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Seis horas da manhã. O disco vermelho do sol mostra sua primeira lâmina no horizonte quebrado pela linha das serras. No nascer do dia, esperanças renovadas, novos alentos, a cada despertar, tudo é novo. Cada manhã parece que a vida recomeça, sempre, sempre. E é a mais pura verdade, até que o sol percorra, mais uma vez, o seu caminho no céu e se esconda no poente. E tudo recomeça.

A vida depende do sol, da luz, do calor de seus raios. A morte é a sombra, a escuridão, a penumbra. São os opostos, na eterna dialética que tudo dirige, tudo determina no mundo. Luz e sombra, claro e escuro, amor e ódio, o bem e o mal. Nossa vida inteira gira entre os extremos das coisas, no eterno diálogo a procurar o ponto comum, o equilíbrio, quase sempre inatingível por nós, pobres mortais.

Bom, muito bom, mas o que eu queria nesta crônica tem e não tem a ver com estas divagações, meras divagações. Queria mesmo era falar do cotidiano, da vida das pessoas e das coisas simples, que vemos todo dia e das coisas das quais nem sempre apreendemos o real significado. Por isto admiro e muito aqueles que enxergam o lado oculto, o que ninguém vê ou não quer ver. Podemos passar a vida inteira pelas coisas, sem que elas passem por nós, sem que nos toquem. Não as sentimos, porque não podemos parar, não podemos pensar, não temos tempo. E assim vamos levando a vida, perdendo ou ganhando, quem sabe?

Insisto, portanto, na minha admiração pelos que sabem curtir as coisas simples, sei que eles entendem melhor a vida e seus aparentes mistérios. Os artistas têm este dom. Poucos dias atrás, mais por curiosidade do que por interesse, fui a uma palestra sobre literatura infantil, com o escritor Bartolomeu Campos de Queirós, na FCCDA. Que enorme surpresa ao escutar o tal escritor. Como as coisas pareciam diferentes, vistas por ele. As mesmas coisas que vemos e não nos tocamos. É como se fosse um outro mundo. Mas tudo está aqui mesmo, é só o jeito de ver, não é?

Basta de divagações, que aliás, fazem bem. Voltemos ao nosso dia-a-dia, das vaidades, dos bajuladores, dos desastrados, distraídos e desonestos, mas, também, das esperanças, da alegria, do verdadeiro sucesso e da crença em um futuro melhor para todos nós.

E assim, caros amigos, não poderia terminar esta crônica sem me referir ao falecimento do cidadão e médico Mauro de Alvarenga. No cemitério do Cruzeiro, sem dúvida, repousam grandes homens de Itabira. Homens e mulheres que forjaram, em vida, toda uma marca de uma cidade, de um povo. Que moldaram, como ele, o que somos hoje e o que seremos sempre. Escrever sobre homens como Dr. Mauro, para realçar-lhe as qualidades, seria absolutamente desnecessário tal a sua notoriedade e certamente não caberia em uma crônica. Sobre sua vida, muito melhor, já escreveu Rosemary Penido de Alvarenga e muito mais se poderá escrever, ainda.

Aproveitando, no entanto, a oportunidade, quero deixar, nesta hora, um alerta ao nosso povo, aos jovens, principalmente, para cultuar nossos homens ilustres, para que o seu exemplo não morra jamais.

Até breve.