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Devo começar pela mais recente falcatrua descoberta neste Brasil. E de onde poderia vir? Adivinhem! Adivinhem! Mole, não? De um banco, gente. De onde mais poderia ser? Agora foi a vez do Nacional, um rombo de mais de cinco milhões de reais. Isto até agora, mas deve dar muito mais, quando acabar de apurar. Mas será que vai ter apuração, mesmo? A pouca vergonha continua solta e parece que desta vez o Banco Central também está enrolado, pois já sabia do rombo, a trambicagem vem desde 1986. Agora a pergunta do dia, ou da semana: alguém vai pagar ou fica por isto mesmo? Podem responder para a Rádio Pontal e quem acertar vai ganhar um guarda-chuva.

Enquanto isto, o caso do Econômico continua rolando. Dizem os bons da República que vão fazer e acontecer, mas no Angelo Calmon ninguém toca. Ele continua mesmo calmão… O homem está até indo à missa, como se nada tivesse acontecido. Os milhões que escamoteou estão bem guardados, longe das lentas e vacilantes mãos da justiça brasileira. No fim, ele sabe que não vai pagar a conta, não vai pagar é nada. E uma banana para nós.

Gente, isto precisa ter um fim, até parece brincadeira, este pessoal tem de ir para cadeia, rapidinho. Coitado do PC Farias, já foi esquecido. Não dá mais para suportar tanta roubalheira junta. É o Econômico, é o Nacional, quem será o próximo? É nosso dinheiro que está rodando, é com ele que o Banco Central segura as pontas. Traz a conta que o povo paga. O povo não pode reclamar. Mas um dia o povo se enche, deixa de ser cordeiro e terá seu dia de lobo. Já está passando da hora.

Até que não era para falar tanto disto não. Mas não dá para continuar, está demais. Se fosse em outro país, já tinha gente na cadeira, gente suicidando de vergonha. Mas aqui, a justiça não é só cega, é caolha e sua balança anda bem desregulada. Por isto é que acaba tudo em tapinha no ombro entre políticos e banqueiros, que é o que eles mais gostam.

Um abraço e até a próxima.

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Há muito tempo venho ensaiando escrever sobre coisas típicas de Itabira. Não sei não, mas acho que algumas manias e tipos somente poderiam ter ocorrido aqui, neste contexto itabirano/drummondiano. Perdoem-me curtir um pouco o assunto, voltar no tempo para lembrar de figuras que quase todos da minha geração conheceram. Lá, bem longe, a figura de Barateiro, o terror dos policiais. Getúlio Bigodudo, Caetano Pontaria, Roque, Sá Delê, Mané Gato, estes mais recentes. E como esquecer de Paulo Jacaré, que acabou dando apelido a todos os Paulos que conheci. Bastava se chamar Paulo, para ser Jacaré.

E os apelidos que surgiam, ninguém sabe como. É só lembrar quantos Joãos tinham e têm apelido. João Gambá, João Baleia, João Piolho, João Seta, João Fubá, João Guanabara, João Turita e por aí afora. Mas há apelidos que surgiram de maneira gozadíssima. Chegou à cidade um cidadão que mancava de uma perna, foi logo levando o apelido: Deixa que eu chuto. E outro caso, ainda, cujos personagens são conhecidos e nossos amigos, cuja semelhança física determinou o apelido de um deles tirado da semelhança mesmo, Dupli, de duplicata.

E a cidade continuou inventando seus personagens. Quem se lembra do Bandido da Luz Vermelha, o americano Caryl Chessman, dos idos de 1960, condenado a morrer na cadeira elétrica? Morreu, mas não morreu, pois aqui ficou um sósia seu, um Paulo que não foi Jacaré, mas virou Caryl Chesman. Era garçom, na época, do Lunik e Zé Mário e quando a gente pedia uma cerveja, das muitas que lá tomamos, era só gritar: Ô Chesman, solta uma brahma.

E o Zé Picolé, grande gozador, quase um artista, da família que virou Picolé, Dão Picolé, seu irmão, grande professor de inglês e seus pais, Antônio Picolé e Maria Picolé. E tinha mais, gente, João Passarinho, Joaquim Caminhão, João Padeiro. Dizem que João Passarinho ganhou o apelido porque cismou que podia voar e se estatelou com asa e tudo, pulando do Pico do Amor.

Coisas e loisas de todo lugar, de toda cidade, que todas têm suas manias e costumes bizarros. Pessoas e lugares, em todo o mundo se tornam extremamente interessantes quando nos damos um tempo para senti-los. E fico por aqui, caro Marcos Evangelista, que é, na verdade, Gabiroba, que tem um irmão que jogava no Valério, também Gabiroba, para provar que não falei mentira.

E é isto aí, um abraço e até a próxima.