Em novembro de 2015, a família de Sérgio Rosa se propôs a divulgar “A crônica da semana”, via internet, a partir da constatação da atualidade do conteúdo dos textos, escritos na década de 90. O objetivo da escrita das crônicas era sua apresentação na Rádio Pontal, aos sábados, atendendo a um convite do diretor da emissora, Marcos Evangelista Alves.

O autor, atento aos acontecimentos da cidade, do país e do mundo, de modo geral, com seu estilo espontâneo, claro e sucinto, levou, aos ouvintes da emissora, uma reflexão sobre os fatos mais significativos, pontuando-os com argúcia e fina ironia.

Desde os temas candentes, como a política local, a relação da Companhia Vale do Rio Doce com a cidade (ou vice-versa), a privatização da empresa, a poluição sonora da cidade, aos assuntos nacionais, como a corrupção em nível federal, os desmandos e irresponsabilidades das autoridades, e temas pitorescos desde os tipos itabiranos e seus apelidos, a uma visão lírica da paisagem itabirana, o cronista procurou registrar um tempo, uma cidade (a sua cidade), o país e algumas questões mundiais.

Chegamos à 100ª crônica! Queremos agradecer ao amigo Marcos Gabiroba pelo convite feito a Sérgio e pelo seu empenho em que o projeto durasse quase uma década. Agradecer a todos os leitores, itabiranos e não- itabiranos, que acompanharam essa trajetória on-line por quase 2 anos!

Gostaríamos de agradecer a Carol de Sá que criou a identidade visual, aos filhos que muito incentivaram a publicação, principalmente a Serginho, o responsável por fazer a seleção das crônicas e publicá-las todo domingo.
As palavras do cidadão itabirano, Sérgio Augusto Gonçalves Rosa, permanecerão através dos tempos, como um registro de uma época que ele testemunhou, registrou, enfim, viveu.

 

Promessa é dívida, ou não é? Prometi uma crônica para hoje e aqui estou eu, meio sem inspiração, tentando cumprir meu compromisso com o Gabiroba e com a rádio Pontal. De repente, me lembro que lá vinha eu, pela estrada, rumo a Itabira, a noite enluarada, passo pela Pousada do Avião e venho serpenteando a descida da Serra do Espinhaço. O rádio do carro ligado, naquele horário da Voz do Brasil, no dial 104,3 FM, lá estava a rádio Pontal de Itabira, rompendo as serras, a nossa valente Pontal FM, levando sua voz, atravessando a noite e nos conduzindo para casa. Êta trem bão sô…

E por falar nisto, por falar na rádio Pontal, há quanto tempo venho escrevendo essas crônicas? Quase uns quatro anos. Alguém diria que duraria tanto assim? Nem eu mesmo acreditaria. Mas, a gente vai escrevendo, escrevendo e quando para pra pensar, já são quase quatro anos no ar. Assuntos vão e voltam, repetem-se alguns, sei que insisto em outros. Será que estou sendo ouvido? Será que estou conseguindo passar minhas mensagens? Tenho contribuído com vocês de alguma forma? Tudo isto me pergunto quando estou escrevendo… Sei que tenho ouvintes fiéis, que sempre me dão retorno. “Olha, Sérgio, gostei da sua crônica sobre a filha da Xuxa”, me fala um lá no fórum. No elevador da prefeitura, outro me diz, brincando, que estava com raiva de mim porque falei mal de sua deusa loura. Ainda bem que não estou escrevendo em vão.

E, pensando nestas coisas todas, deixando de lado o maníaco do parque, que alimentou a mídia nestes últimos dias. A tragédia quase transformada em glória, o Brasil já tem um serial killer. Finalmente, me fixo na insólita proposta do Enéas de fabricar a bomba atômica, começo a rir sozinho e dentro da noite vão surgindo as primeiras luzes de Itabira.

Um abraço e até a próxima.

Crônica de agosto de 1998