro, é muito mais antigo, mas foi no governo de João Goulart, antes do golpe de 64, que ganhou as manchetes. Era, então, o tempo das famosas “Ligas Camponesas“, do Francisco Julião, que esquentavam o nordeste do Brasil. O mesmo que o Movimento dos Sem Terra de hoje.

João Goulart foi deposto, as Ligas sufocadas, porque diziam que era coisa de comunista e a Reforma Agrária foi largada de lado. As Ligas já lutavam pela terra, pela repartição dos grandes latifúndios do Nordeste, enfeixados nas mãos de poucos proprietários privilegiados. A maioria dos imensos latifúndios que continuavam improdutivos, como, aliás, continuam até hoje.

Governos se sucederam de lá para cá e tudo continua na mesma. Nada de Reforma Agrária, é só falação, tema de palanque nas eleições, mas fazer que é bom, nada. Ou melhor, o que se fez é nada em relação ao que se poderia e deveria ter sido feito. No Congresso, os latifundiários, bem assentados, firmes em suas cadeiras de deputados e senadores, só deixam passar o que lhes interessa. E aí, como fazer a Reforma Agrária? É o mesmo que perguntar: como fazer todas as reformas de que o Brasil precisa? Pouco adianta ter lei se não existe vontade política.

Aí está, portanto, o resultado da inércia, da negligência obtusa dos governos: as chacinas dos Sem Terra como a do Pará e outras que ainda virão. Uma coisa, entretanto, é certa, nada poderá deter o avanço do Movimento dos Sem Terra, a não ser a Reforma Agrária. Até porque nem é justo o cidadão, milionário, adquira uma fazenda do tamanho de um país da Europa e a mantenha improdutiva, quando a imensa maioria  dos pobres brasileiros só têm sete palmos de terra no fim da vida. Mas não se iludam, meus senhores e senhoras, o clamor dos despossuídos está cada vez mais próximo, cada vez mais forte…