cronica_semana_#_perfil_facebook_#31De fato, não se pode dizer, ainda, que tudo são flores aqui na terrinha, mas, há sinais de melhora. Confesso a vocês e isto não é novidade, que andava meio pessimista em relação ao futuro de Itabira. Muito mais pelo que não tem sido feito, há longos anos, do que pelo que está sendo feito agora.

Itabira dormiu em berço esplêndido, que não era tão esplêndido coisa nenhuma, durante muito tempo. Desde que a Vale aqui se instalou, no longínquo ano de 1942, Itabira passou a viver para a Vale. Tudo girava em todo da Vale, da “Companhia” que polarizou a vida da cidade. Sob certo aspecto tal situação até se justificava, até porque a economia do município era fraca e indefinida. Com a atividade mineradora, a cidade achou seu rumo. Até aí, parecia tudo bem.

Mas o que ninguém pensava é que o “minério não dá duas safras” e o tempo foi passando e Itabira sempre dando muito mais do que recebendo. Muito mais mesmo. E o minério ia acabando, inexoravelmente, restando, apenas, a paisagem, triste e desolada das montanhas escavadas, a mostrar suas entranhas exauridas. Pobre cidade. Agora, o fim tem data marcada, o ano de 2023 e a cidade tenta correr contra o tempo, em busca de tudo que ficou para trás. Ainda bem que o José Maurício deu o primeiro passo, com o Distrito Industrial, e agora nós acordamos, definitivamente, para a corrida da sobrevivência. É assim que temos de pensar, em termos de sobrevivência.

E parece que o Frederico Penido de Alvarenga, feliz escolha do Prefeito Li para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, sabe disto mais do que ninguém. Até que enfim, pois o seu trabalho está mostrando que Itabira pode sobreviver dignamente, mesmo sem a Vale. Aí já está o Distrito Industrial II e o homem não pára, deve estar olhando para lá de 2023, é claro.

Renovam-se as esperanças, novas perspectivas, Administração de Empresas, Ciências Contábeis, a FACHI ressuscitada, a Escola de Formação Gerencial, parabéns a todos que lutaram, foi uma vitória. Acho que vamos sobreviver a 2023. Um recado para o Prefeito: “Ô, Li, dá o prédio do Areião para as nossas faculdades, que a base de tudo é a cultura do povo!”. Aliás, a bem da verdade, quem deveria dar o prédio do Areião para a comunidade era a Vale, e ainda seria pouco pelo muito que Itabira já lhe deu.

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E é como dizem nossos amigos hispânicos “no hay problema”. Pois é assim que alguns de nossos políticos, nossos muy caros “políticos” e aí, me desculpem, eu coloco aspas, já vão anunciando descaradamente que precisam trocar de partido para ter mais chance de ganhar a eleição. Trocam de partido como quem troca de camisa, sem vacilar. Não quero ser purista não, mas dá para acreditar nesse pessoal? Na verdade, o que importa para eles é ganhar a eleição, partido é besteira. Fidelidade partidária, nem sabem o que é isto. Acham que é coisa de casamento. Ô terra atrasada, sô. Agora pergunto a vocês, um candidato que declara na imprensa escrita, falada e televisada, para todo mundo ver e escutar, que vai trocar de partido só porque no partido tal tem mais chance, que credibilidade pode este cara merecer do novo partido? Realmente estamos precisando com urgência não só de uma reforma partidária, mas também de políticos sem aspas. E estes partidos que apenas emprestam sua sigla para estes picaretas têm mesmo é que acabar e já está passando da hora.

Minha mulher anda muito preocupada com o desperdício de água que vê todo dia. É uma lavação de rua que não tem fim. É mangueira jorrando água direto para todo lado. Ninguém está nem aí para a ameaça que paira no ar. A água pode acabar, só que ninguém acredita. Mas já vai dar para sentir este ano um sinal, com o racionamento de energia elétrica, as represas estão minguadas. A tradicional falta de previsão, de planejamento, que nos é peculiar, vem aí com suas conseqüências e vamos ficar sem luz. Os apagões já começaram. Todo dia chego em casa e a parafernália eletrônica está piscando. Já nem estou acertando os relógios dos vídeos e dos rádios relógios. Daqui para frente vai ser perda de tempo, no sentido literal da expressão.

E por falar em imprevisão e falta de planejamento, o que mais pode explicar esta volta da dengue e da febre amarela? Onde estão nossos ministérios, secretarias estaduais e municipais de saúde? Onde estão nossos serviços públicos de prevenção às doenças epidêmicas? Onde foi parar meu dinheiro da CPMF? Fala, José Serra, com seu olhar de peixe morto. É por estas e por outras que o FHC não quer nem ouvir falar da CPI na área do Executivo. Tem muita grana indo embora pelo ralo. O grande problema é que o poder realmente continua corrompendo e o exemplo vem de cima, é uma praga. Cáspite.

Até a próxima

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Toda vez que recebo meu extrato bancário, como acontece com todos vocês, está lá a danada da CPMF, a famigerada contribuição por movimentação financeira, que nos empurraram goela abaixo já tem mais de um ano e que parece que vai durar até o final de 1999, até o final do século.

No princípio, a coisa até que não me incomodava tanto, primeiro porque falaram que era para melhorar o atendimento na área da saúde e depois porque o percentual da tal contribuição era quase nada. Ledo engano meu. Com o passar do tempo, comecei a perceber que o percentual era pequeno, mas virava uma bola de neve, alimentada por cada cheque que eu dava. Aí é que eu comecei a ver como a desgraçada da contribuição engordava a cada extrato que eu tirava no banco, passando a me chamar a atenção pelos valores que atingia, enfim, começou a aparecer sem a menor cerimônia, invadindo minha conta bancária.

E é uma invasão, mesmo, porque o governo vai lá e mete sua mão peluda e voraz no meu dinheiro e ainda tem a pouca vergonha de chamar isto de “contribuição”. Que contribuição coisa nenhuma. E se eu falar que não quero contribuir mais. Posso? Param com o desconto? Vão é rir na minha cara. Como é que você é bobo assim?

Mas dizia eu que, em princípio, no comecinho, achava justa a famigerada contribuição porque se destinava a injetar mais dinheiro na área de saúde do país. Isto é o que eles falavam. Pois bem, vejam vocês como está a saúde no Brasil. Dizer que está um verdadeiro caos é muito pouco. Está na nossa cara, todo dia, o deprimente e humilhante espetáculo das filas nos hospitais, das mortes por falta de atendimento médico. Das crianças recém nascidas já marcadas para morrer, porque o hospital que deveria salvá-las só dispõe de equipamento para atender 35 e o que passar disto já recebeu sua sentença de morte. Pode???

Se o meu dinheiro e o de vocês, que já havia juntado cerca de cinco bilhões de reais há um ano atrás, não está salvando a saúde no Brasil, estou achando que ele está tomando outros rumos, e então eu não quero mais contribuir! Porque estou é contribuindo para a desgraça de mais brasileiros…

Um abraço e até a próxima.

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Vi uma entrevista na nossa TV Cultura e as perguntas aos entrevistados eram sobre as invenções mais importantes neste século ou milênio, sei lá, que já vai acabando. E tinha mais, qual a pior invenção, a mais inútil. Diria eu, a mais imprestável e maléfica, sem dúvida, foi a bomba atômica, que depois virou bomba de hidrogênio, mais destruidora. Basta lembrar Hiroshima e Nagasaki.

E aí, pegando uma carona no tema da TV, pus-me a divagar sobre os extremos contrastes deste século. Vejam vocês, o mesmo século que produziu um Mahatma Gandhi, gerou um Adolf Hitler, de uma Madre Tereza de Calcutá e de um Al Capone, produziu um Albert Einstein, um John Kennedy e duas guerras mundiais, fora as guerras da Coréia e do Vietnã e outras localizadas que continuam a assolar o planeta. Produziu revoluções, estados e nações nasceram e desapareceram. Enfim, foi um século ao mesmo tempo fértil na criação e impiedoso na destruição. Também foi nele que o homem chegou à lua, abrindo caminho na rota das estrelas, na procura de vida no espaço sideral, tornando realidade os sonhos de Júlio Verne e Leonardo da Vinci. O avanço da tecnologia, principalmente nas últimas décadas, nos faz prever mudanças rápidas e violentas nestes próximos anos. Quem viver verá, como diz o barbudo do Caribe.

Bom, tudo isto é muito bonito e animador (será?), mas estamos sob uma ameaça inédita, que poderá se consumar no próximo dia 31, na virada do milênio. Não é nenhuma peste, nem mesmo o risco apocalítico de que não passará de 2000. Vem chegando, sem chance de retorno, o tal “bug” do milênio. Quem é a figura? Tem rabo e chifre? Algum E.T.? Já vi sua imagem igual a de um polvo. Feroz, olhar fulminativo, mortífero. Será, então, que a profecia apocalíptica estará próxima de acontecer e ele, o “bug”, não seria o seu executor? Pois está provado que ele tem o poder de acionar e endoidar computadores, que, descontraídos, podem mergulhar o mundo em uma guerra atômica última e final.

Um abraço e até a próxima, isto é, até o próximo milênio.