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É, minha gente, a música brasileira nunca desceu a níveis tão baixos, como agora. Tirando fora, é claro, aqueles nossos artistas que seguram a barra, que continuam fazendo música de qualidade… o resto é uma lástima, é mesmo o resto. Aí impera a mediocridade em seu grau mais elevado, chega-se às raias da boçalidade. As letras das tais “músicas”, entre aspas, são de uma pobreza, não, pobreza é pouco. São de uma estupidez de anta, parecem feitas por analfabetos para outros tantos analfabetos cantarem. Quem é que aguenta “quer dançar, quer dançar, o tigrão vai ensinar”, “tá dominado, tá tudo dominado”, “dói, um tapinha não dói, dói”. Definitivamente, não dá. E as popozudas e as preparadas? É tudo tão ruim que a gente fica pensando se tem jeito de piorar.

Aí eu fico vendo os jovens engolindo essa submúsica goela abaixo e parece que estão achando ótimo. Claro que não percebem que estão correndo o risco de se tornarem debilóides, já que a música é idiotizante. Nestas horas é que sinto saudades do rock, do velho e honesto rock americano, super importado da poderosa matriz do norte. Mil vezes melhor. Sempre fui contra a censura, mas acho que uma censurazinha até que não seria mau neste caso. Ó, meu, isto não passa não, isto não é música, se quiser entra com mandado de segurança, ô tigrão.

No carnaval, subo e desço as ladeiras de Olinda atrás dos blocos. Lá longe, o mar deve estar pensando que loucura é esta que tomou conta desta gente. O frevo acelera o corpo e arrasta a multidão compacta, que espremida e suada nas ruas estreitas de Olinda, canta e bebe, varando o dia, a noite e a madrugada, sem parar. As igrejas fechadas, antigas e graves, olham tudo lá de cima e aguardam a chegada da quaresma, com um disfarçado desejo de vingança. Recuerdos do carnaval.

Um abraço e até a próxima.