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O inesquecível Cine Metrópole de Belo Horizonte. Lá, na rua Goiás esquina de Bahia. Não dá para esquecer. A fachada externa em mármore negro. A sala de espera e sua chique bomboniére, lá no canto. As pesadas cortinas de veludo vermelho.

Afundado na maciez da poltrona revestida em couro, o encosto era recheado em losangos, a gente aguardava o prefixo musical que marcava o início da sessão. Não sei bem se me lembro de qual era a música do prefixo (isto mesmo, prefixo), mas algo me diz que era Love Letters. Ou seria Star Dust?

E o jogo de luz? Nas luminosas e coloridas colunas das paredes e no grande lustre do teto, todo quadriculado, as cores iam se alternando, do azul ao verde, ao vermelho, enquanto a música fazia o fundo. Logo, a espessa cortina que escondia a tela, começaria a se abrir lentamente. E as luzes e a música, faziam a gente sair deste mundo, escapar da realidade.

Quantas vezes vivi estas sensações. Era um belo cinema, tinha classe, muita classe, o inesquecível Metrópole. Grandes filmes lá vivemos e para quem curte um cinema, igual eu, era um prazer renovado ir ao Metrópole. Acabou, como todos os cinemas de luxo acabaram e ficou apenas na lembrança. Das últimas recordações que guardo dele foi exatamente a da minha formatura em Direito. A crônica, como podem ver, é mais uma nostalgia de tempos e lugares que passaram em nossa vida. Pois é, é nisto que dá ficar vendo velhas fotos… Mas continua sendo melhor, muito melhor, recordar, do que ver o novo capítulo, mais um, na história da desonestidade e sem-vergonhice no Brasil: agora, a tal máfia dos precatórios. Para variar, tem político no meio da bandalheira. E garanto que é gente que nunca entraria no Metrópole, nunca.

Um abraço e até a próxima.

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Saio para uma caminhada pelas ruas. A noite acabou de chegar e um vento frio de outono sopra insistentemente. Estou de short e camisa fina. Faz frio neste fim de mês de abril. Penso comigo que deveria estar usando uma roupa mais pesada. Bobagem, vou caminhando rápido e logo me aqueço. E lá vou eu subindo pelas ruas do Pará, no passo rápido do andador.

Céu limpo, sem uma nuvem. Lua quase cheia clareando a paisagem. Longe, o recorte da crista das serras marca o limite do horizonte. Fragmentos de estrelas pulverizadas espalham uma poeira branca no céu. Passo por casas e pessoas, lojas, bazares e igrejas. A caminhada se transforma aos poucos em um exercício mental de observação da paisagem que atravesso. Penso, que falta faz a gente andar à pé pela cidade, sentir as ruas, olhar o céu, parar para ver as casas. Passo e vejo um beco, urbanizado, todo iluminado e me dou conta de que nunca passei naquele beco. Sei onde começa e onde termina, mas nunca o atravessei. Preciso conhecê-lo. A verdade é que existem, ainda, tantos lugares em Itabira pelos quais nunca passei e não estou falando de lugares distantes, não, falo destes que estão próximos e que a gente só vai descobrindo quando anda a pé.

Continuo o caminho, pensando a cada passo, ritmado e concentrado até o fim do percurso. O corpo responde ao esforço e chego a sentir calor, o frio se foi. Os lugares vão passando e cada um me traz algum tipo de lembrança. Não sei se acontece com vocês, mas quando estou caminhando, a cabeça entra em um astral beleza. Deve ser a oxigenação mais intensa que a caminhada produz. E a mente fica muito mais ágil, o raciocínio limpo e rápido. Daí a facilidade de concentração e o aguçamento da memória e da capacidade de observar.

Tudo bem, a vida não dá tempo para a gente só andar a pé, exige que andemos de carro, de moto e sei lá mais o que, mas se querem curtir bons momentos, não deixem de fazer uma caminhada. É bom demais, faz bem para tudo, corpo e alma. Faz tanto bem que só agora me lembro de que ia escrever sobre o massacre na Iugoslávia e os novos ladrões do Brasil, novas CPIs e toda esta podridão que todo dia nos jogam na cara. Mas foi até melhor, ia mexer com meu bom astral. Deixa para lá, fica para a próxima, que isto não vai acabar nunca.

Um abraço e até breve.

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Temos acompanhado, eu e muita gente mais, com muito interesse e de orelha em pé, a tramitação no Congresso Nacional das mudanças que estão sendo propostas nas aposentadorias. As alterações anunciadas até que se justificam, porque do jeito que as coisas vêm caminhando, o fim da Previdência está próximo, iria estourar, com toda a certeza.

Mas tem uma coisa que não podemos esquecer, agora, o rombo que o INSS vem sofrendo com as falcatruas e furtos praticados anos a fio por pessoas que deveriam ser as primeiras a cuidar da integridade da Previdência. Que ninguém se esqueça dos ladinos aproveitadores que se enriqueceram à nossa custa e que, com raras exceções, estão aí, gozando o bem bom do dinheiro roubado dos trabalhadores. Muitos fugiram para a Europa, imaginem… É uma pouca vergonha, como diria o Boris Casoy.

Mas, não é só aí que teve pouca vergonha e gatunagem, não, tem mais, escancarada e acontecendo no Congresso Nacional, onde os nosso amados deputados e senadores se agarram de unhas e dentes na sua gorda e vergonhosa aposentadoria privilegiada. Imaginem só, cumprem dois mandatos e em oito anos estão aposentados. E quem paga a conta? Mais uma vez, o povo. Eles estão prontos para votar as mudanças que podem nos ferrar, mas na deles ninguém toca. São, com raras exceções, uns mentecaptos e desonestos. Deus que me perdoe, mas em certos momentos dá vontade de ver este Congresso fechado e aquela corja trabalhando para viver. Eles que deviam dar o exemplo, pelo contrário, são os mais ferozes defensores dos sórdidos privilégios.

Me lembro bem, na biblioteca de meu pai havia, entre outros, dois livros, cujos títulos sempre me deixaram curioso e me arrependo de não tê-los lido, um era “Brasil, o País do Futuro” e o outro  “O País do Carnaval”. Vejam bem como são significativos e se casam os títulos, embora, à primeira vista, pareçam uma contradição. Acontece que ainda continuamos a ser, não sei até quando, o país do futuro, mas somos muito mais chegados ao país do eterno carnaval. Estão aí os deputados e senadores que não me deixam mentir…

Um abraço e até a próxima.