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O inesquecível Cine Metrópole de Belo Horizonte. Lá, na rua Goiás esquina de Bahia. Não dá para esquecer. A fachada externa em mármore negro. A sala de espera e sua chique bomboniére, lá no canto. As pesadas cortinas de veludo vermelho.

Afundado na maciez da poltrona revestida em couro, o encosto era recheado em losangos, a gente aguardava o prefixo musical que marcava o início da sessão. Não sei bem se me lembro de qual era a música do prefixo (isto mesmo, prefixo), mas algo me diz que era Love Letters. Ou seria Star Dust?

E o jogo de luz? Nas luminosas e coloridas colunas das paredes e no grande lustre do teto, todo quadriculado, as cores iam se alternando, do azul ao verde, ao vermelho, enquanto a música fazia o fundo. Logo, a espessa cortina que escondia a tela, começaria a se abrir lentamente. E as luzes e a música, faziam a gente sair deste mundo, escapar da realidade.

Quantas vezes vivi estas sensações. Era um belo cinema, tinha classe, muita classe, o inesquecível Metrópole. Grandes filmes lá vivemos e para quem curte um cinema, igual eu, era um prazer renovado ir ao Metrópole. Acabou, como todos os cinemas de luxo acabaram e ficou apenas na lembrança. Das últimas recordações que guardo dele foi exatamente a da minha formatura em Direito. A crônica, como podem ver, é mais uma nostalgia de tempos e lugares que passaram em nossa vida. Pois é, é nisto que dá ficar vendo velhas fotos… Mas continua sendo melhor, muito melhor, recordar, do que ver o novo capítulo, mais um, na história da desonestidade e sem-vergonhice no Brasil: agora, a tal máfia dos precatórios. Para variar, tem político no meio da bandalheira. E garanto que é gente que nunca entraria no Metrópole, nunca.

Um abraço e até a próxima.