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Saio para uma caminhada pelas ruas. A noite acabou de chegar e um vento frio de outono sopra insistentemente. Estou de short e camisa fina. Faz frio neste fim de mês de abril. Penso comigo que deveria estar usando uma roupa mais pesada. Bobagem, vou caminhando rápido e logo me aqueço. E lá vou eu subindo pelas ruas do Pará, no passo rápido do andador.

Céu limpo, sem uma nuvem. Lua quase cheia clareando a paisagem. Longe, o recorte da crista das serras marca o limite do horizonte. Fragmentos de estrelas pulverizadas espalham uma poeira branca no céu. Passo por casas e pessoas, lojas, bazares e igrejas. A caminhada se transforma aos poucos em um exercício mental de observação da paisagem que atravesso. Penso, que falta faz a gente andar à pé pela cidade, sentir as ruas, olhar o céu, parar para ver as casas. Passo e vejo um beco, urbanizado, todo iluminado e me dou conta de que nunca passei naquele beco. Sei onde começa e onde termina, mas nunca o atravessei. Preciso conhecê-lo. A verdade é que existem, ainda, tantos lugares em Itabira pelos quais nunca passei e não estou falando de lugares distantes, não, falo destes que estão próximos e que a gente só vai descobrindo quando anda a pé.

Continuo o caminho, pensando a cada passo, ritmado e concentrado até o fim do percurso. O corpo responde ao esforço e chego a sentir calor, o frio se foi. Os lugares vão passando e cada um me traz algum tipo de lembrança. Não sei se acontece com vocês, mas quando estou caminhando, a cabeça entra em um astral beleza. Deve ser a oxigenação mais intensa que a caminhada produz. E a mente fica muito mais ágil, o raciocínio limpo e rápido. Daí a facilidade de concentração e o aguçamento da memória e da capacidade de observar.

Tudo bem, a vida não dá tempo para a gente só andar a pé, exige que andemos de carro, de moto e sei lá mais o que, mas se querem curtir bons momentos, não deixem de fazer uma caminhada. É bom demais, faz bem para tudo, corpo e alma. Faz tanto bem que só agora me lembro de que ia escrever sobre o massacre na Iugoslávia e os novos ladrões do Brasil, novas CPIs e toda esta podridão que todo dia nos jogam na cara. Mas foi até melhor, ia mexer com meu bom astral. Deixa para lá, fica para a próxima, que isto não vai acabar nunca.

Um abraço e até breve.