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Passo os olhos no jornal e me deparo com uma foto que traz profundas recordações. Imediatamente, volto quase trinta anos no tempo. Lá pelos idos de 1965, 1966, a repressão política era violenta e impiedosa e muitos tombaram nos cárceres do DOI/CODI e outros por esse Brasil afora.

Era um retrato de um grupo de presos políticos que estavam sendo embarcados para o exílio no Chile. O Chile de Salvador Allende. Tinham sido trocados pelo embaixador da Suíça. Leio a reportagem do jornal e nomes conhecidos despertam na memória.

Tenebrosos aqueles tempos. A liberdade e as garantias individuais não valiam absolutamente nada. Estudante de direito, então, tive colegas que desapareceram da noite para o dia. Presos, torturados, em nome de um poder ilegítimo, que só se sustentava pelo terror e pela força. Gozado, como agora, distante, só agora, restabelecido o estado democrático de direito, percebemos o verdadeiro valor daqueles que não hesitaram em até morrer na luta pela liberdade de expressão e de ação. E como foram cruéis e impiedosos os seus torturadores, muitos ainda impunes e até prestigiados, infelizmente.

Quem viveu aqueles tempos de terror, com certeza terá outra visão de seu país e do mundo. Exilados e enxotados de sua pátria, aqueles que tiveram a felicidade de voltar nunca se esquecerão do quanto vale a liberdade. E nós, neste caso, meros espectadores, como a grande maioria do povo brasileiro, será que já paramos para pensar nisto? Que a liberdade e a democracia valem até o sacrifício de uma vida?

É bom pensar nisto, porque se chegamos aonde estamos, muito devemos a estes poucos brasileiros, cujo sacrifício só agora é reconhecido oficialmente. Rendo-lhes as minhas homenagens nesta crônica. Antes tarde do que nunca…

Tudo isto de uma simples foto num jornal, de setenta brasileiros partindo para o exílio… Ah! O tempo!!!

Um abraço e até a próxima semana.