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Há muito tempo venho ensaiando escrever sobre coisas típicas de Itabira. Não sei não, mas acho que algumas manias e tipos somente poderiam ter ocorrido aqui, neste contexto itabirano/drummondiano. Perdoem-me curtir um pouco o assunto, voltar no tempo para lembrar de figuras que quase todos da minha geração conheceram. Lá, bem longe, a figura de Barateiro, o terror dos policiais. Getúlio Bigodudo, Caetano Pontaria, Roque, Sá Delê, Mané Gato, estes mais recentes. E como esquecer de Paulo Jacaré, que acabou dando apelido a todos os Paulos que conheci. Bastava se chamar Paulo, para ser Jacaré.

E os apelidos que surgiam, ninguém sabe como. É só lembrar quantos Joãos tinham e têm apelido. João Gambá, João Baleia, João Piolho, João Seta, João Fubá, João Guanabara, João Turita e por aí afora. Mas há apelidos que surgiram de maneira gozadíssima. Chegou à cidade um cidadão que mancava de uma perna, foi logo levando o apelido: Deixa que eu chuto. E outro caso, ainda, cujos personagens são conhecidos e nossos amigos, cuja semelhança física determinou o apelido de um deles tirado da semelhança mesmo, Dupli, de duplicata.

E a cidade continuou inventando seus personagens. Quem se lembra do Bandido da Luz Vermelha, o americano Caryl Chessman, dos idos de 1960, condenado a morrer na cadeira elétrica? Morreu, mas não morreu, pois aqui ficou um sósia seu, um Paulo que não foi Jacaré, mas virou Caryl Chesman. Era garçom, na época, do Lunik e Zé Mário e quando a gente pedia uma cerveja, das muitas que lá tomamos, era só gritar: Ô Chesman, solta uma brahma.

E o Zé Picolé, grande gozador, quase um artista, da família que virou Picolé, Dão Picolé, seu irmão, grande professor de inglês e seus pais, Antônio Picolé e Maria Picolé. E tinha mais, gente, João Passarinho, Joaquim Caminhão, João Padeiro. Dizem que João Passarinho ganhou o apelido porque cismou que podia voar e se estatelou com asa e tudo, pulando do Pico do Amor.

Coisas e loisas de todo lugar, de toda cidade, que todas têm suas manias e costumes bizarros. Pessoas e lugares, em todo o mundo se tornam extremamente interessantes quando nos damos um tempo para senti-los. E fico por aqui, caro Marcos Evangelista, que é, na verdade, Gabiroba, que tem um irmão que jogava no Valério, também Gabiroba, para provar que não falei mentira.

E é isto aí, um abraço e até a próxima.