cronica_semana_04#_blog

Abro os jornais da semana e lá está ela, a pasta rosa. No que eu bati o olho e lá estava, novamente, a pasta rosa. Perguntei para o vizinho, o que te lembra a pasta rosa? Não se lembrou. Eu sim me lembro bem. Era uma pasta usada para clarear panelas. Isto mesmo, panelas. Vinha em uma lata meio rosa meio avermelhada e com o nome na tampa: pasta rosa. Era gostosa de pegar e tinha um perfume agradável. Esta, a pasta rosa que eu conhecia.

Acontece, porém, que a pasta rosa falada nos jornais era uma outra, não era a que eu pensava. A cor era igual, mas o perfume e o uso são muito diferentes. A que falam nos jornais cheira mal, cheira a bandalheira, a maracutaia da brava. Quem é que levou o dinheiro do Banco Econômico, quais deputados e senadores? Lá dentro da pasta rosa, estão os nomes dos contemplados com as gorjetas e favores do banco do Ângelo Calmon, inclusive o do ACM.

Gozado como os políticos e banqueiros estão sempre se ajudando, a mão de um lavando a mão de outro e assim, “de mãos limpas”, vão rumo ao futuro, de mãos dadas, onde serão devorados por dois tigres em pleno centro de Itabira. Só vai sobrar o Comandante Assunção que foge em um jato da Líder…

Enquanto isto, a pitonista com sua voz rouca e sensual continua anunciando o vendaval político de Itabira, pouco ligando se o Fernando Henrique volta direto da China para o Brasil ou faz escala no sul de Sumatra, onde deixará, para sempre, a Lucélia Santos.

Um abraço, pessoal, e até a próxima.

cronica_semana_03#_blog

Passo os olhos no jornal e me deparo com uma foto que traz profundas recordações. Imediatamente, volto quase trinta anos no tempo. Lá pelos idos de 1965, 1966, a repressão política era violenta e impiedosa e muitos tombaram nos cárceres do DOI/CODI e outros por esse Brasil afora.

Era um retrato de um grupo de presos políticos que estavam sendo embarcados para o exílio no Chile. O Chile de Salvador Allende. Tinham sido trocados pelo embaixador da Suíça. Leio a reportagem do jornal e nomes conhecidos despertam na memória.

Tenebrosos aqueles tempos. A liberdade e as garantias individuais não valiam absolutamente nada. Estudante de direito, então, tive colegas que desapareceram da noite para o dia. Presos, torturados, em nome de um poder ilegítimo, que só se sustentava pelo terror e pela força. Gozado, como agora, distante, só agora, restabelecido o estado democrático de direito, percebemos o verdadeiro valor daqueles que não hesitaram em até morrer na luta pela liberdade de expressão e de ação. E como foram cruéis e impiedosos os seus torturadores, muitos ainda impunes e até prestigiados, infelizmente.

Quem viveu aqueles tempos de terror, com certeza terá outra visão de seu país e do mundo. Exilados e enxotados de sua pátria, aqueles que tiveram a felicidade de voltar nunca se esquecerão do quanto vale a liberdade. E nós, neste caso, meros espectadores, como a grande maioria do povo brasileiro, será que já paramos para pensar nisto? Que a liberdade e a democracia valem até o sacrifício de uma vida?

É bom pensar nisto, porque se chegamos aonde estamos, muito devemos a estes poucos brasileiros, cujo sacrifício só agora é reconhecido oficialmente. Rendo-lhes as minhas homenagens nesta crônica. Antes tarde do que nunca…

Tudo isto de uma simples foto num jornal, de setenta brasileiros partindo para o exílio… Ah! O tempo!!!

Um abraço e até a próxima semana.

cronica_semana_02#_blog

O pó está no ar. As partículas flutuam e brilham ao sol. Dançam, luminosas, para depois se transformar em suja poeira, que nos atormenta. O sinal constante e diário a lembrar que somos uma cidade mineradora. Eterna e inevitavelmente poluída. Parece que não tem mesmo jeito. Um estigma que a Vale não conseguiu, até hoje, eliminar. E tome poeira.

Não é que não se tenha tentado, pelo contrário, mas a coisa parece insolúvel. Lá vai o minério e Itabira, tome poluição. A cidade tem de ter um acerto de contas com a mineração. Não é possível que anos e anos de sofrimento e desconforto, da paisagem agredida, do meio ambiente escrachado, passem de liso, sem uma compensação, na hora que a Vale mudar de dono. Olho vivo que a hora está chegando.

Só, que a poluição, aqui, meus amigos, também estende suas garras para as áreas sonoras. É só parar um pouco e escutar a gritaria dos carros de som que pululam na cidade, uma loucura, um festival de decibéis. Até no domingo, dia de descanso, quando tudo é mais quieto, lá vem os sacanas berrando, antes de 8h da manhã, com suas promoções de sacolão. O negócio deles é no grito, pensam que quanto mais alto o som, melhor a publicidade. Coitados, estão errados. A gritaria gera é antipatia e espanta o cliente. Isto não é coisa de cidade civilizada, é coisa de roça, de arraial. Tem de acabar, até porque nosso ouvido não é paiol, né?

Mas, tem um outro assunto que eu quero falar. É um pouco chato, mas não dá para calar. É outro tipo de poluição também. Como é que pode? Meus amigos, é preciso ter muito cuidado com o nível da campanha eleitoral que se aproxima. Pelo que estou sentindo, pelo menos até agora, a coisa está descambando. Tem gente falando cada coisa de embasbacar e gente boa, com mandato popular. Não estão se dando o devido respeito e o nível é de dar dó. Pelo amor de Deus, Itabira é uma cidade culta, de tradição, as pessoas aqui sabem das coisas. Portanto, quem estiver no ar, muito cuidado, porque está ficando ridículo de tanta bobagem que andam falando. A imagem do Senado Municipal vai indo para o brejo…

Um abraço e até a próxima.

 

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Guardou, com muito carinho e com muito cuidado, a velha caneta Parker 51 em seu estojo. Antes de fechá-lo, ainda lançou um último olhar para a caneta e confirmou, para si mesmo, que estava muito conservada. A cor, cinza, já pelo uso, seu nome gravado no corpo da caneta, a tampa dourada que já não tinha o mesmo brilho. Fechou o estojo, com a emoção de quem está enterrando um ente querido.

Quantas lembranças, quantas recordações lhe vieram naquele momento. Lembrou-se do dia em que comprou a caneta, uma tarde fria e chuvosa em Belo Horizonte. Depois, de quando começou a usá-la, a maciez, a suavidade da escrita, caneta tinteiro, em tom azul pavão. A maneira como a caneta se amoldava à pressão de seus dedos, quase como se tivesse vida e pudesse sentir o comando dos dedos do dono. Sem dúvida nenhuma, havia uma interação entre ele e a caneta, que superava o simples e mecânico ato de escrever. Com ela, redigiu seus melhores trabalhos, suas mais brilhantes e premiadas peças.

Até que chegou um dia e ele teve o primeiro contato com um computador, objeto do qual jamais se aproximara e muito menos tocara. Era, por natureza, avesso às máquinas, jamais as usaria para uma atividade intelectual como a de escrever. Achava que o ato de criar não deveria, nunca, se manifestar através da coisa mecânica, por isto, nem usava máquina de escrever. Escrevia à mão. Como, perguntava, se poderia criar algo através de uma máquina?

Mas ao entrar em contato com o computador, o seu mundo virou de ponta cabeça. Fascínio imediato pela telinha, era um viciado em televisão, entrou pelos canais cósmicos da internet, dedilhou o teclado e se apaixonou pelo mouse. Vislumbrou a possibilidade de penetrar nos espaços galáticos, um sonho antigo e nunca revelado. Não fosse a necessidade de assinar, que ainda exige caneta, nem compraria outra. Comprou uma “bic” e adquiriu uma “ler” de computador, que está dando um trabalho danado.

Um abraço e até a próxima.