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Os velhos companheiros, aposentados, se sentam na mesma praça, dia após dia, e discutem, ainda mais uma vez e com a mesma veemência o futuro da cidade. Todos querem falar sobre o futuro da cidade, a cidade de aposentados e desempregados. Agora, quando parece que o impossível está prestes a acontecer. O inimaginável vai se tornando nossa realidade cotidiana, a inescapável e já inescondível verdade, enfim, de que os dias passarão e o fim está cada vez mais próximo. Nossa riqueza, que parecia inesgotável, quase eterna, vai se acabar, inapelavelmente, vai se acabar.

Mas não morreremos, a cidade não sucumbirá, disto podemos ter certeza. Sobreviveremos, passado e futuro, em uma interação cósmica, como os velhos inventários de páginas já amareladas e carcomidas pelo tempo, que trazem de volta a vaca Tetéia, o cavalo ruço chamado Sereno e um velho silhão, sem falar nas onipresentes tachas de cobre, nos paramentos rurais perdidos no fundo do paiol. Pouco importa que acabe a riqueza mineral, do ouro, do ferro, do pó que deixa na boca o gosto de metal, o gosto amargo da hematita.

Os velhos companheiros se levantam para sair. Não decidiram, ainda, qual será o futuro da sua cidade. Nunca estiveram preparados para isto. Perderam na caminhada o sentido da volta. Uns tentam recuperar sua origem rural, outros buscam identificar sua referência urbana, de antes da mineração. É urgente voltar para encontrar o ponto do caminho onde paramos, ali onde poderá estar o rumo do futuro.

Um abraço e até a próxima.

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Nem mesmo sei porque fui me lembrar, hoje, desta estória. Mas, pensando bem, acho que sei porque. Pelo absurdo contraste, pelo paradoxo que é este nosso país. Paradoxo é muito pouco. É injustiça mesmo, da pior espécie. Pois bem, a estória é a seguinte e quem me contou é dono de uma empresa de construção civil e o fato é verdadeiro. Vamos lá: me disse o amigo empreiteiro que, em determinada obra que estava fazendo, aqui, em Itabira, na hora do almoço, os operários normalmente se reuniam em algum lugar da obra. Cada um com sua marmita, sentado em seu canto, almoçava. O encarregado da turma ficava por ali, almoçando também, levando um papo com o pessoal. Mas havia um deles que sempre ficava mais retirado do grupo, com sua marmita na mão, parecia que estava almoçando. Todo dia era a mesma coisa. Lá estava ele, quieto no seu canto, com sua marmita na mão. Um dia, o encarregado resolveu chegar mais perto para conferir e aí viu que a marmita estava vazia, sempre estava vazia. O infeliz apenas fingia que estava almoçando, quando não tinha nem comida para trazer…

Mas o que importa isto, neste Brasil dos PC Farias, dos quase esquecidos anões do orçamento (acho até que já se esqueceram deles), da máfia dos precatórios (a mais recente modalidade, por enquanto), onde quem vai para a cadeia é só pobre e miserável, onde a lentidão e a impotência da justiça consagraram a impunidade. Que importa isto?? O que importa é o mundo ficar sabendo, para a nossa vergonha, à moda das antigas republiquetas latino americanas (isto ainda não acabou??), que Collor constrói uma casa de cinco milhões de dólares na Flórida, com o dinheiro que sangrou de nosso povo miserável.

E os bobos pensando que apesar disto tudo e muito mais, o Rio teria alguma chance de ser escolhido como sede dos jogos olímpicos de 2004. Só muita babaquice mesmo para acreditar nesta baboseira. Cáspite!!! Indiferente a tudo, Capinópolis continua registrando as mais altas temperaturas de nosso estado. Grande Capinópolis. Quase ia me esquecendo, o cordão dos puxa sacos cada vez aumenta mais. Na imprensa então, hein?? Quem diria…

Um abraço e até a próxima

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É, minha gente, a música brasileira nunca desceu a níveis tão baixos, como agora. Tirando fora, é claro, aqueles nossos artistas que seguram a barra, que continuam fazendo música de qualidade… o resto é uma lástima, é mesmo o resto. Aí impera a mediocridade em seu grau mais elevado, chega-se às raias da boçalidade. As letras das tais “músicas”, entre aspas, são de uma pobreza, não, pobreza é pouco. São de uma estupidez de anta, parecem feitas por analfabetos para outros tantos analfabetos cantarem. Quem é que aguenta “quer dançar, quer dançar, o tigrão vai ensinar”, “tá dominado, tá tudo dominado”, “dói, um tapinha não dói, dói”. Definitivamente, não dá. E as popozudas e as preparadas? É tudo tão ruim que a gente fica pensando se tem jeito de piorar.

Aí eu fico vendo os jovens engolindo essa submúsica goela abaixo e parece que estão achando ótimo. Claro que não percebem que estão correndo o risco de se tornarem debilóides, já que a música é idiotizante. Nestas horas é que sinto saudades do rock, do velho e honesto rock americano, super importado da poderosa matriz do norte. Mil vezes melhor. Sempre fui contra a censura, mas acho que uma censurazinha até que não seria mau neste caso. Ó, meu, isto não passa não, isto não é música, se quiser entra com mandado de segurança, ô tigrão.

No carnaval, subo e desço as ladeiras de Olinda atrás dos blocos. Lá longe, o mar deve estar pensando que loucura é esta que tomou conta desta gente. O frevo acelera o corpo e arrasta a multidão compacta, que espremida e suada nas ruas estreitas de Olinda, canta e bebe, varando o dia, a noite e a madrugada, sem parar. As igrejas fechadas, antigas e graves, olham tudo lá de cima e aguardam a chegada da quaresma, com um disfarçado desejo de vingança. Recuerdos do carnaval.

Um abraço e até a próxima.

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Carnaval, Itamar e mototáxi. É isto mesmo. Vai a crônica por este caminho tortuoso, cheia de manha e malícia. Vamos abrir com o carnaval, que é do que o brasileiro mais gosta, depois do futebol, ou será antes? E só tem que gostar mesmo, primeiro porque só acontece uma vez por ano, segundo porque os seus ingredientes são os melhores: bebida, mulher e samba e finalmente porque talvez seja para o povo o único momento de alegria durante o ano. Talvez coisa nenhuma, com certeza é, bem ou mal, a única e derradeira alegria do povo e mesmo assim está acabando. Ninguém duvida de que o carnaval está morrendo a cada ano. E quando morrer de vez, cala-te boca, o que será do povo brasileiro, que não terá mais seu momento de desabafo? Aí, gente, o bicho vai pegar, porque não haverá mais a loucura consentida e coletiva, nunca mais o manto diáfano da fantasia e da ilusão dos quatro dias. Talvez a solução fosse a volta do nostálgico lança-perfume…

Itamar, tópico número dois. Agora, a pedra no caminho de Fernando Henrique, um esvoaçante topete ousado e teimoso, perturbando a fictícia paz do planalto central. O esperto e tinhoso que se faz passar, matreiramente, pelo bobo da corte. Será?? Itamar vai traçando seu caminho para muito além das fronteiras de Minas Gerais, não duvidem, em breve estará com um pé no Palácio da Alvorada, para ficar. Esperem e verão.

Finalmente, a última das sete pragas jogadas em Itabira. Tomara que seja mesmo a última, o tal de mototáxi. Olhem, eu não tenho nada contra os motoqueiros que têm o sagrado e constitucional direito de ganhar a vida conduzindo passageiros, mas o que eu tenho visto é pura loucura. Os mototaxistas estão rodando como se não houvesse lei de trânsito para eles. Até parece que não tem. Uma verdadeira loucura, andam na contramão, ultrapassam pela direita, avançam sinal vermelho, tudo isto eu estou falando porque eu já vi. E o pior, andam de pé baixo, um perigo para todos nós. Se continuar assim, vamos ter acidentes sérios e não demora. Então, meu amigo, se você tiver de pegar um mototáxi, vai um conselho, de graça, pense umas dez vezes antes.

Um abraço e até a próxima.