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Os velhos companheiros, aposentados, se sentam na mesma praça, dia após dia, e discutem, ainda mais uma vez e com a mesma veemência o futuro da cidade. Todos querem falar sobre o futuro da cidade, a cidade de aposentados e desempregados. Agora, quando parece que o impossível está prestes a acontecer. O inimaginável vai se tornando nossa realidade cotidiana, a inescapável e já inescondível verdade, enfim, de que os dias passarão e o fim está cada vez mais próximo. Nossa riqueza, que parecia inesgotável, quase eterna, vai se acabar, inapelavelmente, vai se acabar.

Mas não morreremos, a cidade não sucumbirá, disto podemos ter certeza. Sobreviveremos, passado e futuro, em uma interação cósmica, como os velhos inventários de páginas já amareladas e carcomidas pelo tempo, que trazem de volta a vaca Tetéia, o cavalo ruço chamado Sereno e um velho silhão, sem falar nas onipresentes tachas de cobre, nos paramentos rurais perdidos no fundo do paiol. Pouco importa que acabe a riqueza mineral, do ouro, do ferro, do pó que deixa na boca o gosto de metal, o gosto amargo da hematita.

Os velhos companheiros se levantam para sair. Não decidiram, ainda, qual será o futuro da sua cidade. Nunca estiveram preparados para isto. Perderam na caminhada o sentido da volta. Uns tentam recuperar sua origem rural, outros buscam identificar sua referência urbana, de antes da mineração. É urgente voltar para encontrar o ponto do caminho onde paramos, ali onde poderá estar o rumo do futuro.

Um abraço e até a próxima.