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Estive relendo alguma coisa que escrevi há cerca de um mês atrás, mais ou menos, quando dizia que nós, itabiranos, mais uma vez ficaríamos a ver navios na política, não elegeríamos deputado nenhum. Dito e feito, aí está o resultado e nossos gloriosos candidatos se engalfinharam, se atropelaram e fim de papo, não deu para ninguém. E o que mais vocês queriam, hein? Ficou o consolo, se é que isto consola alguém, de ter havido uma certa resposta do eleitor em torno dos nomes do falado movimento de união por Itabira. Mas faltou, mesmo, foi voto. É verdade que o que deu de votos brancos e nulos daria para eleger quase dois deputados, o que, é bom dizer, aconteceu no país inteiro. Resposta do povo à bandalheira e sem-vergonhice dos seus “dignos” representantes. Em Itabira não foi diferente. Realmente, deputados e senadores estão por baixo, mas continuam mamando nas tetas gordas da república.

Este não é, decididamente, um país sério, nunca foi. Temos um dom estranho de tornar as coisas sérias, em pouco tempo, em tema de gozação. Será que é este o nosso jeito, de molecagem, da falada ginga brasileira, do malandro, do bicheiro, será? Só pode ser isto, quando se sabe que os infelizes, pobrezinhos, dos nossos deputados e senadores estão querendo dobrar os seus “míseros” salários, porque estão ganhando muito pouquinho, daí que têm de ganhar mais, em torno de R$ 12 mil, fora os trambiques, os favores, o uso indevido das gráficas do Senado e da Câmara, não é, Humberto Lucena? E ainda vem aquela múmia do Inocêncio de Oliveira tentar justificar o injustificável, dizendo que se não houver aumento os deputados não comparecem, não trabalham, ficam fazendo beicinho e não dá quorum.

Quem é que pode com um país deste? Não dá, não dá mesmo. Querem avacalhar com tudo, logo de saída. Acho o seguinte: se realmente eles aumentarem seus salários, o povo deveria marchar sobre Brasília e dar neles o maior pau. Aí, sim, eles tomariam vergonha e nem que fosse de medo iriam trabalhar. Só faço uma ressalva, é que existem uns poucos, pouquíssimos que são gente boa, bem intencionada, mas se perdem no meio da geleia geral. Já imaginei, algum tempo atrás, que vereador, deputado e senador não deveriam ter salário, aliás, qualquer mandatário eleito não deveria ter. Vocês iriam ver como seriam poucos e honestos os candidatos. Claro que não iriam morrer de fome para servir o país, teriam tudo pago pelo governo, enquanto exercessem o mandato, dentro de um padrão preestabelecido, sem direito de reclamar. Só iria quem topasse, já sabendo as regras do jogo, que não poderiam mudar.

Pura utopia, puro sonho. A realidade é bem outra, meus amigos. O que predomina é o político carreirista, que só pensa em se eleger para ficar numa boa, tipo Justo Veríssimo, a mais fiel imagem do político brasileiro, sem dúvida nenhuma. Acontece, entretanto, que o povo está ficando mais esperto e entendendo que há políticos e políticos. Já identifica os oportunistas, os infiéis, os espertinhos e sempre risonhos, aquele to tipo que fica sempre do lado que acha que vai vencer. Temos exemplos… Pau neles, até que desistam, o que, aliás, não é fácil.

Fim de noite, em outubro, a estas horas já não se vê mais as estrelas de Escorpião no céu escuro, que já tombaram para os lados do poente, desde cedo. Minha constelação, meu signo. A cidade, mais uma vez, parece alheia aos maus presságios que se anunciam, cada vez com mas intensidade. Nem assim seus filhos acordam. Drummond já dizia desse alheamento… A lua cheia e o cruzeiro iluminado do Pico do Amor faziam contraponto na paisagem noturna, impassíveis.

Fim de papo…