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E lá estava eu, a televisão na minha frente, não tinha como não ver. E lá vendo a notícia. Na cidade de Campestre, aqui mesmo, em Minas Gerais, um vereador resolveu deixar a Câmara, vestiu-se com uma túnica, arranjou um cajado e uma Bíblia e passou quarenta dias em jejum, vagando pelos cafezais da região. Ao fim dos quarenta dias, apareceu, foi internado em um hospital, onde veio a falecer dado o grave estado de desnutrição em que se achava quando foi encontrado.

Para mim, que já ando descrente de nossos políticos, a notícia me tocou na hora, tanto que pensei de pronto: preciso me lembrar dela quando for escrever minha crônica no final da semana. E aqui estou eu com a notícia do indigitado vereador campestrino. Claro que o fato tem o seu lado trágico, mesmo assim sugere e nos induz a pensar em outras questões menos trágicas, quase cômicas, se me permitem, e com o devido respeito.

Tudo nos leva a crer que o tal vereador de Campestre cismou que era Jesus Cristo e como na região não tem deserto, embrenhou-se pelos cafezais para jejuar. Não se sabe, ou pelo menos não foi noticiado, se chegou a ser tentado pelo demônio. Acredito que não, porque não teria resistido, com certeza.

Talvez vocês não percebam, mas o fato acontecido extrapola as fronteiras do município de Campestre. Seu significado é muito maior do que parece, pois não se trata de um caso isolado, outros virão, com certeza, um ritual, uma tentativa de purificação da classe política no Brasil inteiro. Isto é apenas o começo de uma grande mudança. Dizem que o próximo a fazer este jejum vai ser o Sérgio Naya, e outros virão.

Eu, por mim, acho que pouco adianta, pois nem Cristo conseguirá salvar nossos políticos, nem hoje, nem dia nenhum. Basta lembrar, para mostrar que eles estão cada dia mais sacanas, a sem-vergonhice daquele deputado federal do Paraná, o tal José Borges, que foi flagrado votando para seu colega paranaense. Pasmem vocês, o José Borges (acho que o nome é este) foi para frente de seus pares na Câmara Federal dizendo que tinha cometido um erro, que estava arrependido e começa a chorar. Um homem daquele tamanho, deputado federal, abre o bué. E deu resultado, ele não será cassado. Os coleguinhas ficaram com peninha dele. Fosse eu, diria: Zé Borges, veste a túnica e vai jejuar no deserto do Planalto Central…

Um abraço e até a próxima.