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A Bolsa e o bolso. A Bolsa cai em Hong Kong e fura o nosso bolso cá no Brasil. Vejam só se isto é possível. Lá, do outro lado do mundo, na porta do extremo oriente, por razões que a gente nem imagina, a economia dá um break e, de repente, não mais do que de repente, a nossa TR, famosa TR dobra de valor, os juros disparam e mudam toda a perspectiva do fim de ano, tudo por causa de Hong Kong e dos tais Tigres Asiáticos. É verdade, o mundo é mesmo uma grande aldeia. Por causa da Bolsa de Tóquio, o mutuário do BNH, José Carlos Batista, bancário, lá de Taboão da Serra, vai pagar mais caro a sua prestação da casa própria. Agora eu quero ver é ele explicar isto para a mulher e para os filhos, que o Natal deste ano mixou.

É a tal da globalização da economia, o mundo sem fronteiras. Isto é muito bom para quem pode segurar o tranco, isto é, os chamados países ricos. Para eles, tudo bem, tudo é lucro para quem tem uma economia estável. Vejam vocês que para segurar o real, temos de manter os juros altos, temos de vender dólares de nossas reservas cambiais e com os juros altos, quem ganha mais? Quem tem o dinheiro na mão. Quem? Quem? Adivinhem. Mais uma vez é sempre os banqueiros, as multinacionais e os agiotas internacionais. É isto que se chama globalização da economia, isto é, os ricos dividem os lucros e nós, pobres do terceiro mundo, dividimos os prejuízos.

E aqui fico eu pensando o que Zé de Almeida acharia disto tudo. Quase posso vê-lo, sentado na porta de sua venda lá em Cocais, olhando a modorra da tarde, o sol batendo forte nas pedras da rua, seu pensamento voava longe, lá para Portugal, uma aldeia em Trás os Montes, a encosta da serra coberta de videiras, longe, de muito longe, o canto das lavadeiras. Ah, meu Deus, tenho que aprender mais sobre globalização da economia.

Um abraço, gente, e até a próxima.