cronica_semana_05#_blog

Distante, o vento somente trazia os sons da madrugada. Leves sussurros, gemidos, palavras não ditas, apenas balbuciadas, ininteligíveis, compreensíveis apenas pela emoção. Longa, a noite termina sem uma confissão, desejos irrevelados, percebidos, sem uma palavra. Dispersam-se os parceiros, rompida a magia, sozinho na noite, frustrada a alegria apenas sonhada. Resistiria ao amanhã?

Janelas entreabertas, penumbra do entardecer, vultos, sombras que se movem por trás das venezianas. Formas diluídas na leve luz que se contrapõe à escuridão, agora já completa. A noite avança, rompido o tênue equilíbrio do entardecer, revelam-se vultos noturnos, esgalhados, folhas crepitam no solo ainda quente da tarde. Voa o espírito para distantes paragens, a busca inútil do infinito.

Longa, longa noite. Frias e distantes estrelas. Murmúrio leve da brisa tocando nuvens e pensamentos. A paixão resiste, aniquilado o ser diurno, o espaço imenso brilha em milhares de luzes, mundos, vias lácteas, para onde quer ir, para onde irá um dia. Momentos de pura magia, desaparece o corpo físico, puros sentimentos, voo solitário para dentro da noite sem fim.

Céu cinzento, a tarde caminha com a lentidão das horas vazias. O vento ligeiro desarruma as folhas das árvores recortadas contra o horizonte. Parecem vivas, balançando-se como se estivessem conversando. Nuvens densas e escuras caminham no céu, tocadas pelo vento, esbarram no recorte da montanha. Todas as coisas se tornam da mesma cor cinza da tarde, a noite não demora mais…